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	<title>Pense Verde</title>
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		<title>O Vermelho Encantamento das Matas</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 18:52:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gustavo88</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_376" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2011/01/tic3aa-sangue-ramphocelus-bresilius.jpg"><img class="size-full wp-image-376" title="tiê-sangue - Ramphocelus bresilius" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2011/01/tic3aa-sangue-ramphocelus-bresilius.jpg?w=500&#038;h=388" alt="" width="500" height="388" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Sergio de Castro - tiê-sangue (Ramphocelus bresilius)</p></div>
<p>Com ou sem a pretensão de chamar a atenção nas verdejantes florestas da Mata Atlântica, o tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) não passa despercebido nem mesmo para um mero observador disperso, e sim, atua como protagonista no teatro das cores que realiza apresentação perene no palco da vida. Exalta o seu rubor e encantamento digno de contemplação nas matas da Paraíba a Santa Catarina, é uma espécie endêmica da Mata Atlântica e possui alimentação frugívora, entre a variedade de frutas que ele se alimenta, há algumas que contém um pigmento denominado astaxantina, que ajuda a manter a sua coloração vermelho-escarlate.</p>
<p>Passear em devaneio pelas matas do país já nos remonta ao nosso sentido ontológico, re-desperta uma sensação de contato com o divino que pode-se resumir como inefável. Entretanto, uma incursão floresta adentro e o encontro com uma como ave como o tiê-sangue é mais do que cósmico, e sim chama atenção para o nossa dimensão cuidado, conservador e demasiadamente zeloso. A beleza e a importância que as aves têm para a manutenção dos ciclos ecológicos transpõem muitas vezes as barreiras do compreensível racionalmente por nós, e, até mesmo por elas &#8211; aves.  Se para as aves a árvore fornece alimento na forma de larvas de insetos e ovos, a ave pode estar extraindo pragas e cooperando na vitalidade da árvore, assim a dependência entre um e outro é extremamente fundamental. Essa compreensão de dependência não é racionalizada pela ave, e em alguns casos, nem mesmo por nós, que derrubamos as árvores e interrompemos esse apoio mutuo. Sua cor pode ser de puro encantamento e significado para nós, como observadores, e evidentemente de pura fragilidade e susceptibilidade perante nós e outras espécies como predadores. Nas matas douradas e portentosas da Mata Atlântica, sua plumagem vermelho-sangue contrasta com o verde das árvores sobressalentes e reflete como um raio de luz nas águas harmoniosas, fazendo com que seja visto e capturado com facilidade pelos seus predadores naturais e também pelos denominados predadores &#8220;sapientes&#8221;.</p>
<p>A ocorrência dessa e de outras espécies fica restrita a áreas onde ainda resta alguma porção de floresta, quer fragmentos florestais, quer grandes coberturas resguardadas, ficando assim evidente a importância de conservar nossas florestas e conseqüentemente espécies exuberantes e essenciais para o equilíbrio ecológico. Atualmente, o hábitat dessa e de uma gama surpreendente de outras espécies animais e vegetais, haja vista que a Mata Atlântica possua um percentual em torno de 33% das espécies vegetais existentes no Brasil, esteja ameaçado pela supressão florestal, oriunda de vários fatores, como a expansão imobiliária, avanço da agricultura, dentre outros.</p>
<p>A simbologia de sua cor, o vermelho, pode ser traduzida por nós como a ação, a conquista, características que para as aves já está arraigada desde o seu nascimento, sendo que no decorrer de suas vidas elas alcançam o zênite a todo instante, migram quilômetros atrás de abrigo e alimento, lutam instintivamente para defender seu território e família, e, acima de tudo, gozam de sua arte somente para manifestar a vida. Chegará um tempo em que as Florestas não estarão mais pintadas de vermelho pelo sangue expelido das espécies dizimadas, e sim pela vivaz e cintilante beleza do tiê-sangue.</p>
<p><span style="color:#339966;"><strong>Gustavo G. Sanches</strong></span></p>
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		<title>O Olhar da Favela</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 16:57:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gustavo88</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_372" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/12/morro-da-providencia-rio-de-janeiro-fotc3b3grafo-jr.jpg"><img class="size-full wp-image-372" title="Morro da providencia  - Rio de Janeiro - Fotógrafo JR" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/12/morro-da-providencia-rio-de-janeiro-fotc3b3grafo-jr.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: JR - Morro da Providência - RJ</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Episódios como os que ocorreram no Rio de Janeiro recentemente levam uma grande parcela da população a reflexão, ora pela gravidade dos fatos que desdenharam uma grande quantidade de inocentes da comunidade, ora pela dimensão da raiz que assombra os problemas sociais na capital Fluminense. O processo de favelização na capital não é digno de escolha para aqueles que lá habitam, é, sobretudo um fator social de desigualdade no qual faz com que migrantes venham de outros municípios e/ou estados atrás de uma significativa melhora de vida na capital, não encontrando assim condições de se estabelecer em uma zona melhor, acabam se aglomerando  em aclives e declives de esperança. Já, em relação ao tráfico de drogas, todos estão cansados de saber a epistemologia dos fatores que envolvem as divergentes classes sociais, públicas e privadas.</p>
<p>Não quero aqui banalizar o assunto, tampouco fazer uma abordagem positivista sobre a realidade que decorre em todo o globo, mas sim levar os leitores para uma breve inflexão sobre a paz que moldamos através desse sistema ganha-perde.</p>
<p>O levante feito pela polícia militar do RJ em conjunto com as forças armadas demonstra a cristalização de uma máxima potência estatal, onde o sistema pode sim pender para o bem da comunidade que vive sob as diretrizes do tráfico, mas deve-se dizer que o cerne do problema se encontra justamente aí, como assegurar uma governança num estado politicamente dividido?</p>
