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Archive for abril \27\UTC 2010

Tarsila do Amaral - Os Operários 1933

Um dos temas centrais entre toda a humanidade gira, sobretudo, entre a educação e a forma da qual ela é aplicada para a sua construção ou produção.  Vivencia-se o momento onde grande parte da população não tem acesso a educação, e muitos dos que tem oportunidades a terem uma educação condizente, abandonam os colégios, nem tentando ir para as universidades, não por falta de interesse dos mesmos, mas sim pela forma na qual os educadores tentam transferir os seus conhecimentos, acreditando assim que a educação é uma via de mão única onde somente eles ditam as regras e os educandos ir-se-ão padecer.

Dias atrás me deparei com esse paradoxo lancinante que ocorre a todo o momento em todas as IES (Instituições de Ensino Superior) de todo o globo: de um lado a docente tem muitos rótulos e méritos para estar ali e, de outro lado, a incapacidade de criar possibilidades para a produção do conhecimento, o orgulho de não querer reconhecer que quem ensina também aprende, de que não há docência sem discência, que o conhecimento é uma via de mão dupla, onde ambos irão progredir. Cumpre aí, repensar todo o desestimulo moral, intelectual, que docentes como a descrita acima, ocasiona na vida de muitas pessoas que se esforçam para fazer da sociedade um lugar mais justo e democrático. Como pensar numa sociedade democrática tendo um ensino fascista, ou você vai para a lousa fazer o exercício ou para a sala de tortura. Quão estimulante é este ensino querida docente, que não sabe nem ao menos pedir, mas sim mandar. Haja vista que a classe educadora é uma das mais brilhantes da humanidade, estimulando as pessoas para uma condicionante de vida melhor, proporcionando uma leitura de mundo através do ensino, quero aqui deixar claro o meu prestigio por todos os educadores críticos e cientes de sua função, mas não deixo de lamentar uma pequena parcela que entristece e desestimula a criatividade e a liberdade de escolha dos discentes.

De tal forma, constata-se que um ensino onde o educador queira ditar suas regras sobre um pedestal, querendo com isso se posicionar melhor que o aluno, encontra-se num paradigma pungente, que necessita de mudança e rápido, sendo assim, cabe aos professores insistir numa interação maior dentro de suas salas de aula, cabe também a eles uma flexibilidade, tendo em vista as divergências encontradas entre todos aqueles que fazem sua parte para o processo do conhecimento.

Por fim potencializa-se a educação como forma de promover e recuperar a ética do ser humano, quiçá um dia ter-se-ia ao menos um docente em cada curso que tenha lido Paulo Freire antes de entrarem nas salas de aula.

Gustavo G. Sanches

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The Rose - Salvador Dali

Desde o inicio das civilizações “pensantes” se travava uma ululante batalha pessoal e universal, baseada, sobretudo entre a razão e o sentir. Grosso modo, os homens/mulheres primeiramente desenvolveram a percepção como seus aliados para a sobrevivência diária, desfrutavam-se de seus instintos para todas as atividades, ora manuais, ora intelectuais. Um bonito exemplo vem de Sócrates, dizendo que mais inteligente é aquele que sabe que não sabe de nada, sendo assim só o conhecimento que vem de dentro é capaz de revelar o verdadeiro discernimento, ressaltando assim o valor de uma visão de mundo, de uma percepção dos sentidos. Dentre toda esta trajetória da humanidade até os dias de hoje é perceptível uma dicotomia entre a razão e o sentir.

Haja vista que as civilizações com o passar do tempo foram deixando o pathos1 de lado, desenvolvendo-se então como civilizações da razão, como civilizações que marcaram pela forma analítica de ver o mundo ao seu redor, com o intuito de produzir riquezas materiais, modelos de sociedades divergentes, onde um tem que ganhar e outro perder. Urge dizer que alguns períodos da história foram reintroduzidos com todo o altruísmo que o ser humano fosse capaz, criando assim um período de imensa complacência, fora esse o período do romantismo, onde as pessoas estavam cansadas de lapidar a razão, escolheram então outro caminho e se lançaram aos braços de um apogeu romântico.

Este modelo de sociedade não permeou por um longo periodo, pois o fato de as palavras de ordem serem sentimento, imaginação, experiência, anseio, não agradavam a todos, principalmente aos burgueses da época. Não se sabe se este era um modelo correto para se seguir, se é que se sabe qual seja, a meu ver seria aquele onde todos tenham as mesmas oportunidades, onde uma pessoa não tenha os seus direitos naturais2 expropriados por um sistema, onde as pessoas tenham o direito de serem guiados pelos sentidos. O fato é que após este período marcado pelo apogeu dos sentimentos, o desenvolvimento urbano foi paradoxal a tudo o que o romantismo quis mostrar, a civilização se desenvolveu de forma exponencial, seja pelo lado demográfico, onde houve uma demasiada explosão, seja pelo avanço técnico – cientifico tendo o progresso tecnológico inerente ao desenvolvimento, que muitas vezes nos auxilia em nossas vidas, como muitas vezes nos atrapalha, sendo uma forte herança da razão do ser humano, onde ela sufoca qualquer sentimento, onde a forma analítica de ver o mundo é igual dois mais dois são quatro. Cumpre dizer que o avanço marcado pela razão trouxe para os dias de hoje muitos meios que auxiliam a vivência cotidiana, por outro lado excluindo uma maioria que não pode ter acesso nem a uma alimentação digna, nem a um dos mais preciosos elementos da natureza que é a água, essencial para a sobrevivência na terra e fonte de dignidade para os seres vivos.

Torna-se necessário avaliar o modelo no qual escolhemos para viver, cujas exuberâncias tecnológicas, materiais, não se remetem a todos, sendo um avanço positivista para uma minoria. Não estou querendo me contrapor a todos os avanços da ciência ao longo do período, nem mesmo a todas as benevolências que ela proporciona, por outro lado queria questionar se realmente o progresso do conhecimento leva a melhores condições de vida?  Salienta ainda colocar sobre questão qual seriam as condições para uma mudança do status quo3 no qual se vivem um bilhão de pessoas passando fome e com falta de água potável. Como ano de eleição no Brasil, cabe a nós, cidadãos eleitores, sujeitos ativos e condicionados no saber democrático, escolher o que realmente queremos para o futuro de nosso país, um futuro democrático e justo em todas as esferas, um futuro de cooperação, de respeito, um futuro onde as classes dominantes não somente queiram expropriar o suor do trabalhador, mas também dar-lhes condições para uma vida digna e ética, uma sociedade onde não somente os cidadãos sejam livres, mas onde o sejam dignos de ser.

1 pathos: Sentimento, capacidade de simpatia e empatia

2direitos naturais: os que estão em nossa essência de seres humanos, confrontando com quaisquer leis impostas pelas “nações”

3 statu quo: é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for

Gustavo G. Sanches

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