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Mata Atlântica (2010) -  Márcia Valle

Mata Atlântica (2010) – Márcia Valle

O Dia da Árvore (21 de setembro) marca todos os anos a chegada da primavera no Brasil e é uma bela homenagem às representantes da nossa natureza. Mas as árvores não devem ser vistas como organismos estáticos, festejadas apenas pela beleza estética. Mais que isso, são a sustentação do ambiente de Mata Atlântica, onde vivemos.

Uma das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta, a Mata Atlântica está presente em 17 estados brasileiros. No campo e nas cidades, a Mata Atlântica é moradia de mais de 60% da população brasileira. Ela não abrange apenas nossos litorais: no Paraná, por exemplo, está presente em 98% da área do estado, inclusive na região de Londrina.

As árvores da Mata Atlântica, somadas às outras espécies vegetais, passam de 20 mil espécies. Junto de nós, humanos, habitam por aqui 270 outras espécies de mamíferos, além de 992 espécies de aves, 197 de répteis, 372 tipos de anfíbios e 350 variedades de peixes. Convém ponderar que toda essa biodiversidade é refletida em inúmeros benefícios como controle do clima, fornecimento de água, alimentos e plantas medicinais. Gera renda, lazer, ecoturismo e qualidade de vida.

Pero Vaz de Caminha, ao se deparar com imensa e rica floresta em 1500, retratou em carta ao Rei D. Manoel que era “a terra em si de mui bons ares”. No entanto, o que se sucedeu após a chegada do homem branco foram os ciclos econômicos do pau-brasil, da cana-de-açúcar, do café e do ouro, que avassalaram a Mata Atlântica. Em nossa região, a sobre-exploração de árvores como a peroba-rosa e a araucária as colocaram em risco de extinção.

Se por um lado o uso e ocupação do solo na Mata Atlântica proporcionaram crescimento econômico do Brasil, por outro resultaram na devastação desse ambiente – hoje, restam apenas 8,5% do que havia originalmente em remanescentes florestais, se considerados os com mais de 100 hectares.

O isolamento dos poucos fragmentos de florestas existentes é uma das principais causas para extinção de espécies e a perda de qualidade ambiental. Dados do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção apontam que 383 espécies de animais ameaçados se encontram na Mata Atlântica – um sinal vermelho já aceso.

De forma vazia, discute-se se o ser humano deve ou não ser considerado como a espécie mais importante da natureza. Talvez a defesa dessa presunção antropocêntrica leve em consideração a capacidade de reconhecermos as belezas naturais e até de colocarmos um dia especial para as árvores no calendário. O ideal, no entanto, seria admitir que a importância humana deve-se ao fato de termos conseguido destruir grande parte da Mata Atlântica, antes íntegra. E que aceitar tal realidade nos daria a responsabilidade de conservar tudo aquilo que resta com afinco e tentar restaurar o que já perdemos.

Gustavo Góes

Artigo publicado originalmente na coluna Ponto de Vista do Jornal de Londrina de 22 de setembro de 2013.

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Entrada para floresta

Entrada para Floresta (1942) – Cândido Portinari

 

ESPAÇO ABERTO – Folha de Londrina (10/08/2012)*

A proposta de construção de um complexo logístico sobre uma região de grande importância ambiental nem saiu do papel e já gera polêmicas na sociedade norte-paranaense. Seria mesmo aceitável, nos dias de hoje, a definição do local para um empreendimento sem antes mesmo estudar sua viabilidade? Como ficaria a comunidade local, a biodiversidade e todo o ambiente se esse projeto fosse viabilizado na área proposta?

Geralmente, empreendedores desavisados não se preocupam com todas essas questões. Por outro lado, após tantos desastres ambientais passados, a sociedade criou mecanismos para manter um maior equilíbrio entre as forças econômicas e as questões socioambientais. Atualmente, existem legislações pertinentes que orientam as atividades humanas a não repetir erros do passado. Nessa esteira, surgiu um novo campo de estudo: a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), que agrega profissionais de várias áreas com o objetivo da viabilidade de projetos ambientalmente menos agressivos.