<p>As ações voltadas para o planejamento de uma grande cidade gira, em linhas gerais, entre os interesses individuais de uma parcela privada e os interesses individuais de uma classe de políticos corruptos. Enquanto há cem podando os galhos do mal, há um tentando arrancá-lo pela raiz. A paz “estabelecida” para os moradores dessas comunidades, de certa forma é uma grande revolução para a polícia, mas cabe perguntar até quando essa paz irá reinar, até onde os olhos de uma criança que vivencia esta realidade irá acreditar em paz. Este sistema onde um sempre há de perder age como imperativo há muito tempo, a falta de benquerença dos governantes para as classes desfavorecidas faz com que hecatombes como essas ocorram, e a título de exemplo, sob o olhar do país todo que assiste as manchetes dos jornais e se deleitam como se estivessem assistindo um filme.</p>
<p>A transição para um sistema ganha-ganha requer muito esforço conjunto, mas um esforço benevolente, um esforço de atores que não estejam totalmente vendidos para o mercado capital. Dizer aqui qual seria o processo para essa transição seria muita preponderância e demagogia, mas</p>
<p>vale dizer que a direção foi moldada, as ações de transversalidade social estão já presentes nas comunidades através de ONG’s que lutam pela pacificação através da educação, da arte, da cultura, da música, dentre outros. A paz está gritando para estar presente em nossos dias, saibamos escutá-la e senti-la.</p>
<p>Gustavo G. Sanches</p>
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		<title>EM BUSCA DA ESTABILIDADE PLANETÁRIA</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Nov 2010 18:29:49 +0000</pubDate>
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</dt>
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</div>
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<div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/11/lucc3adlio_de_albuquerque_-_despertar_de_c3adcaro1.jpg"><img class="size-full wp-image-363" title="Lucílio_de_Albuquerque_-_Despertar_de_Ícaro" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/11/lucc3adlio_de_albuquerque_-_despertar_de_c3adcaro1.jpg?w=500&#038;h=382" alt="" width="500" height="382" /></a><p class="wp-caption-text">Despertar de Ícaro - Lucílio de Albuquerque (1877–1939).</p></div>
</dd>
<dd>
</dd>
<dd>Há poucos dias de mais uma Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas COP-16, realizada pela ONU e que se inicia na próxima segunda-feira 29, onde 193 nações irão discutir e quiçá decidir os instrumentos de mitigação para com as mudanças climáticas, novamente se vê em torno do tema o teatro midiático que pulveriza informações um tanto quanto dantescas sobre a temática mudanças climáticas. Já foi mais que comprovado e alertado sobre os perigos que as espécies estão correndo, milhares de desastres inéditos coloca em cheque os denominados céticos do clima. Uma vez que a crise atual não é apenas uma crise de indivíduos, governos ou instituições sociais, mas sim uma transição que contempla dimensões planetárias, onde o futuro da humanidade está em jogo.</p>
<p>Justapondo essa realidade, cumpre dizer que a estabilidade humana está gradativamente ameaçada pela força do capitalismo, pela força do jogo do mercado e também pela força da insensatez humana. Notícias sobre fome, guerras, corrupção estão mais do que familiarizadas pelas classes “virtuosas” da sociedade, e mesmo assim vivencia-se o momento do fatalismo cínico, onde a mudança deve partir de um Deus maior. Uma salvação que não virá de cima.</p>
<p>O futuro está tão próximo quanto o presente, tão próximo quanto a Terra da Lua, e ainda assim a postergação das benquerenças é algo arraigado na sociedade contemporânea. A humanidade está em estado hipnagógico, prestes a entrar de vez nas dimensões oníricas e assim sonhar com um futuro melhor, no entanto o que tarda este sonho é a morosidade dos famigerados em abandonar suas velhas práticas.</p>
<p>Deve-se colocar como imperativo um despertar para uma nova era, uma transição de instabilidade para a estabilidade, observar a Terra como esse imenso processo evolutivo, onde nós seres humanos dividimos a mesma casa comum com as demais espécies. Corrobora o fato de que todos terão o destino comum, porque não alimentarmos um novo começo. A biodiversidade está depauperada, a perda de sintonia com a totalidade está culminando não somente na segunda maior extinção de espécies animais e vegetais da história do planeta Terra, mas também na falta de conexão entre os sujeitos, na falta de ações de solidariedade entre nós <em>homo sapiens.</em></p>
<p><em> </em>Um hino de indignação cresce a cada dia nas extensões endossomáticos dos seres humanos, elevando-se assim um senso crítico perante as causas ambientais e sociais, esperar-se-ia que os representantes das 193 nações, não dignas de decidir o futuro da humanidade, acordem para esse hino, despertem para a realidade e veja que a estabilidade do planeta está ameaçada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> Gustavo G. Sanches</em></p>
<p>&nbsp;
</dd>
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		<title>Explanando o Código Florestal e sua tentativa de revogação</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Nov 2010 16:06:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reza a Carta Magna1 que todos têm o dever de assegurar o direito das presentes e futuras gerações ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. No entanto, o ano que foi instituído como Internacional da Biodiversidade, está sendo em nosso país o período em que se tenta arrebatar com uma lei tida com uma das mais protetivas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=penseverde.wordpress.com&amp;blog=5861233&amp;post=351&amp;subd=penseverde&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_352" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/11/ro.jpg"><img class="size-full wp-image-352" title="Degradação da Floresta Amazônica em RO" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/11/ro.jpg?w=500&#038;h=298" alt="Degradação em RO" width="500" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">Degradação da Floresta Amazônica em Rondônia</p></div>
