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Archive for the ‘gestão ambiental’ Category

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Foto: Roberto Custódio/Arquivo Jornal de Londrina

 

Até agora, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não explicou para a comunidade científica do Paraná e à população de Londrina o motivo pelo qual diminuiu quase 30% da zona de amortecimento que protege o Parque Estadual da Mata dos Godoy (PEMG). O PEMG é a maior floresta nativa de Mata Atlântica existente por aqui e a mais biodiversa do Norte do Paraná. Por abrigar de onças a antas, de perobas a palmitos, é área federal prioritária para a conservação.

A zona de amortecimento (ZA) é um buffer – previsto em lei federal – que serve para diminuir impactos perto de Unidades de Conservação (UC). A existência da ZA serve para prevenir, por exemplo, que uma indústria poluente se instale ao lado de uma mata, o que significaria a morte do ecossistema, ainda se a floresta restasse em pé. Em três meses, sem consultar a comunidade científica paranaense dedicada à Mata dos Godoy (e que trabalha no assunto desde antes mesmo de tornar-se parque), o IAP revisou a zona de amortecimento – para menos. Na surdina, o IAP decidiu que era melhor que o buffer da Mata dos Godoy ficasse quase um terço menor.

Sem ouvir nem mesmo o Conselho do Parque, o órgão produziu e aprovou um documento de 13 páginas com um suposto embasamento técnico. Nele, o IAP afirma claramente que a medida foi motivada por pressões imobiliárias e ruralistas de Londrina. Frágil, o relatório do IAP comete impropriedades e exclui da ZA até mesmo um conjunto de nascentes do Ribeirão Apertados, que corta a Mata dos Godoy. Ninguém entendeu. O documento não explica.

A zona de amortecimento de um parque é sempre rural. Fazendas, pasto, restaurantes rurais, chácaras de lazer, hortas, pesque-pague – tudo que “combina” com a existência da floresta é permitido nela. Medida de inteligência que serve como escudo para fragmentos de Mata Atlântica como o PEMG. Além da própria Mata dos Godoy, a ZA, reduzida, envolve 62 pequenas e médias florestas conectadas em um ecossistema entre Londrina, Arapongas e Apucarana. É nosso maior ativo ambiental, inexistente em outras cidades brasileiras que optaram pelo concreto total.

Resta tão pouco de Mata Atlântica no Norte do Paraná – só 8% da original – que a única medida viável para alterar a zona de amortecimento, neste contexto, seria aumentar cuidados ambientais com a região da nossa floresta. Não é possível instalar parte da cidade em uma ZA; muito menos destiná-la a indústrias de alto risco, como deseja a prefeitura de Londrina, agora com a concordância do governo do Paraná.

Por princípio do Direito Ambiental, é incabível retroceder proteções. Antes de rediscutirmos qualquer proteção, há uma lição de casa pendente para a industrialização de Londrina. Por zelo pelo espaço urbano, Londrina ainda precisa reformular e encher as áreas industriais onde já existe infraestrutura precária, lotes abandonados e poucas ou nenhuma empresa, denúncia já feita pela própria Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).

Proteger menos é não apenas ilegal como surpreendente. Uma ação de Estado curiosa, desencadeada pelo próprio órgão ambiental, como se tomado por amnésia da sua única razão de existir.

Estamos a postos com o que temos: a ciência, seriedade técnica, as leis ambientais do nosso país. Os responsáveis pela redução da proteção à mata – gestores do IAP em Londrina e Curitiba e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente – ainda devem explicações. Sempre é tempo de recuar de um erro. Quem comanda e trabalha no órgão precisa erguer-se do que é mais rasteiro e olhar-nos como sociedade, ao nível dos nossos olhos, para discutirmos a real importância da Mata dos Godoy para Londrina e o Norte do Paraná.

Inaceitável reduzir um ecossistema de tal importância a uma decisão movida pelo imediatismo, pela pressão econômica banal e falta de legitimidade. Não coloquem a história do IAP no mais pantanoso descrédito.

