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Archive for novembro \23\UTC 2009

Salvador Dali - Árvore Livro

Muito se fala da era em que vivemos como a da sociedade da informação, momento que acompanhamos com grande alarde o lançamento de novos aparelhos tecnológicos com o slogan implícito de que irão “melhorar” nossas vidas. Contribuiu para se chegar nesse ponto o surgimento da TV, que comumente é chamada de meio de comunicação, mas não o é, pois não estabelece a troca de informações, mas apenas a emissão e transmissão da informação. Por outro enfoque, esse meio de informação avassala a capacidade crítica de quem o utiliza, pois o telespectador se torna apenas um sorvedor de mensagens, perdendo sua autonomia e se permitindo a passividade.

Tendo como exemplo o Brasil, suas políticas de concessão para os meios de informação permitiram à apenas poucos grupos privados a transmissão pela TV. Estes grupos se estabeleceram através da cooperação com o mercado e são hoje responsáveis pela tirania particular, termo que, conforme o célebre linguista Noam Chomsky, explica o domínio e influência da informação na posse de grupos elitizados, leiam-se grandes emissoras e grandes empresas.

É importante assinalar que os telespectadores dos canais abertos são os mais prejudicados, devido à baixa qualidade da programação, no entanto, não nos enganemos de que um pacote de TV paga vai nos libertar. A diferença é que em vez de se achar um participante na vida política ao ver o sisudo apresentador do telejornal divagar sobre acontecimentos políticos; se estará achando naturista ao ver o National Geografic ou um esportista ao ver a ESPN. Em todos os casos se será um mero espectador passivo, sujeito aos fantoches dentro daquela caixa preta que lhe fornece realidades distantes e não-dialogáveis.

Em virtude dessas considerações, retomo a diferença entre comunicação e informação. Esta última pode nos ser útil de muitas formas, mas saibamos filtrá-las para que não nos tornemos míopes em relação ao que realmente nos importa. O mundo que vivemos é criado através da linguagem, à medida que tecemos uma teia lingüística, nós coordenamos nossos comportamentos e juntos criamos nosso mundo, sendo este, um mundo de cooperação em suas formas mais simples (diálogo entre os familiares) até as mais complexas (participação democrática; trocas de energias e de recursos num ecossistema). Com a sublime emancipação da TV, estamos nos tornando seres individualistas, criando mundos individuais, se afastando cada vez mais de nossa essência como ser humano, que é a cooperação linguística, a interação entre os indivíduos; e também na relação com a natureza, que se esforça ao diálogo que na maioria das vezes não estamos dispostos.

A distância da TV* nos dará oportunidade para pensar, assim encontraremos a humanidade presente em cada um de nós, e que acionará as virtudes para a construção do bem-viver.

Gustavo Góes

*A música Teatro dos Vampiros (TV) da Legião Urbana teve sua letra escrita por Renato Russo possivelmente em alusão a TV, relacionando-a aos problemas da época.

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