<p>Reza a Carta Magna<sup>1</sup> que todos têm o dever de assegurar o direito das presentes e futuras gerações ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. No entanto, o ano que foi instituído como Internacional da Biodiversidade, está sendo em nosso país o período em que se tenta arrebatar com uma lei tida com uma das mais protetivas do ambiente, mundialmente falando.</p>
<p>A lei em questão é a Lei Federal 4.771/65, conhecida como Código Florestal (CF) e está sendo alvo de um Substitutivo, que visa à revogação do mesmo, através do Projeto de Lei (PL) 1.876/99 que corre na Câmara dos Deputados e tem como relator o Deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP).</p>
<p>São de se destacar dois instrumentos que seriam modificados caso o texto de Rebelo tenha êxito: as APP’s<sup>2</sup> e a RL<sup>3</sup>. É importante deixar claro que tais instrumentos têm funções distintas e complementares, já que o primeiro visa primordialmente à proteção de solos mais frágeis e o equilíbrio do regime hidrológico, além da biodiversidade; e o segundo visa à manutenção de uma reserva de biodiversidade no local.</p>
<p>O relator defende com unhas e dentes que o intuito do substitutivo é proteger os pequenos agricultores que, com o código vigente, têm pequenas áreas para produção. No entanto esse argumento é falho, pois, o PL apresentado, ao mesmo tempo em que ‘visa’ beneficiar os pequenos, anistia os grandes, haja vista que o projeto isenta grandes desmatadores. A propósito, segundo o Deputado Sarney Filho (PV/MA) “O (atual) CF não prejudica a pequena propriedade, porque estabelece diversas medidas de exceção para essa parcela do setor rural (&#8230;).”<sup>4</sup> As medidas que Sarney Filho se refere são quanto à utilização sustentável de áreas instituídas pelo CF dentro de pequenas propriedades, e que por desconhecimento e falta de apoio não são realizadas. Aldo Rebelo também argumenta que o CF é antigo e está barrando a produção agropecuária. Novamente o Deputado se engana, pois, de acordo com a ESALQ-USP o Brasil conta com 100 milhões de hectares de área apta a atividades agrícolas<sup>5</sup>.</p>
<p>Ao contrário do que o Senhor Rebelo prega, os pequenos agricultores, mesmo com seus pequenos lotes, sabem a importância de se manter as APP’s. Vê-se aqui na região de Londrina-PR a recuperação dessas áreas sem a pressão legal, por iniciativa própria dos agricultores ou em cooperação com a sociedade civil organizada. Aquele pedaço à beira-rio que a patota do Rebelo quer ceifar não representa apenas um cílio estético para uma sombra ao fim de semana. A mata-ciliar conservada significa uma intrincada relação ecológica que vai não só regular o fluxo hídrico da bacia hidrográfica, como também favorecer a vida. Esta que ali é representada, de forma breve, pelos insetos que polinizam a plantação do agricultor; ou então predadores das pragas das lavouras; até mesmo as plantas que frutificam, servindo de alimento para os lindos pássaros que gorjeiam a cada manhã.</p>
<p>Em tempos de discussão das mudanças climática e da conservação da biodiversidade, é motivo de vergonha o posicionamento anacrônico de um representante dos interesses da nação. Como Estado democrático, deve-se sim discutir mudanças na legislação, mas alternativas inovadoras e de vanguarda devem estar em pauta.</p>
<p>A manutenção da vegetação nativa é estratégica para todo tipo de sistema produtivo, portanto, em vez de vê-la como obstáculo, vejamo-la como aliada. Portanto, a discussão que cabe é como deixar a floresta em pé e não regredir leis para ser permissivo com o desmate.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align:right;"><strong><em>Gustavo Góes</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><sup>1 </sup>Constituição Federal Brasileira de 1988</p>
<p><sup>2</sup> Áreas de Preservação Permanente (florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios e cursos d’água ou que envolvam nascentes e olhos d’água; b) nos topos de morros, montanhas e serras; c) nas encostas com declividade superior a 45º; d) nas restingas; e) nas bordas de tabuleiros ou chapadas e h) nas altitudes superiores a 1.800 metros)</p>
<p><sup>3</sup> Reserva Legal “é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada e de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas”. Os percentuais que devem ser protegidos em cada propriedade ou imóvel rural variam, de acordo com as regiões do país. Este percentual é de 80% nas áreas de florestas da Amazônia, 35% para o Cerrado da Amazônia Legal e 20% para as demais regiões do país.</p>
<p><sup>4</sup> Revista Consulex (Novembro de 2010)</p>
<p><sup>5</sup> O Estado de São Paulo (5 de maio de 2010)</p>
<pre>
</pre>
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		<title>Um recado do trabalhador do rio para o trabalhador presidente da república</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 19:12:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Góes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Juarez Brito Pezzuti* Senhor presidente, Também sou trabalhador como o senhor. Só que trabalho para mim e para minha família pescando nos rios da Amazônia. Tiro o peixe pra comer com farinha em casa e para vender. Pago gente pra me ajudar na roça, pra fazer minha casa de madeira boa, que dura quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=penseverde.wordpress.com&amp;blog=5861233&amp;post=342&amp;subd=penseverde&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_343" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/07/xingu.jpg"><img class="size-full wp-image-343" title="Vista do Rio Xingu" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/07/xingu.jpg?w=500&#038;h=375" alt="rio xingu" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Vista do rio Xingu, que será afetado pela construção da hidrelétrica de Belo Monte (Altamiro Vilhena)</p></div>
<p>Por Juarez Brito Pezzuti*</p>
<p>Senhor presidente,</p>
<p>Também sou trabalhador como o senhor. Só que trabalho para mim e para minha família pescando nos rios da Amazônia. Tiro o peixe pra comer com farinha em casa e para vender. Pago gente pra me ajudar na roça, pra fazer minha casa de madeira boa, que dura quando a enchente é forte e alaga tudo, como o senhor já viu. Sou um autônomo, pode-se dizer, associado da Colônia, e recebo seguro-desemprego no período de defeso.</p>