Gustavo Góes é gestor ambiental da ONG MAE. Alba Cavalheiro é bióloga na UEL. Marcelo Frazão é jornalista da ONG MAE.
*Artigo publicado originalmente na coluna opinião do jornal Gazeta do Povo em 22/10/2016.
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Anta no Rio (2014) - Houto

Anta no Rio (2014) – Houto

Espaço Aberto – Folha de Londrina (09/10/2014)* Aposto que cada um de nós conhece uma anta, não é mesmo? Bastante esperta e sempre muito importante na sua comunidade, ela é cuidadosa com os filhos e mora em lugares com gigantes quintais. Pois é, estamos falando do maior mamífero terrestre de toda a América do Sul. Cientificamente chamada de “Tapirus terrestris”, a anta não habita áreas urbanas e é um animal dócil e nada abundante. Herbívora, a anta ingere uma infinidade de frutos diferentes e os dispersa por meio das suas fezes. Como tem o hábito de se deslocar por grandes distâncias, renova os ambientes por onde passa, “plantando” centenas de novas árvores e arbustos todos os dias. Por tais atributos, a anta é apontada por pesquisadores como uma engenheira de ecossistemas – ou, então, a jardineira da floresta. Estudos recentes indicam que a anta não tem absolutamente nada de tola ou obtusa. Pelo contrário, os resultados mostram que o bicho tem uma grande quantidade de neurônios e muito bem usados. Portanto, quando alguém gentilmente chama outra pessoa de anta deveria estar fazendo é um belo de um elogio! Buscando melhorar a imagem das antas diante dos brasileiros, a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB) e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) se uniram na campanha “Minha Amiga é uma Anta”. O objetivo é desmistificar o conceito enganoso de que a anta seria um animal não muito inteligente, além, é claro, de disseminar informações sobre a importância da conservação da espécie. A campanha visa inicialmente alcançar o público infanto-juvenil por meio de cartilhas educativas, disponíveis na internet e em diversos zoológicos e aquários brasileiros. A anta é ameaçada de extinção em todo o Brasil e, principalmente, na Mata Atlântica, bioma com maior degradação de todo o País. A região de Londrina se destaca como um dos raros locais da Mata Atlântica onde as antas ainda sobrevivem, mesmo sob muitas ameaças. Correndo perigo de se extinguir nas próximas décadas, uma pequena população de antas permanece na paisagem agropecuária da região e é extremamente dependente dos parques, várzeas e reservas particulares ainda existentes. A fim de conhecer a fundo as condições ecológicas e traçar estratégias para a sobrevivência da anta no Norte do Paraná, a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) executa atualmente o projeto Caminho das Antas. Tal iniciativa tem respaldo científico da Universidade Estadual de Londrina, por meio do Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas (Labre), além de parceria da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná (Sema-PR), Promotoria do Meio Ambiente e financiamento da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Pesquisadores do projeto percorrem uma área equivalente a mais de 100 mil campos de futebol para levantar dados importantes para a conservação da anta pelas nossas bandas. Se por um lado a caça, a poluição dos rios e a fragmentação das florestas oriunda do desmatamento de décadas sejam as causas do processo de extinção desses animais, por outro, a manutenção de florestas em sítios e fazendas, a prisão de caçadores e o alerta de motoristas para o risco dos atropelamentos podem contribuir muito para a sobrevivência das antas. Para ser amigo da anta podemos até ir ao zoológico e tirar foto perto dela, mas mais que isso, a anta precisa de floresta em pé e de rios limpos, de caçador nem pensar! O verdadeiro amigo da anta também só fala bem dela, afinal, anta é elogio! GUSTAVO GÓES é gestor ambiental em Londrina e participa do projeto Caminho das Antas *Artigo publicado originalmente na coluna Espaço Aberto da Folha de Londrina –
http://va.mu/AdYbZ

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Artigo publicado originalmente na coluna Espaço Aberto do jornal Folha de Londrina em 22/03/2013.

Em todo o mundo se comemora hoje o Dia da Água. No Brasil, sempre citado como o detentor de um dos maiores estoques de água doce do planeta, o que se vê é a poluição e o desperdício como regra. Quais são, então, as questões para se tratar nesta data?

