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Archive for setembro \29\UTC 2009

Claude Monet - A Primavera (1886)

Claude Monet - A Primavera (1886)

 

É chegada a primavera, época do ano em que floresce a esperança, depois de vencido o inverno. Quão formosa esta conjuntura que dignifica as flores, onde até mesmo em nossas cidades cinzentas a visão humana consegue perceber uma centelha da estação, que através de vigorosas plantas que enfrentam o betume e a fumaça, ainda consagram a chegada do calor oferecendo-lhe as cores. Oh seja bem vinda primavera! Que possamos no seu ímpeto redescobrir nossos sentidos que tanto deixamos de usar.

Admirável estação, que o vento que traz o pólen e leva os pássaros nos empurre para fora de nossas ‘grades’, para que saibamos laborar apenas o necessário e desfrutar inteiramente o significado do adjetivo ‘caloroso’ que fizeste surgir. “Bendito aqueles que nunca leem jornais”, diz Thoreau, “pois verão a natureza e, através dela, Deus.” Que sandice alguns docentes estimularem o culto desenfreado à informação, mal sabem onde está o conhecimento que leva à sabedoria. Sejamos gratos às manhãs e tardes primaveris, e às noites convidativas ao luar. “Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio de livros,” conforme Nietzsche “o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (…).”

Oh! Eternidade que se faz presente, como são belas as pessoas que fazem desse mundo o seu céu, consagrando o bem viver; colocam o trabalho no seu devido lugar, podendo regozijarem com suas famílias e amigos o que a natureza os oferece. Possamos nesta primavera encontrar essa virtude.

Gustavo Góes

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'' O Expressionismo de Edvard Munch - (1863 - 1944)''

Imagem: O Grito  – Edvard Munch (1863-1944)

 

Na mitologia grega entende-se Caos (do grego Χάος) como a primeira divindade a surgir no universo, sendo o mais velho dos deuses, atribuindo em seu conjunto desordem e confusão. Corrobora o fato de ser de complexo o entendimento mitologico. Avançando na linha do tempo, desde o surgimento do universo até os dias atuais, o caos se mostra muito presente, associado com algo que não está caminhando conforme deveria, como algo malévolo.

 Com a atual situaçao planetaria um bom aprendizado é reaprender com nossos ancestrais, analisarmos suas açoes perante a Terra (Tellus). No período Paleolítico (Idade da Pedra Lascada) da história, nossos ancestrais veneravam sua Mae Terra (Tellus) com imensa exaltação, à admiravam como uma flor que esperou uma longa jornada até chegada hora de florescer, existia um profundo sentimento de compaixão e convivio homem-natureza. Passando este período, a evolução nos trouxe para o Neolítico (Idade da Pedra Polida) onde o Caos novamente haveria de ressurgir das entranhas do obscuro. Este periodo da historia foi marcado pela razão analítica-instrumentalista onde o homem começou a desenvolver instrumentos, ora para auto-sobrevivência, ora facilitar a vida com para cada outro e para com o planeta, formando um bem-estar planetário. Mas o que ocorreu fora o oposto escravizando ainda mais os seres humanos, visando a produção em massa. Urge citar que com este avanço, cada vez mais os seres humanos se desentretiam da natureza, fugindo do ciclo natural de todos os seres vivos que são formados por comunidades, aí cria-se as sociedades.  Com este breve resumo da evolução racional dos seres humanos, pode-se notar que a inteligência nos difere de qualquer outro ser vivo, basta olhar ao seu redor e notará que somente a evolução jamais construiria edificios, colocaria refrigeradores dentro de nossas casas e outras demais provas da inteligência do ser humano.