<p>Mas o meu patrão é o rio. Estou à mercê dos caprichos dele, do seu temperamento e imprevisibilidade. E ainda, infelizmente, nós pescadores competimos entre nós, porque o recurso é finito e as bocas aumentam. As bocas das famílias dos pescadores e dos outros brasileiros.</p>
<p>O desmatamento do fazendeiro, a maior parte dele vindo de fora da minha região para destruir a floresta até a beira do rio para encher o bolso de dinheiro e não trazer benefício nenhum para a minha região. E tudo com subsídio do seu governo e dos governos anteriores. O senhor acha que ninguém está vendo? O Senhor mesmo disse que não precisa derrubar uma árvore, mas então por que qualquer um vem aqui com dinheiro do governo para colocar tudo no chão, as frutas dos animais e dos peixes, a mata que fixa o tal carbono?</p>
<p>Não sou um fóssil econômico nem entrave para o desenvolvimento. A maior parte do pescado consumido na Amazônia, e no Brasil, é produzida por pessoas como eu. Por nós, pescadores artesanais. Quase todo o pescado que abastece as cidades daqui sou eu que pesco. Por que agora me torno um empecilho?</p>
<p>O agrotóxico mata o peixe dos meus rios, já está comprovado, cheio de estudo aí, e por que o fazendeiro pega dinheiro do governo pra contaminar os todos rios com essa química toda? Não vai botar na balança o prejuízo para a minha família e todos os meus colegas trabalhadores do beiradão? Chame de externalidade, do que quiser, mais isso tem que ser considerado. Rios com peixes geram emprego, garantem o sustento das famílias ribeirinhas e abastecem pequenas, medias e até grandes cidades.</p>
<p>A barragem, seu presidente, é que é o pior mal de todos para o Rio, e isto está comprovado já tem décadas. A pesca no lago artificial não compensa os impactos negativos a montante e principalmente a jusante. Veja, Senhor Presidente, o que aconteceu com as comunidades do Baixo Tocantins.</p>
<p>Os estudos mais recentes comprovam isso, e que nós estamos sentindo na pele há décadas, e mostram também que escadas de peixe e outras geringonças de nada adiantam. Como pode o seu governo dizer que não vai afetar a pesca, com o que tem acontecido em todos os outros rios? O que o senhor acha que é o bagre? Um peixe meio feioso, de espinho, que a gente come na falta de peixe melhor? Tem idéia do tamanho da população ribeirinha que vive da pesca do bagre? Só no canal  principal do Amazonas somos mais de 50 mil pessoas, afora os afluentes maiores como Madeira, Purus, Japurá, Juruá e dezenas de outros menores onde a pesca do bagre é das principais fontes de renda. Agora, e quantas bocas se alimentam dos rios, acha que não dá pra contar? Dá sim, é fácil e está sendo feito por um monte de gente que tem seriedade. Tem a sociedade civil representada e o estado, com o ministério público nas diferentes esferas, as universidades e outras instituições de pesquisa. Chamando atenção, brigando mas, principalmente, contabilizando o massacre do modo de vida ribeirinho, da nossa vida, do nosso sustento e do nosso emprego.</p>
<p>Tem jeito não, Senhor Presidente, para todo o mal que as barragens causam a nós, tentando viver do pouco peixe que sobrou ou indo para as cidades tentar a sorte e, na maioria das vezes, levar uma vida miserável.</p>
<p>Vossa excelência também não assumiu compromissos com emissão de gases? Como, se praticamente todo o investimento em energia é com fábricas de metano, que é isso que as hidrelétricas são? Seu governo vai seguir ignorando o que os cientistas do mundo inteiro estão dizendo? Vai seguir apostando na falta de memória do povo brasileiro?</p>
<p>Presidente, o senhor ainda vai passar uma vergonha muito grande, porque em poucos anos esse mal que o seu governo está fazendo pra gente vai estar tão evidente e tão claro, que Vossa Excelência não vai ter nem sossego quando for dormir, se é que ainda se preocupa com a sorte dos seus companheiros que alimentam suas famílias com o peixe do rio, longe dos supermercados, e  que trabalham de canoa, linha e anzol, rede e arpão.</p>
<p><em>*Juarez Brito Pezzuti é biólogo, doutor em ecologia e professor da Universidade Federal do Pará.</em><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Fonte</em>: Envolverde.</p>
<p>** texto publicado neste blog por expressar de forma sucinta a forma com que o governo brasileiro vem tratando as questões socioambientais.</p>
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		<title>Globalização do bem estar subjetivo</title>
		<link>http://penseverde.wordpress.com/2010/05/30/globalizacao-do-bem-estar-subjetivo/</link>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 14:46:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gustavo88</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_335" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/05/eneias-anquise-e-ascanio-gian-lorenzo-bernini-1619.jpg"><img class="size-full wp-image-335" title="Eneias, Anquise e Ascânio - Gian Lorenzo Bernini 1619" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/05/eneias-anquise-e-ascanio-gian-lorenzo-bernini-1619.jpg?w=400&#038;h=582" alt="" width="400" height="582" /></a><p class="wp-caption-text">Eneias, Anquise e Ascânio - Gian Lorenzo Bernini 1619</p></div>
<p>Todos estamos passando por uma fase de transição, é só lermos os jornais e revistas que veremos a democratização dos termos consciência ecológica, desenvolvimento sustentável, direitos humanos, dentre outros. Pode-se notar também o aumento do número de pessoas engajadas nas causas sociais, no voluntariado como exercício ético, na luta por um mundo melhor. Penso eu com meus botões, por que todos esses ótimos exemplos não atingem uma magnitude global, por que não globalizar o acesso universal a água, ao alimento, a moradia, a uma Mãe Terra feliz e orgulhosa de seus filhos? Pois bem, nesse contexto pode-se dizer que Gaia encontra-se entristecida e virulenta, e a razão disso é nossa ganância e individualismo, nosso modelo globalizacional insustentável e excludente que permeia as mais íntimas entranhas de nosso planeta.</p>