O cenário não é pacífico. Dados das Nações Unidas indicam que 80% dos habitantes do planeta habitam regiões com altos níveis de ameaça à segurança da água. Para piorar, saneamento básico é artigo de luxo para cerca de 2,5 bilhões de pessoas. Outros 783 milhões não tem acesso à água potável. O resultado é a morte de 1,5 milhão de crianças ano a ano afetadas por doenças diarreicas, com um assustador saldo de 5 mil mortes por dia.

Infelizmente, o Brasil não fica distante. O IBGE aponta que perto de 40% dos domicílios brasileiros não estão providos da rede coletora de esgotamento sanitário. E por mais bizarro que se possa parecer, grande parte do esgoto coletado não recebe tratamento adequado: diariamente, 15 bilhões de litros de esgoto são lançados direto da latrina aos corpos hídricos país afora.

Se por um lado, o país do futebol injeta bilhões para a Copa do Mundo da Fifa, por outro, amarga 2,5 mil crianças mortas anualmente por doenças de veiculação hídrica.

Vale ressaltar que investimentos em saneamento salvariam muitas vidas ou mesmo esvaziariam os leitos de hospitais, já que nos países em desenvolvimento – inclua-se o Brasil – 80% das doenças são causadas por problemas relacionados à água.

A água também pune. A estupidez humana da tentativa de subjugar a natureza, devastando sistemas ecológicos ou mesmo a ocupação de áreas de preservação permanentes, aliada aos efeitos das mudanças climáticas, tendem a tornar comuns os fenômenos climáticos extremos, como enchentes e secas, com desastres aterrorizantes, a exemplo dos já vistos por aqui.

Com toda essa conjuntura, e após a Assembleia Geral da ONU reconhecer a água e o saneamento como direitos humanos, 2013 foi declarado o ano internacional pela cooperação da água.

Os desafios são grandes para manter a “castidade da água”, conforme apontou Francisco de Assis, ou para manter a sustentabilidade dela, de acordo com o conceito pós-moderno. O certo é que tal recurso natural, elementar para a manutenção da vida, também deve sustentar o desenvolvimento socioeconômico.

A despeito do panorama exposto, e muito além das ações de empresas de saneamento, ações de conservação da água estão se tornando práticas comuns no cotidiano.

Nas áreas urbanas, o cidadão já começa a associar que o desperdício na torneira pode afetar a vazão dos rios captados. Está ciente de que lavar calçada é um disparate, e de que o lixo da sarjeta, se não entupir o bueiro e alagar a rua na próxima chuva, vai poluir o lago tempos atrás abundante em peixes.

O homem do campo sabe que a riqueza e a abundância da água só continuam se mantida a cobertura florestal, a proteção das nascentes, das beiras de rios e áreas de recargas de aquíferos. A recuperação dessas áreas já é fato nas pequenas propriedades, inclusive aqui, com o projeto Londrina Verde.

Apoiado pelo poder público e terceiro setor, ou mesmo de forma voluntária, o agricultor tem se esforçado para corrigir erros de toda a sociedade, restabelecendo os serviços ambientais.

O setor industrial começa a implementar técnicas para otimização da água virtual – aquela não vista mas utilizada na geração de bens e serviços. O sempre crescente consumo pressiona os estoques de água, que diferentemente do aumento da população mundial, continua o mesmo.

Crescer em consciência no uso e no cuidado da água, recurso que ainda é abundante no Brasil, é o preceito que deve nortear a presente geração.

GUSTAVO GÓES é gestor ambiental da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) em Londrina

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Entrada para floresta

Entrada para Floresta (1942) – Cândido Portinari

 

ESPAÇO ABERTO – Folha de Londrina (10/08/2012)*

A proposta de construção de um complexo logístico sobre uma região de grande importância ambiental nem saiu do papel e já gera polêmicas na sociedade norte-paranaense. Seria mesmo aceitável, nos dias de hoje, a definição do local para um empreendimento sem antes mesmo estudar sua viabilidade? Como ficaria a comunidade local, a biodiversidade e todo o ambiente se esse projeto fosse viabilizado na área proposta?

