Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘sustentabilidade’ Category

Imagem

Artigo publicado originalmente na coluna Espaço Aberto do jornal Folha de Londrina em 22/03/2013.

Em todo o mundo se comemora hoje o Dia da Água. No Brasil, sempre citado como o detentor de um dos maiores estoques de água doce do planeta, o que se vê é a poluição e o desperdício como regra. Quais são, então, as questões para se tratar nesta data?

O cenário não é pacífico. Dados das Nações Unidas indicam que 80% dos habitantes do planeta habitam regiões com altos níveis de ameaça à segurança da água. Para piorar, saneamento básico é artigo de luxo para cerca de 2,5 bilhões de pessoas. Outros 783 milhões não tem acesso à água potável. O resultado é a morte de 1,5 milhão de crianças ano a ano afetadas por doenças diarreicas, com um assustador saldo de 5 mil mortes por dia.

Infelizmente, o Brasil não fica distante. O IBGE aponta que perto de 40% dos domicílios brasileiros não estão providos da rede coletora de esgotamento sanitário. E por mais bizarro que se possa parecer, grande parte do esgoto coletado não recebe tratamento adequado: diariamente, 15 bilhões de litros de esgoto são lançados direto da latrina aos corpos hídricos país afora.

Se por um lado, o país do futebol injeta bilhões para a Copa do Mundo da Fifa, por outro, amarga 2,5 mil crianças mortas anualmente por doenças de veiculação hídrica.

Vale ressaltar que investimentos em saneamento salvariam muitas vidas ou mesmo esvaziariam os leitos de hospitais, já que nos países em desenvolvimento – inclua-se o Brasil – 80% das doenças são causadas por problemas relacionados à água.

A água também pune. A estupidez humana da tentativa de subjugar a natureza, devastando sistemas ecológicos ou mesmo a ocupação de áreas de preservação permanentes, aliada aos efeitos das mudanças climáticas, tendem a tornar comuns os fenômenos climáticos extremos, como enchentes e secas, com desastres aterrorizantes, a exemplo dos já vistos por aqui.

Com toda essa conjuntura, e após a Assembleia Geral da ONU reconhecer a água e o saneamento como direitos humanos, 2013 foi declarado o ano internacional pela cooperação da água.

Os desafios são grandes para manter a “castidade da água”, conforme apontou Francisco de Assis, ou para manter a sustentabilidade dela, de acordo com o conceito pós-moderno. O certo é que tal recurso natural, elementar para a manutenção da vida, também deve sustentar o desenvolvimento socioeconômico.

A despeito do panorama exposto, e muito além das ações de empresas de saneamento, ações de conservação da água estão se tornando práticas comuns no cotidiano.

Nas áreas urbanas, o cidadão já começa a associar que o desperdício na torneira pode afetar a vazão dos rios captados. Está ciente de que lavar calçada é um disparate, e de que o lixo da sarjeta, se não entupir o bueiro e alagar a rua na próxima chuva, vai poluir o lago tempos atrás abundante em peixes.

O homem do campo sabe que a riqueza e a abundância da água só continuam se mantida a cobertura florestal, a proteção das nascentes, das beiras de rios e áreas de recargas de aquíferos. A recuperação dessas áreas já é fato nas pequenas propriedades, inclusive aqui, com o projeto Londrina Verde.

Apoiado pelo poder público e terceiro setor, ou mesmo de forma voluntária, o agricultor tem se esforçado para corrigir erros de toda a sociedade, restabelecendo os serviços ambientais.

O setor industrial começa a implementar técnicas para otimização da água virtual – aquela não vista mas utilizada na geração de bens e serviços. O sempre crescente consumo pressiona os estoques de água, que diferentemente do aumento da população mundial, continua o mesmo.

Crescer em consciência no uso e no cuidado da água, recurso que ainda é abundante no Brasil, é o preceito que deve nortear a presente geração.