<p>A globalização econômica em sua forma mais inexpugnável culminou não somente na depredação da natureza, extinção de espécies e gestos de solidariedade e afetividade humana, mas também numa mercantilização de cultura, cujo cerne se encontra no âmbito estadunidense, no qual grande parte dos países ao redor do globo almejam um desenvolvimento econômico-cultural como o das estrelas de Hollywood, deixando de lado todo o processo histórico-geográfico que cada região desenvolveu empiricamente. Pesquisas revelam que se todos os países consumissem como os Estados Unidos consomem, necessitaríamos de cinco ou mais planetas para suportar o ultraje cometido com nossa “Mãe Terra”. De todo modo a cultura norte americana encontra-se em crise, os americanos estão consumindo cada vez mais para poderem maquiar a falta de conexão uns com os outros, e isso se prolifera gradativamente com as síndromes de metrópoles, moldando paisagens urbanas com prédios e fábricas, buzinas e pistões automotivos, encobrindo o canto dos pássaros e nos distanciando do diálogo com a natureza, criando dependência da mecanização para com as tarefas manuais, engendrando conforto e requinte que somente uma pequena casta gozará.</p>
<p>Contanto surge-se paulatinamente uma parcela de indivíduos dispostos a construção de coletivos éticos, condicionados a uma mudança de paradigma civilizatório, que se baseia no utopismo dialético, ou seja, uma forma de utopismo espaço-temporal em que as capacidades geográficas e potencialidades humanas sejam incorporadas como forma de intervenção nos dogmas predeterminados. Quem são esses indivíduos que estão implantando o utopismo em seus espaços geográficos? São todos aqueles que estão atônitos com o desumanizante processo atual, que estão agindo como efeito multiplicador por um desenvolvimento ecológico e social inerente a produção do capital, esta que na maioria dos casos utiliza de seus recursos por meio do  pensamento arcaico de progresso a todo custo, causando danos para o ambiente e seus trabalhadores, aqueles que persistem na produção do conhecimento, de proporcionar os  direitos naturais de alimentação, de água, de liberdade de escolha e cooperação.</p>
<p>Como é ano eleitoral em nosso país veremos muitas demagogias e ilusões de nossos excelentíssimos candidatos, porém, cabe a nós cidadãos eleitores, sujeitos ativos e condicionados no saber democrático, decidir qual o melhor caminho para se seguir, um futuro democrático e justo em todas as esferas, ou um futuro cataclísmico que nos levará ao precipício. Sendo assim, continuamos sonhando com um país cujo mapa geográfico inclua a utopia, como no dizer do laureado escritor Irlandês Oscar Wilde: “Um mapa do mundo que não inclua utopia não merece nem mesmo uma espiada”.</p>
<p style="text-align:right;"><strong> Gustavo G. Sanches</strong></p>
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			<media:title type="html">Eneias, Anquise e Ascânio - Gian Lorenzo Bernini 1619</media:title>
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		<title>Biodiversidade: conservá-la ou nos autodestruir pouco a pouco</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 22:23:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Góes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_324" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/05/joan_mir_-_constellation_awakening_at_dawn-_19411.jpg"><img class="size-full wp-image-324 " title="Joan Miró. Constellation Awakening at Dawn. 1941" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/05/joan_mir_-_constellation_awakening_at_dawn-_19411.jpg?w=500&#038;h=614" alt="Constelación: despertando al amanecer" width="500" height="614" /></a><p class="wp-caption-text">Joan Miró - Constelación: despertando al amanecer (1944)</p></div>
<p>Aproximadamente um bilhão de anos após a formação do planeta Terra a vida se fez presente e, ao longo do tempo, vem evoluindo através de complexos processos ecológicos. Podemos dizer hoje que a vida está presente em qualquer canto desse mundo, desde as milhares de espécies de bactérias que se encontram no solo, juntamente aos fungos, cooperando para a fertilidade da terra, até as grandes plantas e mamíferos, e ainda a grande biodiversidade existente nos ecossistemas marítimos.</p>
<p>É incomensurável a riqueza da biodiversidade, tanto que, no que diz respeito apenas à descrição e classificação das espécies, taxonomistas<sup>1</sup> têm catalogado até os dias atuais cerca de 1.4 milhões de espécies e estima-se que existam no mínimo 10 milhões ainda não descritas.</p>
<p>Vale dizer que a diversidade da vida concentra-se, sobretudo em regiões tropicais. Existem 17 países que abrigam 70% da biodiversidade do nosso planeta, são eles conhecidos como Megadiversos<sup>2</sup>. No entanto, alguns desses países têm suas florestas ceifadas continuamente. Seja pela pressão por áreas para o cultivo de dendê na ilha de Sumatra na Indonésia, a exploração madeireira na República Democrática do Congo ou o aumento da fronteira agropecuária na Amazônia brasileira; o desflorestamento dessas regiões riquíssimas está destruindo o hábitat de milhões de criaturas que nem ao menos conhecemos, e por conta dessa destruição covarde, pesquisadores renomados apontam que ecossistemas podem, em breve, entrarem em colapso.  Como exemplo pode-se citar o risco de pelo menos parte da Amazônia ser transformado em uma savana.</p>
<p>Nessa esteira, há algumas décadas alguns campos da ciência estão se emancipando da visão positivista e vêm incorporando aspectos sistêmicos, ressaltando e comprovando a dependência da vida humana perante o equilíbrio do planeta. A economia ecológica, por exemplo, busca dar valor monetário aos serviços ambientais prestados, evidenciando que são processos ecológicos que culminam na vida humana. Não custa lembrar a Teoria de Gaia, desenvolvida pelo climatologista James Lovelock e a microbiologista Lynn Margulis, que ao longo dos anos vêm comprovando a hipótese de que a Terra é um grande organismo vivo, isto é, tudo que nela existe está inextricavelmente interligado e coopera (ou não) para a sua manutenção.</p>
<p>Destaca-se que assim como nós, enquanto organismos vivos, a Terra sofre de alguns patógenos<sup>3</sup>, ela pode ter sido perturbada por asteróides algumas vezes, mas atualmente ela está sofrendo internamente, isto é, as atividades humanas aceleraram os níveis de extinção<sup>4</sup> em 1000 vezes, ou seja, é a mesma coisa que algum microorganismo interno nosso esteja destruindo células essenciais ao funcionamento do nosso corpo.</p>
