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Archive for outubro \20\UTC 2009

Um grito de Liberdade

Claude Monet - soleil levant - 1872

Claude Monet - soleil levant - 1872

 

Perante a constituição da vida somos seres livres como os pássaros, voaríamos sem destino sendo beneficiados somente pelo vento que sopra demasiado.  Quão bom alimentar uma utopia desta nos dias de hoje, onde gradativamente a sociedade nos impõe barreiras tangíveis e intangíveis ao longo de nossos “vôos”.

 Cumpre enfatizar que muitas vezes essas barreiras não são perceptíveis, mas acabam nos manipulando, não nos dando direito de opinião, de escolha, até mesmo de opção, sendo que somos dominados pelo monopólio vigente. Fazendo uma analogia com os pássaros, que definitivamente são seres livres, pensemos o seguinte: Como podem os pássaros cantar, quando seus arvoredos estão sendo cortados? Como pode o homem ser livre sendo que a sociedade o reprime e o manipula perpetuamente?

 No começo de nossa existência éramos limitados somente pela Terra, pelo Oceano e pelo Céu, não havia guardas de fronteira, nem funcionários de alfândegas, éramos atraídos pela curiosidade de explorar novos horizontes. De fato no mundo contemporâneo os temidos exploradores já se aposentaram há algum tempo.

 A sociedade contemporânea não aprendeu muito com nossos antepassados que tinham tanto para nos ensinar sobre seus conhecimentos telúricos, preferimos usar a tecnologia como um fim, visitando lugares pela internet, se apaixonando pela internet, usando somente a razão, deixando de lado o “pathos” do ser humano, que é o sentimento, a capacidade de simpatia, dedicação, quando na realidade deveríamos usá-la como um meio, nos ajudando a interagir para o bem e futuro comum. Não sentimos mais a grama molhada de orvalho pela manhã, e sim o asfalto cinzento refletindo a vida que nós levamos. As barreiras que muitas vezes não percebemos é que nos distancia da natureza, levando em conta que o ser humano é parte e parcela da natureza, nós devemos co-existir com ela, interagindo com uma visão holística de mundo e não nos fechando em nossos mundos dissipados.

 Esta nova ótica para a sociedade se define na mudança de ética, tanto política, educacional, quanto econômica, deve-se mudar o pensamento de que tudo na natureza vira produto, e de que este produto deve ser linearmente descartado, devemos aprender que estamos na Terra com o mesmo propósito, independentemente de credo religioso, nacionalidade, etnia, etc. O mundo que habitamos não é nada alem de um ponto no espaço e ainda assim fomos privilegiados com a Vida, devemos desfrutá-la intensamente, mas não somente de maneira racional e sim emocional, temos que aprender a contemplar as coisas simples da vida, de contemplar nosso papel na Terra, olhar para uma cachoeira e naquele momento sentir que numa intricada rede de relações nós somos parte dela, e nos sentir livre, fora de qualquer pensamento na escala lógica.

 A liberdade nos será concedida no momento em que aprendermos onde é nosso lugar na Terra, co-existindo com a natureza como um todo, deixando de lado nosso individualismo e assim talvez conseguiremos ser livres como os pássaros.

 

                                                                                  Gustavo G. Sanches

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Candido Portinari - Os Retirantes (1944)

Candido Portinari - Os Retirantes (1944)

A vida inteligente em nosso planeta conseguiu recentemente mais um feito, alcançamos já em 25 de setembro o uso dos recursos naturais necessários para o ano todo. Essa marca é contabilizada pela Global Footprint Network levando em conta os recursos para atender as demandas humanas, não só alimentação como também todo tipo de produto e serviços com suas respectivas energias utilizadas. É de se ressaltar a importância desse dado já que estamos extraindo mais do que Gaia nos fornece.

Para entendermos melhor essa conta negativa, basta olharmos os desequilíbrios diários que a natureza sofre. O grande exemplo é o aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, este gás é essencial para a vida na Terra, no entanto após a Revolução Industrial vem sendo emitido de forma exponencial pelas atividades humanas, sendo um dos principais gases que acarreta no aumento do efeito estufa, consequentemente o que conhecemos por mudanças climáticas. Tal desequilíbrio é o mais alarmante e por isso mais presente na mídia comum, entretanto convém ressaltar que pagamos a conta do uso superior dos recursos também com a poluição hídrica, desertificação, perda da biodiversidade, entre outros. Cumpre observar que toda essa conjuntura deverá refletir em inúmeros desastres ambientais num futuro não muito distante.