GUSTAVO GÓES é gestor ambiental da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) em Londrina

Read Full Post »

ervas benéficas Nicholas Roerich

Nicholas Röerich - Beneficial Herbs (1941)

Durante as décadas de 1960 e 1970 países até então menos desenvolvidos, como o Brasil, passaram por um período conhecido como revolução verde. Este se define como a difusão de tecnologias para a agricultura, como por exemplo, maquinário, novas sementes e produtos químicos para combate à pragas. Anos mais tarde, outro grande marco na agricultura foi o desenvolvimento dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM). É importante assinalar que tais acontecimentos transformaram o mundo em que vivemos. Se por um lado uns defendem que a agricultura pode então aumentar exponencialmente sua produção e alimentar a demanda que também vinha crescendo, por outro lado essa nova agricultura proporcionou a concentração de terras e o êxodo rural, culminando no aumento da miséria e exclusão social.

A revolução verde em nosso país teve ação direta do estado, haja vista que as instituições bancárias somente forneciam empréstimos com a apresentação, pelo agricultor, de notas comprovando o uso de adubos químicos e sementes produzidas pelas multinacionais. Vale ressaltar a dificuldade do agricultor que permanecia com suas técnicas tradicionais, pois não se concedia crédito a quem permanecia usando esterco e sementes “crioulas” nessa época. É de se verificar que tal conjuntura contribuiu para a expansão rápida dessas novas técnicas de produção agrícola, pois o argumento para o uso dos produtos químicos, herbicidas e inseticidas, era o de acabar com as pragas na lavoura. Sem dúvida que na época isso foi um grande atrativo, visto que percebeu-se no curto prazo a eficiência dos produtos, no entanto, verificou-se posteriormente que essas pragas se adaptaram aos “venenos” e se tornaram cada vez mais resistentes, acarretando na necessidade maior do uso dos defensivos químicos.

Nessa esteira, verifica-se que os agricultores conseguiram resultados positivos na produção. Dados apontam que nas duas últimas décadas do século XX a produção agrícola brasileira dobrou. Entretanto essas conquistas deixaram muitas externalidades1, sobretudo do ponto de vista ambiental. Em outras palavras, o uso dos venenos mata não só os organismos daninhos à lavoura, eles intoxicam a microfauna2 que forma a matéria orgânica do solo, e por conseguinte são incorporados na teia alimentar do determinado agroecossistema, além de serem escoados para os rios. Como se depreende, o uso de elementos químicos industriais na agricultura não pode ser analisado apenas pelos ganhos produtivos, mas devemos considerar os impactos ambientais, pois cedo ou tarde o próprio agricultor sofrerá com o desgaste do solo e o surgimento de novas pragas.

Em resposta as mazelas ambientais produzidas pela agricultura química, cresce no mundo todo a agricultura orgânica, no Brasil dados apontam nos últimos anos que o mercado de orgânicos vem aumentando anualmente de 25% a 50%. O cultivo orgânico consiste não só no não uso de agrotóxicos, mas, como define a FAO3, é um sistema holístico de produção que busca a melhora e a qualidade do agroecossistema, dos ciclos biológicos e visa manter a atividade biológica do solo.

A despeito do crescimento do cultivo orgânico verificado, ele se concentra mormente em pequenas e médias propriedades. Paradoxalmente, os grandes latifúndios se especializaram em monoculturas para a produção sobretudo de grãos. Paralelamente a essa tendência foi que grandes multinacionais investiram pesado no desenvolvimento dos OGMs. Estes consistem no resultado de alteração, por meio de alta tecnologia, de trechos do DNA de determinado organismo. Exemplo claro dos OGMs são sementes desenvolvidas para tolerar o uso de herbicidas, ou seja, o agricultor que opta por esse mecanismo fica obrigado a comprar a semente e o herbicida da mesma empresa. Como podemos observar, do ponto de vista econômico essa nova forma de agricultura pode se tornar um tiro no pé do agricultor, pois ele fica totalmente dependente da empresa que produz as sementes.