<p>Em vista dessas considerações, é importante assinalar que o reconhecimento da importância da conservação da biodiversidade e de ações que visem à manutenção da vida não é um processo de cima para baixo, no qual a ciência e a política  devam resolver, mas antes uma questão de ética, na qual a coletividade assimile valores holísticos e de irmandade para com a natureza.</p>
<p>Séculos atrás, sem a existência da pressão de movimentos ambientalistas e nem crise ecológica, movido apenas pelo seu amor e afeição, um indivíduo chamado Francisco de Assis reconhecia a importância de todas as criaturas, seja na Terra ou no céu, e chamava a todas de irmãs ou irmãos. Cumpre dizer, por derradeiro, que seja através da espiritualidade ou da reflexão crítica, urge uma nova ética fundada na pertença a um sistema emaranhado de cooperação que sustenta a vida.</p>
<p style="text-align:right;"><em>Gustavo Góes</em></p>
<p style="text-align:right;"><em><br />
</em></p>
<p><sup><span style="font-size:small;">1 </span></sup>profissionais responsáveis pela identificação, descrição e classificação dos seres vivos.</p>
<p><sup><span style="font-size:small;">2 </span></sup>grupo de países que abrigam o maior índice de biodiversidade da Terra, a saber: Austrália, Brasil, China, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Indonésia, Índia, Madagascar, Malásia, México, Papua Nova Guiné, Peru, República Democrática do Congo, África do Sul e Venezuela.</p>
<p><sup><span style="font-size:small;">3</span></sup> agente capaz de desencadear doenças.</p>
<p><sup><span style="font-size:small;">4</span></sup> extinções ocorrem normalmente na natureza, mas dentro de certos limites.</p>
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		<title>A educação como práxis narcisista</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 02:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gustavo88</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_316" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/04/img_operarios-1933.jpg"><img class="size-full wp-image-316" title="img_operarios 1933" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/04/img_operarios-1933.jpg?w=500&#038;h=369" alt="" width="500" height="369" /></a><p class="wp-caption-text">Tarsila do Amaral - Os Operários 1933</p></div>
<p style="text-align:left;">Um dos temas centrais entre toda a humanidade gira, sobretudo, entre a educação e a forma da qual ela é aplicada para a sua construção ou produção.  Vivencia-se o momento onde grande parte da população não tem acesso a educação, e muitos dos que tem oportunidades a terem uma educação condizente, abandonam os colégios, nem tentando ir para as universidades, não por falta de interesse dos mesmos, mas sim pela forma na qual os educadores tentam transferir os seus conhecimentos, acreditando assim que a educação é uma via de mão única onde somente eles ditam as regras e os educandos ir-se-ão padecer.</p>
<p style="text-align:left;">Dias atrás me deparei com esse paradoxo lancinante que ocorre a todo o momento em todas as IES (Instituições de Ensino Superior) de todo o globo: de um lado a docente tem muitos rótulos e méritos para estar ali e, de outro lado, a incapacidade de criar possibilidades para a produção do conhecimento, o orgulho de não querer reconhecer que quem ensina também aprende, de que não há docência sem discência, que o conhecimento é uma via de mão dupla, onde ambos irão progredir. Cumpre aí, repensar todo o desestimulo moral, intelectual, que docentes como a descrita acima, ocasiona na vida de muitas pessoas que se esforçam para fazer da sociedade um lugar mais justo e democrático. Como pensar numa sociedade democrática tendo um ensino fascista, ou você vai para a lousa fazer o exercício ou para a sala de tortura. Quão estimulante é este ensino querida docente, que não sabe nem ao menos pedir, mas sim mandar. Haja vista que a classe educadora é uma das mais brilhantes da humanidade, estimulando as pessoas para uma condicionante de vida melhor, proporcionando uma leitura de mundo através do ensino, quero aqui deixar claro o meu prestigio por todos os educadores críticos e cientes de sua função, mas não deixo de lamentar uma pequena parcela que entristece e desestimula a criatividade e a liberdade de escolha dos discentes.</p>
<p style="text-align:left;">De tal forma, constata-se que um ensino onde o educador queira ditar suas regras sobre um pedestal, querendo com isso se posicionar melhor que o aluno, encontra-se num paradigma pungente, que necessita de mudança e rápido, sendo assim, cabe aos professores insistir numa interação maior dentro de suas salas de aula, cabe também a eles uma flexibilidade, tendo em vista as divergências encontradas entre todos aqueles que fazem sua parte para o processo do conhecimento.</p>
<p style="text-align:left;">Por fim potencializa-se a educação como forma de promover e recuperar a ética do ser humano, quiçá um dia ter-se-ia ao menos um docente em cada curso que tenha lido Paulo Freire antes de entrarem nas salas de aula.</p>
<p style="text-align:left;"><strong> Gustavo G. Sanches</strong></p>
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		<title>O excesso de Razão numa sociedade Irracional</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 03:49:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gustavo88</dc:creator>
				<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
		<category><![CDATA[Razão]]></category>
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		<category><![CDATA[Sócrates]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o inicio das civilizações “pensantes” se travava uma ululante batalha pessoal e universal, baseada, sobretudo entre a razão e o sentir. Grosso modo, os homens/mulheres primeiramente desenvolveram a percepção como seus aliados para a sobrevivência diária, desfrutavam-se de seus instintos para todas as atividades, ora manuais, ora intelectuais. Um bonito exemplo vem de Sócrates, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=penseverde.wordpress.com&amp;blog=5861233&amp;post=311&amp;subd=penseverde&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_312" class="wp-caption aligncenter" style="width: 399px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/04/rosa.jpg"><img class="size-full wp-image-312" title="rosa" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/04/rosa.jpg?w=389&#038;h=500" alt="" width="389" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">The Rose - Salvador Dali</p></div>