 Não nos distanciando dos outros organismos vivos existentes, estamos numa busca perene pelo equilibrio, em constante flutuação de um ciclo planetário, passando por eras do fogo, da água e  glacial. Exemplificando as fases da Terra, estamos nós nos dias atuais acelerando um processo natural, adiando ciclos naturais. Com a industrialização crescente devemos ser simbiontes*, trabalhar em cooperação natureza-homem-máquina, não se submetendo as máquinas, mas sim trabalhando em harmonia para uma vida melhor. Devemos cada vez mais alimentar utopias, acreditar em um mundo melhor, caso contrario, nos tornamos vitimas da massa governante que usam o poder para seus próprios interesses, devemos sim almejar uma sociedade melhor. Devemos aprender com nossos ancestrais, com as ciências empíricas, usar um tempo de caos para uma nova ordem, onde a harmonia reinará, onde não haverá muralhas intangíveis ao longo dos caminhos, onde a convivialidade contemporânea emergerá com seu real significado visando combinar o valor técnico de produçao material com o valor etico da produção social-espiritual.

 * simbiontes, ser que faz simbiose, beneficiando-se mutuamente, referindo-se no texto a fim de fazer simbiose com a máquina, mas não para se submeter a ela, e sim trabalhar em harmonia com ela, melhorando a qualidade de vida planetária.

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Henri Matisse -  A Dança (1910)

Henri Matisse - A Dança (1910)

Dias atrás pessoas debatiam próximo a mim sobre a possibilidade de um mundo melhor, um era fundamentalista religioso que vive na sua comunidade tranquila respeitando seus irmãos e as coisas da terra, era cético em relação a um mundo melhor fora das suas crenças; o outro era um jovem cheio de vitalidade para fazer que suas atividades tenham o propósito do bem comum. Ouvi dizer numa certa vez que as duas coisas que apequenam a humanidade são a dúvida e o complexo de inferioridade, teria o segundo rapaz sucesso em sua peleja no mundo cheio de insensatez, a buscar dias melhores?

Como se há de verificar, o pessimismo do religioso talvez possa ser explicado por vivermos num mundo cheio de oprimidos e vilipendiados, e para personificar essa situação não se pode deixar de citar a economia como grande responsável pelas mazelas atuais. Essa ciência surgiu para suprir as necessidades humanas através do fluxo de mercadorias, no entanto é só ligar o noticiário ou ler o jornal que se percebe que quase tudo é quantificado economicamente. Em vez de uma ciência que se atenta na sua principal função, ela encontrou no modelo capitalista a oportunidade da construção de pirâmides, isto é, sociedades hierarquizadas que com a orientação organizacional cartesiana de Taylor*, potencializou a exploração da terra e dos povos da terra, estabelecendo como abissal a distância do cume da pirâmide, onde estão os que detêm a tecnologia, conhecimento e capital, até a base que fornece os recursos e o suor para a geração do material econômico. Saliente-se que em toda essa conjuntura, disfarçada e conhecida como crescimento, ainda há espaço para a ilusão da filantropia barata na qual, salve raras exceções, esposas de altos executivos se gabam com suas fundações que fornecem os restos de sua classe, ou talvez alguns % dos seus contracheques, resultando na missão cumprida do seu ego, publicidade do seu sobrenome e no rebaixamento de quem os recebe, pois o sistema continua a “todo vapor”, ricos mais ricos e pobres buscando seu lugar ao sol, criminalizados na mídia por invadirem terras ou excluídos da mídia os milhares de escravos existentes.

Ufa… Esse é o mundo, será possível melhorá-lo? Essa dúvida já não cabe, é tarde para ser pessimista, é PRECISO melhorar o mundo! Alguns acham utopia, quiçá um sonho, muitos melhorarão o mundo pelo medo das previsões da pobreza, dos refugiados climáticos e da insegurança, outros pela esperança da salvação numa outra vida, a questão é que o mundo melhor só se pode melhorando a nós mesmos, a chamada revolução molecular, fazendo o bem com gratuidade, não o reduzindo a atos isolados de fim de semana, mas sendo o bem, eterno ao ponto de se expressar na forma involuntária.