Geralmente, empreendedores desavisados não se preocupam com todas essas questões. Por outro lado, após tantos desastres ambientais passados, a sociedade criou mecanismos para manter um maior equilíbrio entre as forças econômicas e as questões socioambientais. Atualmente, existem legislações pertinentes que orientam as atividades humanas a não repetir erros do passado. Nessa esteira, surgiu um novo campo de estudo: a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), que agrega profissionais de várias áreas com o objetivo da viabilidade de projetos ambientalmente menos agressivos.

Com o vislumbre de um licenciamento ambiental para o projeto Arco Norte, cumpre examinarmos a Resolução Conama 1/86 que, no artigo 5º, destaca que um Estudo de Impacto Ambiental (instrumento necessário para empreendimentos de tal porte) deve ”contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto”. Como se observa, a ideia do Arco Norte nasce errada. E para não ficarmos na dicotomia do ”faz ou não faz” a obra, antes de tudo deve-se conceber alternativas locacionais. Afinal, se o objetivo é o desenvolvimento regional, não devem faltar em todo o Norte do Paraná áreas sem parques e mananciais de abastecimento por perto, características da Zona Sul de Londrina.

A área apontada para o Arco Norte é rica em serviços ambientais para nossa região. Além de celeiro de alimentos, lá existem não só bacias hidrográficas responsáveis por abastecimento público de água regional como também fragmentos de floresta bem conservados que abrigam várias espécies em extinção. Toda essa rede de serviços ambientais tem como núcleo o Parque Estadual Mata dos Godoy, uma das unidades de conservação mais estudadas em todo o Paraná – e também um dos últimos remanescentes que preserva a rica floresta encontrada pelos pioneiros.

Vale dizer que aumentar a área do parque, como aventam os proponentes do Arco Norte, é uma ação importante. Entretanto, trata-se de uma realização que já deveria estar em curso pela própria importância do local, independente do Arco Norte, haja vista que o entorno do parque em 2007 já foi declarado, pelo Ministério do Meio Ambiente, como uma área de ”muito alta” prioridade para conservação.

Concordo com a preocupação da Associação Comercial e Industrial de Londrina, da Sociedade Rural do Paraná e do governo do Paraná com Londrina e o desejado desenvolvimento da região do Arco Norte. Há anos nosso pedaço de Paraná aqui no Norte carece de desenvolvimento substancial e, de fato, merece todo o investimento possível. Mas no lugar de aeroporto e complexo logístico, que se dê aporte a atividades de baixo impacto ambiental na região rural Sul de Londrina. Que se invista em outras atividades, como turismo rural e ecoturismo, bem como produção sustentável de alimentos e água. Não há radicalismo nenhum em planejar tal vocação para o local – e é justamente o amplo conhecimento técnico já disponível e produzido sobre a área que permite, sem medo, essas afirmações. Arco Norte sim e sempre! Mas ali, não!

GUSTAVO GÓES é gestor ambiental em Londrina

 

Artigo publicado originalmente na Coluna Espaço Aberto do Jornal Folha de Londrina.
(trata do discutido projeto de desenvolvimento para a cidade de Londrina, e o seu local precipitadamente apontado)

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exploração de recursos

A Fábrica (2009) – Will Ferreira

Após sediar a Rio+20, o Brasil não tem muito a comemorar no que tange a questão ambiental. Questões muito polêmicas junto à sociedade, como a alteração do Código Florestal e a construção de Belo Monte, permearam e antecederam por aqui o debate da conferência da ONU. Mas não é só isso, a pressão de grandes obras públicas pressiona órgãos ambientais para aprovação de licenças, havendo até diminuição de áreas protegidas. Fatos estes que apontam para a fragilidade que a temática ambiental vem sofrendo em nível nacional.

Nessa linha de análise, em recentemente levantamento1 foi apurado que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem 27% do seu orçamento alocado no que é conhecido como reserva de contingência,  uma estratagema da União para se obter superávit primário2, ou seja, estão ali para fazer volume.  Dos R$4,1 bi previstos para 2012, R$1,1 bi está contingenciado, e tal restrição já acontece no MMA desde 2006. As restrição orçamentária, pode ter atingido três programas importantes do MMA, que estão quase paralisados. São os programas Mudanças Climáticas, Biodiversidade, além do Programa de Conservação e Gestão de Recursos Hídricos.