<p>Desde o inicio das civilizações “pensantes” se travava uma ululante batalha pessoal e universal, baseada, sobretudo entre a razão e o sentir. Grosso modo, os homens/mulheres primeiramente desenvolveram a percepção como seus aliados para a sobrevivência diária, desfrutavam-se de seus instintos para todas as atividades, ora manuais, ora intelectuais. Um bonito exemplo vem de Sócrates, dizendo que mais inteligente é aquele que sabe que não sabe de nada, sendo assim só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento, ressaltando assim o valor de uma visão de mundo, de uma percepção dos sentidos. Dentre toda esta trajetória da humanidade até os dias de hoje é perceptível uma dicotomia entre a razão e o sentir.</p>
<p>Haja vista que as civilizações com o passar do tempo foram deixando o pathos<sup>1 </sup>de lado, desenvolvendo-se então como civilizações da razão, como civilizações que marcaram pela forma analítica de ver o mundo ao seu redor, com o intuito de produzir riquezas materiais, modelos de sociedades divergentes, onde um tem que ganhar e outro perder. Urge dizer que alguns períodos da história foram reintroduzidos com todo o altruísmo que o ser humano fosse capaz, criando assim um período de imensa complacência, fora esse o período do romantismo, onde as pessoas estavam cansadas de lapidar a razão, escolheram então outro caminho e se lançaram aos braços de um apogeu romântico.</p>
<p>Este modelo de sociedade não permeou por um longo periodo, pois o fato de as palavras de ordem serem sentimento, imaginação, experiência, anseio, não agradavam a todos, principalmente aos burgueses da época. Não se sabe se este era um modelo correto para se seguir, se é que se sabe qual seja, a meu ver seria aquele onde todos tenham as mesmas oportunidades, onde uma pessoa não tenha os seus direitos naturais<sup>2</sup> expropriados por um sistema, onde as pessoas tenham o direito de serem guiados pelos sentidos. O fato é que após este período marcado pelo apogeu dos sentimentos, o desenvolvimento urbano foi paradoxal a tudo o que o romantismo quis mostrar, a civilização se desenvolveu de forma exponencial, seja pelo lado demográfico, onde houve uma demasiada explosão, seja pelo avanço técnico &#8211; cientifico tendo o progresso tecnológico inerente ao desenvolvimento, que muitas vezes nos auxilia em nossas vidas, como muitas vezes nos atrapalha, sendo uma forte herança da razão do ser humano, onde ela sufoca qualquer sentimento, onde a forma analítica de ver o mundo é igual dois mais dois são quatro. Cumpre dizer que o avanço marcado pela razão trouxe para os dias de hoje muitos meios que auxiliam a vivência cotidiana, por outro lado excluindo uma maioria que não pode ter acesso nem a uma alimentação digna, nem a um dos mais preciosos elementos da natureza que é a água, essencial para a sobrevivência na terra e fonte de dignidade para os seres vivos.</p>
<p>Torna-se necessário avaliar o modelo no qual escolhemos para viver, cujas exuberâncias tecnológicas, materiais, não se remetem a todos, sendo um avanço positivista para uma minoria. Não estou querendo me contrapor a todos os avanços da ciência ao longo do período, nem mesmo a todas as benevolências que ela proporciona, por outro lado queria questionar se realmente o progresso do conhecimento leva a melhores condições de vida?  Salienta ainda colocar sobre questão qual seriam as condições para uma mudança do status quo<sup>3 </sup>no qual se vivem um bilhão de pessoas passando fome e com falta de água potável. Como ano de eleição no Brasil, cabe a nós, cidadãos eleitores, sujeitos ativos e condicionados no saber democrático, escolher o que realmente queremos para o futuro de nosso país, um futuro democrático e justo em todas as esferas, um futuro de cooperação, de respeito, um futuro onde as classes dominantes não somente queiram expropriar o suor do trabalhador, mas também dar-lhes condições para uma vida digna e ética, uma sociedade onde não somente os cidadãos sejam livres, mas onde o sejam dignos de ser.</p>
<p><sup>1</sup> pathos: Sentimento, capacidade de simpatia e empatia</p>
<p><sup>2</sup>direitos naturais: os que estão em nossa essência de seres humanos, confrontando com quaisquer leis impostas pelas “nações”</p>
<p><sup>3</sup> statu quo: é uma expressão<span style="text-decoration:underline;"> </span><a title="Latim" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim">latina</a> que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for</p>
<p style="text-align:center;">Gustavo G. Sanches</p>
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		<title>Agricultura, produzindo alimentos ou capital?</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 02:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Góes</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_305" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/03/beneficial_herbs_vasilisa_the_beautiful.jpg"><img class="size-full wp-image-305" title="Beneficial Herbs (Vasilisa the Beautiful) Nicholas Röerich" src="http://penseverde.files.wordpress.com/2010/03/beneficial_herbs_vasilisa_the_beautiful.jpg?w=500&#038;h=325" alt="ervas benéficas Nicholas Roerich" width="500" height="325" /></a><p class="wp-caption-text">Nicholas Röerich - Beneficial Herbs (1941)</p></div>
<p>Durante as décadas de 1960 e 1970 países até então menos desenvolvidos, como o Brasil, passaram por um período conhecido como revolução verde. Este se define como a difusão de tecnologias para a agricultura, como por exemplo, maquinário, novas sementes e produtos químicos para combate à pragas. Anos mais tarde, outro grande marco na agricultura foi o desenvolvimento dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM). É importante assinalar que tais acontecimentos transformaram o mundo em que vivemos. Se por um lado uns defendem que a agricultura pode então aumentar exponencialmente sua produção e alimentar a demanda que também vinha crescendo, por outro lado essa nova agricultura proporcionou a concentração de terras e o êxodo rural, culminando no aumento da miséria e exclusão social.</p>