O mundo é uma grande rede, tudo está interligado e o bem nunca será solitário. A única coisa construída de cima para baixo é o poço, o mundo melhor surge nas atitudes de cada um, através da nossa alegria que se contagia, respeito, gratidão, consumo consciente, enfim, da humanidade. Por tais razões surge a pergunta: Você está melhorando o mundo?

*Criador da administração científica, caracterizada pela especialização das tarefas.

Gustavo Góes

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Muito se fala sobre a consciência no período em que vivemos, seja ela em todas as formas, abrangendo um todo. O fato é de que estamos vivenciando um caos de consciência começando em nossos governos, avançando para os cidadãos comuns e levando este caos para consciência da natureza, que ultimamente tem-se demonstrado um tanto quanto inconsciente. Esta como principal abordagem do tema que leva a sociedade para uma inflexão perene de seus atos sobre o planeta Terra.

 Como já se pode ter uma noção da idade do planeta Terra que estima-se em 4 bilhões e meio de anos, este planeta presenciou momentos cataclísmicos extinguindo varias formas de vida e sendo que nós, seres humanos, estamos apenas fazendo parte de mais uma era das muitas que estão por vir de uma serie de organismos que passaram por aqui. Nenhuma espécie avançou tanto como nós, avanço este marcado pela ciência, tecnologia, uma serie de demonstrações da imensa inteligência dos seres humanos como totalidades auto-reguladores, auto-organizadores, auto-reprodutores vivendo um para cada outro no sentido de reproduzir, ao contrario das maquinas que vivem uma para outra. Paradoxalmente emergindo uma inconsciência planetária de divisionismo, marcada pela hierarquia sobreposta por nós. Em todas as outras formas de vida não existe hierarquia, segue um exemplo, imagine uma sequóia com seus oitenta metros de comprimento, sendo observada por nós, e a comparamos com um carvalho, muito menor proporcionalmente que a sequóia, imaginemos que a sequóia com seus status de grandiosidade tem-se o domínio sobre o carvalho, entretanto o carvalho é muito mais avançado na escala evolutiva, devemos observar que na teia da vida cada espécie desenvolve seu papel, sendo que não existe hierarquia entre os organismos vivos.  Em sociedade e ecologia de Murray Bookchin ele demonstra claramente como estamos em uma sociedade que se opõe a natureza, causando conflitos a Gaia com o pensamento obsoleto de domínio, como um objeto. Pondera-se também que a inconsciência parte de algumas premissas religiosas, as pessoas cada vez mais crêem num futuro definido, não há mudança de hábitos, mudança de pensamentos, porque com a crença religiosa tudo esta definido, devemos fazer parte desta mudança de paradigma para que conciliamos esta maravilhosa criação com seu criador.

 Dever-se-ia mais preocupação dos educadores em trabalhar este tema com seus educandos, como dizia Pitágoras “Educai as crianças, assim não serás necessário julgar os adultos”. Todos nascemos com uma boa consciência, aprimorado-a quando crianças é possível que nos tornamos adultos de dignidade e respeito. Deve-se esclarecer que a entropia que se manifesta na educação em nossa sociedade encontra-se nos governos, dando prioridade para investimentos capitalistas onde o mundo se encontra em uma crise climática. Colocando em questão que os seres humanos são auto-determinantes e cada um escolhe seu caminho, não podemos deixar de citar que para alguns o caminho já esta definido, como citado acima, sendo assim, a escolha mais fácil seria o caminho da inconsciência.

 Devemos compreender onde é o espaço da humanidade no planeta terra, respeitando todas as formas de vida, exercitando propósitos conscientes, vivendo em harmonia, porque pode-se fugir de todos os problemas exteriores, mas da consciência não se pode escapar, traçaremos muitas batalhas para nos tornar autoconscientes. Segue abaixo trecho da carta do chefe indígena Seattle para reflexão.

 Isto sabemos, todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família….

Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra, O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz a teia, faz a si mesmo.  Chefe  Seattle

 

                                                                                 Gustavo G. Sanches

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