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Archive for dezembro \24\UTC 2009

Boas Festas

Com o término de mais uma Conferencia das Partes sobre Mudanças Climáticas, COP15 realizada entre 7 e 18 de dezembro em Copenhage, pode-se notar um eufemismo dentre os principais chefes de estado. Diante de muitas opiniões divergentes, necessidades divergentes, o resultado foi mais uma vez uma dicotomia entre economia e ecologia, sendo que economia enfatiza competição, expansão, dominação e ecologia enfatiza os princípios básicos da vida como, cooperação, conservação e parceria. Muitos estavam esperançosos com os resultados, esperando assim uma aliança de cooperação entre os paises ricos e os paises pobres, mas de fato os tecnocratas lá presentes não conseguiram sentir o risco a qual colocamos nosso futuro comum.

Cooperação se resume como um dos princípios básicos da ecologia sendo que nenhum organismo individualmente consegue prolongar sua existência, pudera as siglas COP significar Cooperação, uma reunião onde as pessoas visassem o todo e não somente seus interesses pessoais, pudera os chefes de estado sentirem que tomaram a decisão errada em somente analisar o lado econômico da situação e não realmente a gravidade do assunto que estava sendo discutido. Mesmo com todos os conhecimentos sobre os trágicos fins que possa ocorrer caso o planeta esquente dois graus, cumpre dizer que com nosso modo de produção e consumo, assinamos o contrato de uma catástrofe ecológica, antecipando o trabalho que um dia iria ser realizado pela nossa principal fonte de existência, o sol, que em alguns bilhões de anos irá nos engolir, pode-se ver que nossa extinção é uma coisa certa, outrora adiantar um processo natural pela ganância da minoria é agônico.  Os gases causadores do efeito estufa se excederam há algum tempo, e a culpa, a culpa é disputada entre o Oriente e o Ocidente, algures no ocidente há de se ter culpados, algures no oriente há de se ter culpados, sendo assim, a culpa é de todos nós, que somos desde crianças inicializados nesta sociedade de consumo, onde insistimos em ter um entrosamento homem a homem, e deixamos de lado o entrosamento homem natureza, sendo a natureza em nosso meio e o homem se adaptando a ela de forma que não a prejudique e sim co-exista harmoniosamente.

A cúpula de Copenhage teve seu trágico fim, os chefes de estado retornaram a suas nações, para suas respectivas luxurias, enquanto os paises pobres que são os principais afetados pela ganância destes citados acima, irão presenciar o começo das trevas. O que se almeja agora neste clima natalino e de esperança para o ano posterior, é que para aqueles ainda bem esperançosos, sejam mesmo aqueles que esperam o Papai Noel neste natal, tenha-se um portentoso começo de ano, e que o clima natalino abram as portas do coração daqueles que podem definir o futuro de nosso planeta e coloque muita luz em suas decisões.

Gustavo G. Sanches

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Tarsila do Amaral - Antropofagia (1929)

Nós seres humanos, bem como todas as outras espécies existentes, somos organismos dependentes de energia externa, e essa energia só se disponibiliza devido a intrincadas relações existentes entre outras espécies. Para ter isso claro, até mesmo a síntese da energia solar pelas plantas só é possível devido à interferência das bactérias há bilhões de anos atrás, quando somente elas existiam, que foram responsáveis pela alteração da composição química da atmosfera, fato que regulou a temperatura do planeta e possibilitou a emergência de novas formas de vida. Como se depreende, somos todos seres interdependentes. Mas esse fato não é algo pejorativo, do contrário, isso é a cooperação que assegura a vida. Por outro lado, tem-se que nossa espécie está a cada dia se tornando dependente de coisas criadas por nós mesmos; sistemas econômicos, TV, automóveis, medicina e até mesmo escolas são algumas dessas coisas que tiram a autonomia do ser humano.

A autonomia é a capacidade de tomar suas próprias decisões, uma peculiaridade que nós humanos temos por possuirmos a razão. Seria também uma variante de uma condição que se vê muito requisitada por povos ou nações colonizados, a liberdade, mas a autonomia é muito mais do que se libertar das amarras de um colono. Importante se faz realçar nessa linha de análise nosso caminho percorrido, a saga de cidadão “livre” começa cedo, como crianças ainda temos a ânsia e a grande energia de desvendar o mundo; nessa época somos levados a uma instituição que nos dará disciplina e regras, que nos guardará dentro de um espaço fechado que irá contrariar toda nossa espontaneidade. A escola dá a criança o quadro negro enquanto ela quer e precisa pisar na terra, subir na árvore e atravessar montanhas.

Como se percebe, a autonomia do indivíduo já é afetada desde pequeno. Tenha-se presente que alguns pensadores já lutaram e se posicionaram contra os métodos de ensino. Francisco Ferrer instituiu conceitos de pedagogia libertária, contrariando concepções de sua época criou sua Escola Moderna, mas foi executado pelo governo espanhol em 1909. Tivemos no Brasil um grande intelectual atuante em educação, Paulo Freire embora não fosse contrário as escolas, criticava, como ele mesmo dizia, a pedagogia bancária, sendo aquela que evidencia a diferença entre educador e educando, este sendo um mero depositário dos conhecimento do educador, sem poder haver discussão. Mas sem dúvida o grande crítico de instituições que atacam a autonomia humana foi Ivan Illich, este austríaco de currículo admirável teve na década de 1970 a publicação de obras pertinentes no que confere a temas da modernidade. Destaca-se: Sociedade sem Escolas (1971), Energia e Equidade (1974) e Nêmesis da Medicina (1975). Nestas três obras ele reuniu críticas às principais formas de expropriação da autonomia do ser humano. Ao abordar a educação, atacava a instituição escola, e defendia a educação informal como instrumento para o indivíduo exercer sua autonomia. Apontava o excessivo uso de energia como avassalador da liberdade do indivíduo, e nessa esteira elaborou o conceito de contra-produtividade, que é visível a nós diante dos transportes cada vez mais rápidos que em vez de soluções trazem mais problemas, percebemos isso nos engarrafamentos e acidentes. No caso da medicina ele aponta principalmente para a perda de conhecimentos tradicionais dos povos, que agora são extremamente dependentes de profissionais que se dizem conhecedores da saúde, além de que os sistemas médicos são extremamente dependentes de soluções criadas por grandes corporações farmacêuticas.