Tomando com exemplo a produção de soja, a empresa multinacional Monsanto apresenta grandes resultados em ganho de produtividade, por conta disso a empresa detém o domínio quase total do mercado de países grandes produtores de grãos no mundo, como os EUA e a Argentina. No Brasil a empresa já tem a fatia de 60% do mercado. É sem dúvida uma empresa de sucesso, no entanto é um grande risco para o mundo o domínio da produção de alimentos em mãos de poucas pessoas. Como exemplo disso, podemos citar o aumento de 26% nos royalties, no ano de 2009, das sementes de soja transgênica da Monsanto, a Soja Roundup Ready ou Soja RR. Cumpre observar que esse aumento de custo não fica apenas para o produtor, haja vista que a soja faz parte de inúmeras cadeias produtivas, o que acaba encarecendo a refeição de muitos de nós.

Outro aspecto importante em relação aos OGMs é sobre a incerteza de possíveis males que possam causar ao ambiente. Enquanto os alimentos vegetais que tivemos até pouco tempo atrás, foram resultado de longo tempo de evolução natural e também da melhoria de sementes crioulas por escolhas dos agricultores, em tempos atuais, num curto espaço de tempo nossa civilização vem alterando genes e criando organismos novos com muita rapidez.  O reflexo de toda essa mudança na produção de alimentos do ponto de vista ambiental pode ser positivo ou não, essa é uma incógnita pois governos liberam o cultivo e comercialização dessas culturas sem o requerimento de resultados satisfatórios em pesquisas. Acrescenta-se que no Brasil não existem regras claras a respeito da rotulagem de alimentos transgênicos, isto é, em nosso almoço possivelmente consumimos alguma refeição alterada geneticamente e nem ao menos sabemos se isso pode interferir em nossa saúde e na de nosso ambiente.

Como remate cumpre dizer que assim como em outros setores da economia, na agricultura se consagra atualmente o estabelecimento de grandes corporações como as detentoras e fornecedoras de tecnologias, sobretudo na produção de grãos. Entretanto, percebemos a sensibilização e atitude de pequenos agricultores para com métodos de produção mais cuidadosos com a terra, e consequentemente com o processo da vida. Vale dizer ainda que além de ganhos ambientais, o processo de produção orgânica pode servir como emancipação de comunidades agrícolas, que podem se unir e explorar nichos de mercado que estão crescendo a cada dia, inclusive com apoio de iniciativas governamentais.

Gustavo Góes

1 fator econômico não inserido no custo de produção e que provoca alterações no mesmo;

2 animais microscópios;

3 organização das nações unidas para agricultura e alimentação.

Read Full Post »

Boas Festas

Com o término de mais uma Conferencia das Partes sobre Mudanças Climáticas, COP15 realizada entre 7 e 18 de dezembro em Copenhage, pode-se notar um eufemismo dentre os principais chefes de estado. Diante de muitas opiniões divergentes, necessidades divergentes, o resultado foi mais uma vez uma dicotomia entre economia e ecologia, sendo que economia enfatiza competição, expansão, dominação e ecologia enfatiza os princípios básicos da vida como, cooperação, conservação e parceria. Muitos estavam esperançosos com os resultados, esperando assim uma aliança de cooperação entre os paises ricos e os paises pobres, mas de fato os tecnocratas lá presentes não conseguiram sentir o risco a qual colocamos nosso futuro comum.

Cooperação se resume como um dos princípios básicos da ecologia sendo que nenhum organismo individualmente consegue prolongar sua existência, pudera as siglas COP significar Cooperação, uma reunião onde as pessoas visassem o todo e não somente seus interesses pessoais, pudera os chefes de estado sentirem que tomaram a decisão errada em somente analisar o lado econômico da situação e não realmente a gravidade do assunto que estava sendo discutido. Mesmo com todos os conhecimentos sobre os trágicos fins que possa ocorrer caso o planeta esquente dois graus, cumpre dizer que com nosso modo de produção e consumo, assinamos o contrato de uma catástrofe ecológica, antecipando o trabalho que um dia iria ser realizado pela nossa principal fonte de existência, o sol, que em alguns bilhões de anos irá nos engolir, pode-se ver que nossa extinção é uma coisa certa, outrora adiantar um processo natural pela ganância da minoria é agônico.  Os gases causadores do efeito estufa se excederam há algum tempo, e a culpa, a culpa é disputada entre o Oriente e o Ocidente, algures no ocidente há de se ter culpados, algures no oriente há de se ter culpados, sendo assim, a culpa é de todos nós, que somos desde crianças inicializados nesta sociedade de consumo, onde insistimos em ter um entrosamento homem a homem, e deixamos de lado o entrosamento homem natureza, sendo a natureza em nosso meio e o homem se adaptando a ela de forma que não a prejudique e sim co-exista harmoniosamente.