Com o vislumbre de um licenciamento ambiental para o projeto Arco Norte, cumpre examinarmos a Resolução Conama 1/86 que, no artigo 5º, destaca que um Estudo de Impacto Ambiental (instrumento necessário para empreendimentos de tal porte) deve ”contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto”. Como se observa, a ideia do Arco Norte nasce errada. E para não ficarmos na dicotomia do ”faz ou não faz” a obra, antes de tudo deve-se conceber alternativas locacionais. Afinal, se o objetivo é o desenvolvimento regional, não devem faltar em todo o Norte do Paraná áreas sem parques e mananciais de abastecimento por perto, características da Zona Sul de Londrina.

A área apontada para o Arco Norte é rica em serviços ambientais para nossa região. Além de celeiro de alimentos, lá existem não só bacias hidrográficas responsáveis por abastecimento público de água regional como também fragmentos de floresta bem conservados que abrigam várias espécies em extinção. Toda essa rede de serviços ambientais tem como núcleo o Parque Estadual Mata dos Godoy, uma das unidades de conservação mais estudadas em todo o Paraná – e também um dos últimos remanescentes que preserva a rica floresta encontrada pelos pioneiros.

Vale dizer que aumentar a área do parque, como aventam os proponentes do Arco Norte, é uma ação importante. Entretanto, trata-se de uma realização que já deveria estar em curso pela própria importância do local, independente do Arco Norte, haja vista que o entorno do parque em 2007 já foi declarado, pelo Ministério do Meio Ambiente, como uma área de ”muito alta” prioridade para conservação.

Concordo com a preocupação da Associação Comercial e Industrial de Londrina, da Sociedade Rural do Paraná e do governo do Paraná com Londrina e o desejado desenvolvimento da região do Arco Norte. Há anos nosso pedaço de Paraná aqui no Norte carece de desenvolvimento substancial e, de fato, merece todo o investimento possível. Mas no lugar de aeroporto e complexo logístico, que se dê aporte a atividades de baixo impacto ambiental na região rural Sul de Londrina. Que se invista em outras atividades, como turismo rural e ecoturismo, bem como produção sustentável de alimentos e água. Não há radicalismo nenhum em planejar tal vocação para o local – e é justamente o amplo conhecimento técnico já disponível e produzido sobre a área que permite, sem medo, essas afirmações. Arco Norte sim e sempre! Mas ali, não!

GUSTAVO GÓES é gestor ambiental em Londrina

 

Artigo publicado originalmente na Coluna Espaço Aberto do Jornal Folha de Londrina.
(trata do discutido projeto de desenvolvimento para a cidade de Londrina, e o seu local precipitadamente apontado)

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Despertar de Ícaro - Lucílio de Albuquerque (1877–1939).

Há poucos dias de mais uma Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas COP-16, realizada pela ONU e que se inicia na próxima segunda-feira 29, onde 193 nações irão discutir e quiçá decidir os instrumentos de mitigação para com as mudanças climáticas, novamente se vê em torno do tema o teatro midiático que pulveriza informações um tanto quanto dantescas sobre a temática mudanças climáticas. Já foi mais que comprovado e alertado sobre os perigos que as espécies estão correndo, milhares de desastres inéditos coloca em cheque os denominados céticos do clima. Uma vez que a crise atual não é apenas uma crise de indivíduos, governos ou instituições sociais, mas sim uma transição que contempla dimensões planetárias, onde o futuro da humanidade está em jogo.

Justapondo essa realidade, cumpre dizer que a estabilidade humana está gradativamente ameaçada pela força do capitalismo, pela força do jogo do mercado e também pela força da insensatez humana. Notícias sobre fome, guerras, corrupção estão mais do que familiarizadas pelas classes “virtuosas” da sociedade, e mesmo assim vivencia-se o momento do fatalismo cínico, onde a mudança deve partir de um Deus maior. Uma salvação que não virá de cima.

