Feeds:
Posts
Comentários

Archive for setembro \27\UTC 2015

A tentativa de urbanizar o entorno do Parque Estadual Mata dos Godoy vem sendo motivo de inúmeras discussões em Londrina e região. Do boteco aos gabinetes e das redações aos tribunais, todos agora sabem da existência da tal da “zona de amortecimento”.

Pois bem, o centro das atenções é uma região ao sul da cidade de Londrina, onde hoje existe menos concreto e mais verde. Por lá podemos encontrar uma imensa fábrica: o Complexo da Mata dos Godoy. Esse conjunto de florestas de Mata Atlântica, das últimas, é capaz de produzir água e ar puro para Londrina, Cambé, Rolândia, Apucarana e Arapongas. Também é um celeiro de pesquisas científicas, serviços ambientais e regulação do microclima local. A Mata ainda tem bichos raros, mas em risco de extinção – mais de 300 espécies de aves, 60 de mamíferos e 200 de árvores existem por lá. Quem pesquisa, considera essa região como o imenso “ar-condicionado verde” de Londrina e um patrimônio incomensurável.

Ocorre que a extensão protegida legalmente como parque soma menos de 1% do território do Município de Londrina. Isto é, toda a riqueza em biodiversidade que temos extravasa os limites estabelecidos como área protegida e dependem em muito do que está em toda a sua volta. Essa é a essência de se ter definida uma zona de amortecimento, como previsto no Sistema Nacional de Unidades de Conservação – Snuc (Lei 9.985/2000).

A importância da proteção efetiva das áreas no entorno de parques e reservas é ratificada por uma publicação da revista científica Nature de 2012, intitulada “Evitando colapso da biodiversidade nas áreas protegidas de floresta tropical”, de autoria de uma equipe de 166 pesquisadores liderada por Willian Laurence da Universidade James Cook, na Austrália.

Os pesquisadores analisaram diversos indicadores em 60 áreas protegidas nas principais regiões tropicais do mundo e chegaram ao resultado de que as mudanças ambientais no entorno desses locais contribuem de igual forma ao que acontece no interior dessas áreas para a qualidade e proteção da sua biodiversidade. Ou seja: se não houver atenção para com as atividades prejudiciais à natureza além da porteira dos parques, a tendência é que tais áreas protegidas sofram com a deterioração de seus ambientes e de suas espécies, acarretando no colapso dos ecossistemas.

Isso nos leva a crer que, para manter a conectividade entre as diversas florestas que temos por aqui, precisamos envolver a comunidade local e valorizar as atividades de baixo impacto já existentes nesse território. E mais que isso: que a prefeitura promova o crescimento dessa região, mas não em concreto e indústrias pesadas e sim em políticas públicas de incentivo à área rural. Assim teremos garantida a qualidade de vida e a riqueza ambiental que nossa terra vermelha sempre nos proporcionou.

Protegendo o entorno da Mata dos Godoy, vamos garantir não só a conservação de um punhado de espécies silvestres, mas também o bem estar de nós humanos para os tempos que virão.

Gustavo Góes é conselheiro do meio ambiente de Londrina e Diretor da ONG MAE, Edgard Menezes é consultor empresarial e professor.

*Artigo publicado originalmente na coluna Espaço Aberto da Folha de Londrina e na coluna Ponto de Vista do Jornal de Londrina.

Read Full Post »