Enquanto a arrecadação federal bateu recorde no ano passado3, tendo aumento de 10%, a receita do MMA cresceu apenas de R$4 para R$4,1 bi. E quando verificado a representatividade do orçamento da pasta, teve-se em 2011 que 0,15% do Orçamento Geral da União foi destinado ao MMA.

De igual forma, as áreas protegidas também são alvo do modelo de desenvolvimento adotado. A despeito da criação, em 2007, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza (ICMBio) e seus avanços na gestão dessas áreas, foi aprovada em maio na Câmara, e segue ao Senado, a Medida Provisória que altera os limites de sete Unidades de Conservação (UC) federais4. Milhares de hectares serão excluídos a fim de facilitar a construção de várias usinas hidrelétricas (UHE), todas no bioma amazônico.

Como se observa, toda controvérsia gerada por Belo Monte, projeto antiquado da época da ditadura, não incomoda os tomadores de decisão lá de cima. Mais e mais, o que parece importar é gerar energia5 a base dos rios amazônicos que antes eram “imaculados”. É importante destacar a pífia valoração do patrimônio socioambiental quando se trata de obras de interesse público, constata-se que os danos aos povos tradicionais e aos bens naturais são subjugados para a viabilização de grandes obras.

Paradoxalmente ao discurso na Rio+20, as ações do governo federal para com o Meio Ambiente são dignas de atenção da sociedade brasileira. Paralelo à conferência da ONU, a sociedade civil apresentou avanços em iniciativas locais, fato que motiva a possibilidade de melhorias surgindo de baixo para cima. Por outro lado, é imprescindível a responsabilidade do setor público na execução de sua política ambiental.

Gustavo Góes

1 http://www.contasabertas.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=933

2 Saldo positivo, quando, ao final de um período, verifica-se que os gastos do governo foram menores do que a receita.

3 http://www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/arrecadacao-federal-deve-continuar-alta-em-2012_112380.html

4 http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2012/maio/aprovada-na-camara-a-reducao-de-sete-unidades-de

5 Vale lembrar que nesse blog já foi falado sobre o mito da energia limpa gerada em UHE de ambientes tropicais, confira: https://penseverde.wordpress.com/2009/06/11/energia-eletrica-em-expansao/

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Boas Festas

Com o término de mais uma Conferencia das Partes sobre Mudanças Climáticas, COP15 realizada entre 7 e 18 de dezembro em Copenhage, pode-se notar um eufemismo dentre os principais chefes de estado. Diante de muitas opiniões divergentes, necessidades divergentes, o resultado foi mais uma vez uma dicotomia entre economia e ecologia, sendo que economia enfatiza competição, expansão, dominação e ecologia enfatiza os princípios básicos da vida como, cooperação, conservação e parceria. Muitos estavam esperançosos com os resultados, esperando assim uma aliança de cooperação entre os paises ricos e os paises pobres, mas de fato os tecnocratas lá presentes não conseguiram sentir o risco a qual colocamos nosso futuro comum.

Cooperação se resume como um dos princípios básicos da ecologia sendo que nenhum organismo individualmente consegue prolongar sua existência, pudera as siglas COP significar Cooperação, uma reunião onde as pessoas visassem o todo e não somente seus interesses pessoais, pudera os chefes de estado sentirem que tomaram a decisão errada em somente analisar o lado econômico da situação e não realmente a gravidade do assunto que estava sendo discutido. Mesmo com todos os conhecimentos sobre os trágicos fins que possa ocorrer caso o planeta esquente dois graus, cumpre dizer que com nosso modo de produção e consumo, assinamos o contrato de uma catástrofe ecológica, antecipando o trabalho que um dia iria ser realizado pela nossa principal fonte de existência, o sol, que em alguns bilhões de anos irá nos engolir, pode-se ver que nossa extinção é uma coisa certa, outrora adiantar um processo natural pela ganância da minoria é agônico.  Os gases causadores do efeito estufa se excederam há algum tempo, e a culpa, a culpa é disputada entre o Oriente e o Ocidente, algures no ocidente há de se ter culpados, algures no oriente há de se ter culpados, sendo assim, a culpa é de todos nós, que somos desde crianças inicializados nesta sociedade de consumo, onde insistimos em ter um entrosamento homem a homem, e deixamos de lado o entrosamento homem natureza, sendo a natureza em nosso meio e o homem se adaptando a ela de forma que não a prejudique e sim co-exista harmoniosamente.