O futuro está tão próximo quanto o presente, tão próximo quanto a Terra da Lua, e ainda assim a postergação das benquerenças é algo arraigado na sociedade contemporânea. A humanidade está em estado hipnagógico, prestes a entrar de vez nas dimensões oníricas e assim sonhar com um futuro melhor, no entanto o que tarda este sonho é a morosidade dos famigerados em abandonar suas velhas práticas.

Deve-se colocar como imperativo um despertar para uma nova era, uma transição de instabilidade para a estabilidade, observar a Terra como esse imenso processo evolutivo, onde nós seres humanos dividimos a mesma casa comum com as demais espécies. Corrobora o fato de que todos terão o destino comum, porque não alimentarmos um novo começo. A biodiversidade está depauperada, a perda de sintonia com a totalidade está culminando não somente na segunda maior extinção de espécies animais e vegetais da história do planeta Terra, mas também na falta de conexão entre os sujeitos, na falta de ações de solidariedade entre nós homo sapiens.

Um hino de indignação cresce a cada dia nas extensões endossomáticos dos seres humanos, elevando-se assim um senso crítico perante as causas ambientais e sociais, esperar-se-ia que os representantes das 193 nações, não dignas de decidir o futuro da humanidade, acordem para esse hino, despertem para a realidade e veja que a estabilidade do planeta está ameaçada.

 

Gustavo G. Sanches

 

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Eneias, Anquise e Ascânio - Gian Lorenzo Bernini 1619

Todos estamos passando por uma fase de transição, é só lermos os jornais e revistas que veremos a democratização dos termos consciência ecológica, desenvolvimento sustentável, direitos humanos, dentre outros. Pode-se notar também o aumento do número de pessoas engajadas nas causas sociais, no voluntariado como exercício ético, na luta por um mundo melhor. Penso eu com meus botões, por que todos esses ótimos exemplos não atingem uma magnitude global, por que não globalizar o acesso universal a água, ao alimento, a moradia, a uma Mãe Terra feliz e orgulhosa de seus filhos? Pois bem, nesse contexto pode-se dizer que Gaia encontra-se entristecida e virulenta, e a razão disso é nossa ganância e individualismo, nosso modelo globalizacional insustentável e excludente que permeia as mais íntimas entranhas de nosso planeta.

A globalização econômica em sua forma mais inexpugnável culminou não somente na depredação da natureza, extinção de espécies e gestos de solidariedade e afetividade humana, mas também numa mercantilização de cultura, cujo cerne se encontra no âmbito estadunidense, no qual grande parte dos países ao redor do globo almejam um desenvolvimento econômico-cultural como o das estrelas de Hollywood, deixando de lado todo o processo histórico-geográfico que cada região desenvolveu empiricamente. Pesquisas revelam que se todos os países consumissem como os Estados Unidos consomem, necessitaríamos de cinco ou mais planetas para suportar o ultraje cometido com nossa “Mãe Terra”. De todo modo a cultura norte americana encontra-se em crise, os americanos estão consumindo cada vez mais para poderem maquiar a falta de conexão uns com os outros, e isso se prolifera gradativamente com as síndromes de metrópoles, moldando paisagens urbanas com prédios e fábricas, buzinas e pistões automotivos, encobrindo o canto dos pássaros e nos distanciando do diálogo com a natureza, criando dependência da mecanização para com as tarefas manuais, engendrando conforto e requinte que somente uma pequena casta gozará.