Após essas breves assertivas sobre a autonomia não é difícil imaginar como nossas decisões estão ficando cada vez mais distantes de nós. Convém assinalar que nossa espécie está se contentando apenas em decidir entre uma marca e outra dentro de um supermercado, ou então ter o controle dos canais de TV a assistir. Vale dizer também que os hábitos de lazer estão sendo direcionados aos centros de compra, situação acarretada pelo fato de nos sentirmos inseguros ou desmotivados em visitar um local natural ou alguma amenidade oferecida pelo poder público. É de ressaltar também que as ações do poder público estão menos voltadas ao cidadão do que ao setor privado, vê-se empenho na assistência à shoppings e não a praças e parques, corte de IPI e poucos investimentos em transporte público. Cumpre observar que estamos nos esbaldando da pseudo-autotomia, gerada através de um falso processo desenvolvimento econômico que além de gerar exclusão, cria uma ilusão de liberdade àqueles que estão inseridos no sistema produtivo.

Quiçá um dia possamos realmente nos desenvolver, não apenas na razão-técnica como temos hoje, mas sim de modo sistêmico, fluindo harmoniosamente o racional, emocional e espiritual. Assim então poderíamos escapar das paredes e valorizar a grande obra do Inefável, que nas coisas simples, as quais hoje desviamos o olhar, apresenta relações portentosas. Porém, vale dizer que para descobrir essas grandezas é preciso a liberdade para dialogar com a natureza. Essa habilidade que sempre foi cultivada sabiamente pelos autóctones, os povos nativos, que após noite de céu estrelado acordam com o sibilo dos pássaros e acompanham o despertar dos matizes reluzentes do nosso irmão sol. Infelizmente, nós, enquanto urbanos pós-modernos passamos a noite sob iluminação dissipativa e ineficiente que ofusca nossa visão para os corpos celestes, e nos faz enclausurarmos para na manha seguinte acordarmos com o eco dos pistões automotivos ou o atrito pneumático com o asfalto.

Gustavo Góes

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Salvador Dali - Premonicao

Define-se monocultura como uma cultura agrícola de apenas um tipo de produto, sendo esta, uma prática muito danosa ao meio ambiente, se cultivada em grande escala, pois foge dos princípios básicos da ecologia. A natureza ensina-nos demasiadamente sobre como viver em harmonia, e para esta convivialidade em sociedade, dever-se-ia molda-las segundo os ecossistemas naturais. Não obstante, com a prática da monocultura em larga escala estamos rompendo o elo com a teia da vida, que visa o todo e não somente extrair o lucro da natureza.

Com o avanço da globalização e a ascensão do livre comércio, gradativamente as empresas multinacionais avançam as fronteiras com suas franquias igualitárias em todos os aspectos, mesmas arquiteturas de arranha-céus, lojas de departamento, shopping center, emancipando-se através de todo o globo, há quem diga que num futuro próximo alcançará outros planetas. Entretanto, essa integração econômica resulta também no domínio cultural das sociedades, tendo vista que vivemos em sociedades heterogêneas existindo assim uma real divergência de valores a serem pensadas e estudadas, mas com a chegada dessas “redes de alienação” as cidades se tornam vitimas do monopólio transnacional.

Para criarmos um futuro, sendo o reflexo do que criamos em nossas mentes e aprendemos ao longo do tempo com nossos antepassados, somos dependentes de nossos legados culturais e assim construímos arquétipos, contraditoriamente, as denominadas “redes de alienação” manipulam toda a civilização, fazendo com que nós seres humanos sejamos seres pré-moldados, máquinas de consumir e produzir.

Cumpre enfatizar que a mente humana pensa com idéias e não com informações, sendo assim, pode-se haver uma fuga deste alienamento, provinda de nossas escolhas pessoais, mudanças de paradigmas, revertendo esta desordem e voltando a essência de ser pensante. Somos seres dotados da auto-percepção, discernimento do certo e errado, é de nossa natureza viver em mútua cooperação entre todos os seres, sendo que a razão em sua forma mais abstrata, não transcede nossa natureza animal e sim faz uso dela, assim a razão não é uma essência que nos separa dos outros seres vivos, e sim coloca-nos no mesmo nível deles.

Faz-se necessário uma visão holística nos dias atuais, devido a conjuntura descrita acima, tendo em mente toda nossa integridade com Gaia e com nossos co-habitantes, dando um fim nesta dicotomia onipresente, redefinindo nossos hábitos de lazer, consumo e convívio com a natureza.

Cabe a nós a escolha de retomarmos as formas de expressões culturais em busca de um bem-estar interior e exterior, direcionando nossas ações para longe da alienação.

Gustavo G. Sanches

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