A cúpula de Copenhage teve seu trágico fim, os chefes de estado retornaram a suas nações, para suas respectivas luxurias, enquanto os paises pobres que são os principais afetados pela ganância destes citados acima, irão presenciar o começo das trevas. O que se almeja agora neste clima natalino e de esperança para o ano posterior, é que para aqueles ainda bem esperançosos, sejam mesmo aqueles que esperam o Papai Noel neste natal, tenha-se um portentoso começo de ano, e que o clima natalino abram as portas do coração daqueles que podem definir o futuro de nosso planeta e coloque muita luz em suas decisões.

Gustavo G. Sanches

Read Full Post »

 

atomo_nous2

 

Muito se fala sobre a consciência no período em que vivemos, seja ela em todas as formas, abrangendo um todo. O fato é de que estamos vivenciando um caos de consciência começando em nossos governos, avançando para os cidadãos comuns e levando este caos para consciência da natureza, que ultimamente tem-se demonstrado um tanto quanto inconsciente. Esta como principal abordagem do tema que leva a sociedade para uma inflexão perene de seus atos sobre o planeta Terra.

 Como já se pode ter uma noção da idade do planeta Terra que estima-se em 4 bilhões e meio de anos, este planeta presenciou momentos cataclísmicos extinguindo varias formas de vida e sendo que nós, seres humanos, estamos apenas fazendo parte de mais uma era das muitas que estão por vir de uma serie de organismos que passaram por aqui. Nenhuma espécie avançou tanto como nós, avanço este marcado pela ciência, tecnologia, uma serie de demonstrações da imensa inteligência dos seres humanos como totalidades auto-reguladores, auto-organizadores, auto-reprodutores vivendo um para cada outro no sentido de reproduzir, ao contrario das maquinas que vivem uma para outra. Paradoxalmente emergindo uma inconsciência planetária de divisionismo, marcada pela hierarquia sobreposta por nós. Em todas as outras formas de vida não existe hierarquia, segue um exemplo, imagine uma sequóia com seus oitenta metros de comprimento, sendo observada por nós, e a comparamos com um carvalho, muito menor proporcionalmente que a sequóia, imaginemos que a sequóia com seus status de grandiosidade tem-se o domínio sobre o carvalho, entretanto o carvalho é muito mais avançado na escala evolutiva, devemos observar que na teia da vida cada espécie desenvolve seu papel, sendo que não existe hierarquia entre os organismos vivos.  Em sociedade e ecologia de Murray Bookchin ele demonstra claramente como estamos em uma sociedade que se opõe a natureza, causando conflitos a Gaia com o pensamento obsoleto de domínio, como um objeto. Pondera-se também que a inconsciência parte de algumas premissas religiosas, as pessoas cada vez mais crêem num futuro definido, não há mudança de hábitos, mudança de pensamentos, porque com a crença religiosa tudo esta definido, devemos fazer parte desta mudança de paradigma para que conciliamos esta maravilhosa criação com seu criador.

 Dever-se-ia mais preocupação dos educadores em trabalhar este tema com seus educandos, como dizia Pitágoras “Educai as crianças, assim não serás necessário julgar os adultos”. Todos nascemos com uma boa consciência, aprimorado-a quando crianças é possível que nos tornamos adultos de dignidade e respeito. Deve-se esclarecer que a entropia que se manifesta na educação em nossa sociedade encontra-se nos governos, dando prioridade para investimentos capitalistas onde o mundo se encontra em uma crise climática. Colocando em questão que os seres humanos são auto-determinantes e cada um escolhe seu caminho, não podemos deixar de citar que para alguns o caminho já esta definido, como citado acima, sendo assim, a escolha mais fácil seria o caminho da inconsciência.