Vale dizer que dias atrás a ONU apontou que em 2050 dever-se-á produzir 70% mais alimento que hoje para atender a população mundial naquele ano. Mesmo sabendo de tais previsões e já com mais de um bilhão de indivíduos passando fome pelo mundo nossos lideres ainda insistem no ‘’crescimento’’ econômico, num modelo excludente e que trata a miséria e a degradação ambiental como externalidade. Talvez a humanidade esteja corrompida pelo pensamento positivo pregado nos atuais livros de auto-ajuda, podemos estar imaginando que a tecnologia evoluirá ao ponto de produzir alimento para o mundo com condições cada vez piores, ou ate mesmo colocamos esperança de encontrar outro planeta habitável no universo para nos transportar. Tomemos cuidado com a crença de que o pensamento positivo sozinho possa nos trazer o bem, lembro a filosofia estóica que coloca como mister a preparação para os males, convém assinalar que ela aborda essa questão diferenciando os males inevitáveis dos que estão ao nosso alcance. Os primeiros, segundo os estóicos, sem dúvida não devemos tê-los em preocupação devido à falta de autonomia diante de tais acontecimentos, é o caso da morte, por exemplo, pensamentos amargos a respeito só nos trará infortúnios. Entretanto outros males podemos levar em consideração e nos prepararmos melhor para enfrentá-los, isto é, aqueles quais podemos ter controle.

O que pretendo elucidar com as considerações acima é que levemos a sério o uso de nossas fontes da vida, esse estresse que estamos causando no ambiente reflete na miséria atual dos países pobres e com o passar dos tempos cada vez mais pessoas serão atingidas pelas mutações de Gaia. É importante que estejamos preparados para esses males, assim como se faz indispensável saber que os famintos do mundo são um problema evitável, ao pararmos de consumir mais que o necessário estaremos contribuindo para que mais pessoas tenham acesso a alimento.

Gustavo Góes

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Bilateralidade universal

vicent van gogh - noite estrelada 1889

Imagem: Vicent Van Gogh – Noite Estrelada 1889

 

Rumo à cúpula da ONU que será realizada em Copenhagen, o tão noticiado COP 15, conferência sobre mudanças climáticas que ocorrerá em dezembro, sendo que governos do mundo todo decidirão um futuro para as mudanças climáticas, onde os líderes de todas as partes se encontram em uma bifurcação, tendo um só caminho como destino certo. Esta bilateralidade acompanha a humanidade desde o seu surgimento, criando-se sempre os “dois lados da moeda” a fusão da matéria com a não conhecida anti-matéria criou-se o universo, e se estendendo por toda a estória planetária nos deparamos com os dois opostos.

Por um lado a tarefa dos representantes da conferência pode-se basear no mesmo do mesmo, mantendo um modelo de capitalismo insustentável para com a existência da vida na Terra, e por outro, transcender para um modo-de-ser-cuidado, cuidando da casa comum, buscando uma dimensão ontológica do ser humano, replanejando nossas políticas atuais, tendo como base para uma sustentabilidade planetária, os ecossistemas, que em seu modo-de-ser vivem em ciclos, o que é resíduos para uns, é alimento para outros, outro ponto importante de citar é a dependência do Sol, sendo que nós podemos e temos oportunidades obviamente discutidas de usarmos energia solar, abandonando a queima de combustíveis fósseis.

 

Poucos são os que estão visando seguir um caminho diferente, entretanto, a situação não lhes deixa muitas opções, sendo que as recentes pesquisas sobre o impacto humano a Terra tem trazido dor de cabeça a muitos que almejam deixar de herança para seus filhos e netos o mundo com as mesmas oportunidades com a qual lhes foi entregue. O aquecimento global é uma ameaça visível, principalmente no Ártico, onde o degelo está em um acelerado processo contínuo, não obstante a isso, urge citar muitos outros problemas que o aquecimento global causa a Terra, a acidificação dos oceanos, a desertificação levando a fome a milhares de pessoas, o aumento do nível do mar trazendo milhares de migrações climáticas, entre inúmeros outros, colocando em risco toda a fauna aquática, terrestre e nós seres humanos. Não faltam sinais de alerta, e para trilhar o rumo certo se deve também integrar uma sinergia ecológica, somando esforços para suprir nossas reais necessidades.

 

O ser humano como ser pensante, homo sapiens, na definição homem sábio, tem a capacidade de auto-percepção, o saber do saber, sendo assim, espera-se que o caminho certo seja colocado em pauta, criando uma convivialidade harmônica entre homem-Terra, investindo em energias limpas, híbridas, deixando de lado a dependência dos combustíveis fósseis e resgatando os arquétipos dos seres humanos que foram esquecidos no inconsciente. Conforme dizia Thoreau “Falais do céu, vós que degradais a Terra”, pondera-se dizer que para voltarmos nossos pensamentos ao céu, devemos primeiramente ter o cuidado necessário a Terra.

 

                                                                                                           Gustavo Sanches

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