Contanto surge-se paulatinamente uma parcela de indivíduos dispostos a construção de coletivos éticos, condicionados a uma mudança de paradigma civilizatório, que se baseia no utopismo dialético, ou seja, uma forma de utopismo espaço-temporal em que as capacidades geográficas e potencialidades humanas sejam incorporadas como forma de intervenção nos dogmas predeterminados. Quem são esses indivíduos que estão implantando o utopismo em seus espaços geográficos? São todos aqueles que estão atônitos com o desumanizante processo atual, que estão agindo como efeito multiplicador por um desenvolvimento ecológico e social inerente a produção do capital, esta que na maioria dos casos utiliza de seus recursos por meio do  pensamento arcaico de progresso a todo custo, causando danos para o ambiente e seus trabalhadores, aqueles que persistem na produção do conhecimento, de proporcionar os  direitos naturais de alimentação, de água, de liberdade de escolha e cooperação.

Como é ano eleitoral em nosso país veremos muitas demagogias e ilusões de nossos excelentíssimos candidatos, porém, cabe a nós cidadãos eleitores, sujeitos ativos e condicionados no saber democrático, decidir qual o melhor caminho para se seguir, um futuro democrático e justo em todas as esferas, ou um futuro cataclísmico que nos levará ao precipício. Sendo assim, continuamos sonhando com um país cujo mapa geográfico inclua a utopia, como no dizer do laureado escritor Irlandês Oscar Wilde: “Um mapa do mundo que não inclua utopia não merece nem mesmo uma espiada”.

Gustavo G. Sanches

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Constelación: despertando al amanecer

Joan Miró - Constelación: despertando al amanecer (1944)

Aproximadamente um bilhão de anos após a formação do planeta Terra a vida se fez presente e, ao longo do tempo, vem evoluindo através de complexos processos ecológicos. Podemos dizer hoje que a vida está presente em qualquer canto desse mundo, desde as milhares de espécies de bactérias que se encontram no solo, juntamente aos fungos, cooperando para a fertilidade da terra, até as grandes plantas e mamíferos, e ainda a grande biodiversidade existente nos ecossistemas marítimos.

É incomensurável a riqueza da biodiversidade, tanto que, no que diz respeito apenas à descrição e classificação das espécies, taxonomistas1 têm catalogado até os dias atuais cerca de 1.4 milhões de espécies e estima-se que existam no mínimo 10 milhões ainda não descritas.

Vale dizer que a diversidade da vida concentra-se, sobretudo em regiões tropicais. Existem 17 países que abrigam 70% da biodiversidade do nosso planeta, são eles conhecidos como Megadiversos2. No entanto, alguns desses países têm suas florestas ceifadas continuamente. Seja pela pressão por áreas para o cultivo de dendê na ilha de Sumatra na Indonésia, a exploração madeireira na República Democrática do Congo ou o aumento da fronteira agropecuária na Amazônia brasileira; o desflorestamento dessas regiões riquíssimas está destruindo o hábitat de milhões de criaturas que nem ao menos conhecemos, e por conta dessa destruição covarde, pesquisadores renomados apontam que ecossistemas podem, em breve, entrarem em colapso.  Como exemplo pode-se citar o risco de pelo menos parte da Amazônia ser transformado em uma savana.

Nessa esteira, há algumas décadas alguns campos da ciência estão se emancipando da visão positivista e vêm incorporando aspectos sistêmicos, ressaltando e comprovando a dependência da vida humana perante o equilíbrio do planeta. A economia ecológica, por exemplo, busca dar valor monetário aos serviços ambientais prestados, evidenciando que são processos ecológicos que culminam na vida humana. Não custa lembrar a Teoria de Gaia, desenvolvida pelo climatologista James Lovelock e a microbiologista Lynn Margulis, que ao longo dos anos vêm comprovando a hipótese de que a Terra é um grande organismo vivo, isto é, tudo que nela existe está inextricavelmente interligado e coopera (ou não) para a sua manutenção.

Destaca-se que assim como nós, enquanto organismos vivos, a Terra sofre de alguns patógenos3, ela pode ter sido perturbada por asteróides algumas vezes, mas atualmente ela está sofrendo internamente, isto é, as atividades humanas aceleraram os níveis de extinção4 em 1000 vezes, ou seja, é a mesma coisa que algum microorganismo interno nosso esteja destruindo células essenciais ao funcionamento do nosso corpo.