A cúpula de Copenhage teve seu trágico fim, os chefes de estado retornaram a suas nações, para suas respectivas luxurias, enquanto os paises pobres que são os principais afetados pela ganância destes citados acima, irão presenciar o começo das trevas. O que se almeja agora neste clima natalino e de esperança para o ano posterior, é que para aqueles ainda bem esperançosos, sejam mesmo aqueles que esperam o Papai Noel neste natal, tenha-se um portentoso começo de ano, e que o clima natalino abram as portas do coração daqueles que podem definir o futuro de nosso planeta e coloque muita luz em suas decisões.

Gustavo G. Sanches

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Candido Portinari - Os Retirantes (1944)

Candido Portinari - Os Retirantes (1944)

A vida inteligente em nosso planeta conseguiu recentemente mais um feito, alcançamos já em 25 de setembro o uso dos recursos naturais necessários para o ano todo. Essa marca é contabilizada pela Global Footprint Network levando em conta os recursos para atender as demandas humanas, não só alimentação como também todo tipo de produto e serviços com suas respectivas energias utilizadas. É de se ressaltar a importância desse dado já que estamos extraindo mais do que Gaia nos fornece.

Para entendermos melhor essa conta negativa, basta olharmos os desequilíbrios diários que a natureza sofre. O grande exemplo é o aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, este gás é essencial para a vida na Terra, no entanto após a Revolução Industrial vem sendo emitido de forma exponencial pelas atividades humanas, sendo um dos principais gases que acarreta no aumento do efeito estufa, consequentemente o que conhecemos por mudanças climáticas. Tal desequilíbrio é o mais alarmante e por isso mais presente na mídia comum, entretanto convém ressaltar que pagamos a conta do uso superior dos recursos também com a poluição hídrica, desertificação, perda da biodiversidade, entre outros. Cumpre observar que toda essa conjuntura deverá refletir em inúmeros desastres ambientais num futuro não muito distante.

Vale dizer que dias atrás a ONU apontou que em 2050 dever-se-á produzir 70% mais alimento que hoje para atender a população mundial naquele ano. Mesmo sabendo de tais previsões e já com mais de um bilhão de indivíduos passando fome pelo mundo nossos lideres ainda insistem no ‘’crescimento’’ econômico, num modelo excludente e que trata a miséria e a degradação ambiental como externalidade. Talvez a humanidade esteja corrompida pelo pensamento positivo pregado nos atuais livros de auto-ajuda, podemos estar imaginando que a tecnologia evoluirá ao ponto de produzir alimento para o mundo com condições cada vez piores, ou ate mesmo colocamos esperança de encontrar outro planeta habitável no universo para nos transportar. Tomemos cuidado com a crença de que o pensamento positivo sozinho possa nos trazer o bem, lembro a filosofia estóica que coloca como mister a preparação para os males, convém assinalar que ela aborda essa questão diferenciando os males inevitáveis dos que estão ao nosso alcance. Os primeiros, segundo os estóicos, sem dúvida não devemos tê-los em preocupação devido à falta de autonomia diante de tais acontecimentos, é o caso da morte, por exemplo, pensamentos amargos a respeito só nos trará infortúnios. Entretanto outros males podemos levar em consideração e nos prepararmos melhor para enfrentá-los, isto é, aqueles quais podemos ter controle.

O que pretendo elucidar com as considerações acima é que levemos a sério o uso de nossas fontes da vida, esse estresse que estamos causando no ambiente reflete na miséria atual dos países pobres e com o passar dos tempos cada vez mais pessoas serão atingidas pelas mutações de Gaia. É importante que estejamos preparados para esses males, assim como se faz indispensável saber que os famintos do mundo são um problema evitável, ao pararmos de consumir mais que o necessário estaremos contribuindo para que mais pessoas tenham acesso a alimento.

Gustavo Góes

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