<p>A revolução verde em nosso país teve ação direta do estado, haja vista que as instituições bancárias somente forneciam empréstimos com a apresentação, pelo agricultor, de notas comprovando o uso de adubos químicos e sementes produzidas pelas multinacionais. Vale ressaltar a dificuldade do agricultor que permanecia com suas técnicas tradicionais, pois não se concedia crédito a quem permanecia usando esterco e sementes “crioulas” nessa época. É de se verificar que tal conjuntura contribuiu para a expansão rápida dessas novas técnicas de produção agrícola, pois o argumento para o uso dos produtos químicos, herbicidas e inseticidas, era o de acabar com as pragas na lavoura. Sem dúvida que na época isso foi um grande atrativo, visto que percebeu-se no curto prazo a eficiência dos produtos, no entanto, verificou-se posteriormente que essas pragas se adaptaram aos “venenos” e se tornaram cada vez mais resistentes, acarretando na necessidade maior do uso dos defensivos químicos.</p>
<p>Nessa esteira, verifica-se que os agricultores conseguiram resultados positivos na produção. Dados apontam que nas duas últimas décadas do século XX a produção agrícola brasileira dobrou. Entretanto essas conquistas deixaram muitas externalidades<sup>1</sup>, sobretudo do ponto de vista ambiental. Em outras palavras, o uso dos venenos mata não só os organismos daninhos à lavoura, eles intoxicam a microfauna<sup>2</sup> que forma a matéria orgânica do solo, e por conseguinte são incorporados na teia alimentar do determinado agroecossistema, além de serem escoados para os rios. Como se depreende, o uso de elementos químicos industriais na agricultura não pode ser analisado apenas pelos ganhos produtivos, mas devemos considerar os impactos ambientais, pois cedo ou tarde o próprio agricultor sofrerá com o desgaste do solo e o surgimento de novas pragas.</p>
<p>Em resposta as mazelas ambientais produzidas pela agricultura química, cresce no mundo todo a agricultura orgânica, no Brasil dados apontam nos últimos anos que o mercado de orgânicos vem aumentando anualmente de 25% a 50%. O cultivo orgânico consiste não só no não uso de agrotóxicos, mas, como define a FAO<sup>3</sup>, é um sistema holístico de produção que busca a melhora e a qualidade do agroecossistema, dos ciclos biológicos e visa manter a atividade biológica do solo.</p>
<p>A despeito do crescimento do cultivo orgânico verificado, ele se concentra mormente em pequenas e médias propriedades. Paradoxalmente, os grandes latifúndios se especializaram em monoculturas para a produção sobretudo de grãos. Paralelamente a essa tendência foi que grandes multinacionais investiram pesado no desenvolvimento dos OGMs. Estes consistem no resultado de alteração, por meio de alta tecnologia, de trechos do DNA de determinado organismo. Exemplo claro dos OGMs são sementes desenvolvidas para tolerar o uso de herbicidas, ou seja, o agricultor que opta por esse mecanismo fica obrigado a comprar a semente e o herbicida da mesma empresa. Como podemos observar, do ponto de vista econômico essa nova forma de agricultura pode se tornar um tiro no pé do agricultor, pois ele fica totalmente dependente da empresa que produz as sementes.</p>
<p>Tomando com exemplo a produção de soja, a empresa multinacional Monsanto apresenta grandes resultados em ganho de produtividade, por conta disso a empresa detém o domínio quase total do mercado de países grandes produtores de grãos no mundo, como os EUA e a Argentina. No Brasil a empresa já tem a fatia de 60% do mercado. É sem dúvida uma empresa de sucesso, no entanto é um grande risco para o mundo o domínio da produção de alimentos em mãos de poucas pessoas. Como exemplo disso, podemos citar o aumento de 26% nos royalties, no ano de 2009, das sementes de soja transgênica da Monsanto, a Soja Roundup Ready ou Soja RR. Cumpre observar que esse aumento de custo não fica apenas para o produtor, haja vista que a soja faz parte de inúmeras cadeias produtivas, o que acaba encarecendo a refeição de muitos de nós.</p>
<p>Outro aspecto importante em relação aos OGMs é sobre a incerteza de possíveis males que possam causar ao ambiente. Enquanto os alimentos vegetais que tivemos até pouco tempo atrás, foram resultado de longo tempo de evolução natural e também da melhoria de sementes crioulas por escolhas dos agricultores, em tempos atuais, num curto espaço de tempo nossa civilização vem alterando genes e criando organismos novos com muita rapidez.  O reflexo de toda essa mudança na produção de alimentos do ponto de vista ambiental pode ser positivo ou não, essa é uma incógnita pois governos liberam o cultivo e comercialização dessas culturas sem o requerimento de resultados satisfatórios em pesquisas. Acrescenta-se que no Brasil não existem regras claras a respeito da rotulagem de alimentos transgênicos, isto é, em nosso almoço possivelmente consumimos alguma refeição alterada geneticamente e nem ao menos sabemos se isso pode interferir em nossa saúde e na de nosso ambiente.</p>
<p>Como remate cumpre dizer que assim como em outros setores da economia, na agricultura se consagra atualmente o estabelecimento de grandes corporações como as detentoras e fornecedoras de tecnologias, sobretudo na produção de grãos. Entretanto, percebemos a sensibilização e atitude de pequenos agricultores para com métodos de produção mais cuidadosos com a terra, e consequentemente com o processo da vida. Vale dizer ainda que além de ganhos ambientais, o processo de produção orgânica pode servir como emancipação de comunidades agrícolas, que podem se unir e explorar nichos de mercado que estão crescendo a cada dia, inclusive com apoio de iniciativas governamentais.</p>
<p style="text-align:right;"><strong>Gustavo Góes</strong></p>
<p><sup>1</sup> fator econômico não inserido no custo de produção e que provoca alterações no mesmo;</p>
<p><sup>2 </sup>animais microscópios;</p>
<p><sup>3 </sup>organização das nações unidas para agricultura e alimentação.</p>
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