Em vista dessas considerações, é importante assinalar que o reconhecimento da importância da conservação da biodiversidade e de ações que visem à manutenção da vida não é um processo de cima para baixo, no qual a ciência e a política  devam resolver, mas antes uma questão de ética, na qual a coletividade assimile valores holísticos e de irmandade para com a natureza.

Séculos atrás, sem a existência da pressão de movimentos ambientalistas e nem crise ecológica, movido apenas pelo seu amor e afeição, um indivíduo chamado Francisco de Assis reconhecia a importância de todas as criaturas, seja na Terra ou no céu, e chamava a todas de irmãs ou irmãos. Cumpre dizer, por derradeiro, que seja através da espiritualidade ou da reflexão crítica, urge uma nova ética fundada na pertença a um sistema emaranhado de cooperação que sustenta a vida.

Gustavo Góes


1 profissionais responsáveis pela identificação, descrição e classificação dos seres vivos.

2 grupo de países que abrigam o maior índice de biodiversidade da Terra, a saber: Austrália, Brasil, China, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Filipinas, Indonésia, Índia, Madagascar, Malásia, México, Papua Nova Guiné, Peru, República Democrática do Congo, África do Sul e Venezuela.

3 agente capaz de desencadear doenças.

4 extinções ocorrem normalmente na natureza, mas dentro de certos limites.

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Tarsila do Amaral - Os Operários 1933

Um dos temas centrais entre toda a humanidade gira, sobretudo, entre a educação e a forma da qual ela é aplicada para a sua construção ou produção.  Vivencia-se o momento onde grande parte da população não tem acesso a educação, e muitos dos que tem oportunidades a terem uma educação condizente, abandonam os colégios, nem tentando ir para as universidades, não por falta de interesse dos mesmos, mas sim pela forma na qual os educadores tentam transferir os seus conhecimentos, acreditando assim que a educação é uma via de mão única onde somente eles ditam as regras e os educandos ir-se-ão padecer.

Dias atrás me deparei com esse paradoxo lancinante que ocorre a todo o momento em todas as IES (Instituições de Ensino Superior) de todo o globo: de um lado a docente tem muitos rótulos e méritos para estar ali e, de outro lado, a incapacidade de criar possibilidades para a produção do conhecimento, o orgulho de não querer reconhecer que quem ensina também aprende, de que não há docência sem discência, que o conhecimento é uma via de mão dupla, onde ambos irão progredir. Cumpre aí, repensar todo o desestimulo moral, intelectual, que docentes como a descrita acima, ocasiona na vida de muitas pessoas que se esforçam para fazer da sociedade um lugar mais justo e democrático. Como pensar numa sociedade democrática tendo um ensino fascista, ou você vai para a lousa fazer o exercício ou para a sala de tortura. Quão estimulante é este ensino querida docente, que não sabe nem ao menos pedir, mas sim mandar. Haja vista que a classe educadora é uma das mais brilhantes da humanidade, estimulando as pessoas para uma condicionante de vida melhor, proporcionando uma leitura de mundo através do ensino, quero aqui deixar claro o meu prestigio por todos os educadores críticos e cientes de sua função, mas não deixo de lamentar uma pequena parcela que entristece e desestimula a criatividade e a liberdade de escolha dos discentes.

De tal forma, constata-se que um ensino onde o educador queira ditar suas regras sobre um pedestal, querendo com isso se posicionar melhor que o aluno, encontra-se num paradigma pungente, que necessita de mudança e rápido, sendo assim, cabe aos professores insistir numa interação maior dentro de suas salas de aula, cabe também a eles uma flexibilidade, tendo em vista as divergências encontradas entre todos aqueles que fazem sua parte para o processo do conhecimento.

Por fim potencializa-se a educação como forma de promover e recuperar a ética do ser humano, quiçá um dia ter-se-ia ao menos um docente em cada curso que tenha lido Paulo Freire antes de entrarem nas salas de aula.

Gustavo G. Sanches

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Armand Guillaumin

Dada a formação ética e cética que os seres humanos atingiram, poder-se-ia analisar esses dois lados através de uma conjuntura pragmática, sendo notória a diferenciação entre um e outro. Cumpre observar por um lado, de forma bem sintética, que o ser ético aprofunda sua compreensão mundana, sendo um ser que analisa a crise ecológica-social que vivenciamos como global e sistêmica, por outro lado o ser cético analisar-se-ia a descrita crise como produto de desastres naturais, se tornando gradativamente sofista dos “acidentes ecológicos”.

Depreende-se que o ser ético vai muito mais além do que um mero observador dos fatos, o ser homem e mulher, corresponde a um ser condicionado, ciente de sua intervenção como sujeito histórico-social, não somente constatando as barbáries humanitárias e observando-as longinquamente, mas sim tecendo uma realidade ética a cada instante. A falta de eticidade nos dias atuais nos leva a uma abordagem ampla e complexa, entretanto o presente texto será desenvolvido partindo do principio social-ecológico, deixando assim uma abertura para uma futura abordagem.

Diante da auto-percepção, nós seres humanos, somos seres inacabados (como espécie e ser social), construindo assim a cada dia uma nova realidade, ou seja, nós temos a percepção de que somos seres inacabados e modificamos a nossa realidade. Partindo desta premissa, cabe ressaltar a consciência do sujeito critico e formador que o leva a uma curiosidade epistemológica dos fatos, buscando um aprofundamento etiológico histórico-social e dessa maneira intervindo em nossa realidade de maneira singular, cada ser construindo sua autoconsciência e concomitantemente nas decisões comunitárias, sendo que cada um dentro de uma comunidade possui uma singularidade, entretanto a mudança começara a surgir de forma espontânea. O embasamento deste surgimento espontâneo será através da mudança e não da adaptação, cabe a nós modificar nosso dia desde os pormenores até o momento mais critico, cabe a nós a decisão de manifestar nossa raiva diante de varias barbáries desumanizantes que ocorrem a cada dia e que no dizer cético a vida é assim mesmo, e não se tem nada a fazer. Não conseguem analisar que de maneira sistêmica o nosso agir e pensar interfere em diversas destas “vidas”, não somente humanas mais também animal e vegetal. É muito fácil dizer que alguns povos são condenados por natureza, e que nós, sujeitos ativos, não podemos fazer nada, tamponando os ouvidos de maneira banal para aqueles que gritam desesperados. A mudança ocorre desde o momento que você levanta da cama, desde o momento que você diz bom dia para o seu vizinho, fala bom dia para um estranho na rua sem causar constrangimento, o momento que você abre os abraços e sente a brisa matinal, são momentos simples como esses que fazem a diferença.

Pode-se dizer que a falta de eticidade esta pautada, sobre tudo, na educação. No dizer do majestoso Paulo Freire, deve-se através da educação promover e instaurar a “ética universal do ser humano” pondera-se que através de uma educabilidade honesta, sincera, de amor do educador com o educando e do educando com o educador pode-se haver esta restauração da ética que esta tão perdida em nosso dia-a-dia. Devemos lutar também para resguardar uma heterogenia ética cultural, valorizando nossa diversidade local histórica, manter tradições e de alguma maneira não permitir de modo pejorativo que a mundialização devaste nossa cultura ética local. Esta “mudança” de percepção se dará no momento em que re-inserirmos uma cultura endógena, cuja valorização será de âmbito local e abandonarmos essa visão farisaica de que tudo que é provindo de fora seja melhor.

O tempo de mudança é agora, não daqui a cem anos como alguns céticos chauvinistas indagam, porem a mudança deve ocorrer de forma natural, espontânea, uma busca interior pela dimensão ontológica, e dessa maneira, quiçá, tecer um mundo melhor, com mais ética, para as gerações vindouras.

Gustavo G. Sanches

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