 Devemos compreender onde é o espaço da humanidade no planeta terra, respeitando todas as formas de vida, exercitando propósitos conscientes, vivendo em harmonia, porque pode-se fugir de todos os problemas exteriores, mas da consciência não se pode escapar, traçaremos muitas batalhas para nos tornar autoconscientes. Segue abaixo trecho da carta do chefe indígena Seattle para reflexão.

 Isto sabemos, todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família….

Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra, O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz a teia, faz a si mesmo.  Chefe  Seattle

 

                                                                                 Gustavo G. Sanches

Read Full Post »

800pxMarina_Silva_2007

Após a criação do conceito de desenvolvimento sustentável em 1988 pela Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, as organizações tanto públicas como privadas vêm buscando, vale dizer que aquém do ideal, aliar crescimento econômico sem comprometer as futuras gerações. Nessa esteira que em 1994 John Elkington criou o termo triple bottom line, conhecido no Brasil como o tripé da sustentabilidade, que consiste na orientação organizacional para resultados econômicos, sociais e ambientais. Por outro enfoque, ao contextualizarmos o termo para uma nação, caracterizada como república, que significa “coisa do povo”, já era de se esperar o trato especial pela coletividade, entretanto não é isso que vemos, já que os países desenvolvidos e em desenvolvimento ainda são muito influenciados pelo contexto de Adam Smith do século XVIII, que definiria o potencial das nações por meio da riqueza material.

Fortalecendo o assunto, ao analisarmos os governos democráticos brasileiros percebemos um forte apelo econômico, passando pelo controle da inflação e culminando na gestão FHC. Com a chegada do ex-metalúrgico Lula ao poder teve-se a orientação baseada não só na economia, como também no social. Mas e agora, as eleições serão em 2010 e o quadro político estava se desenhando com dois candidatos desenvolvimentistas, José Serra e Dilma Roussef. Eis que nas últimas semanas a senadora Marina Silva recebe o convite a se candidatar para presidência da república pelo PV.

Convém ponderar que essa mulher tem uma biografia fantástica, nascida no Acre trabalhou na extração da Seringa em sua infância e parte da adolescência, foi alfabetizada aos 16 anos e aos 26 formava-se em História, dedicando-se a dar aulas. Foi companheira de Chico Mendes no início da sua vida política, e é hoje uma das personalidades mais influentes do mundo, laureada com dezenas de títulos, no que se destaca o “Champions of the Earth” oferecido pela ONU, além de ser reconhecida pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 pessoas para salvar o planeta.

É importante frisar que para o completo ciclo do triple bottom line no governo brasileiro será necessário a orientação de base ambiental junto ao sócio-econômico. Estamos a pouco mais de 100 dias do maior evento na história dedicado ao Meio Ambiente, o COP-15 a se realizar em Copenhagen vai projetar mudanças importantíssimas para o futuro da humanidade. Não resta dúvida de que após essa conferência a discussão ambiental ganhará muito terreno, e a candidatura de Marina Silva consagrará essa bandeira. Inadequado seria esquecer também que Barack Obama venceu justamente com sua campanha baseada no econômico-social-ambiental. Será que aqui também será possível?

Gustavo Góes

Read Full Post »

Atlantida3

Ao longo de nossas vidas absorvemos inúmeras abordagens de Atlântida, que com diferentes linhas de raciocínio é para muitos um antigo reino que está submerso em algum local mar a dentro, outros apontam como sendo dos povos ancestrais do continente americano, e alguns estudiosos até figuram-no como uma nave extraterrestre colonizadora de nosso planeta. Interpretações à parte, é fato que conferindo as várias teorias e hipóteses, constata-se o mistério que cerca o possível reino. Vale lembrar que a primeira menção ao assunto realça a abundância em minérios e vegetais no local, e convém ressaltar o debate da possibilidade do reino ter sido criado como metáfora de alerta para uma catástrofe. Nessa linha de análise que Platão, não se sabe se apenas com o intuito de criticar a sociedade grega da sua época, elucidou que a cobiça e ambição de Atlântida foram responsáveis por sua destruição.

Não tenho a intenção de anunciar nenhum dilúvio, mas o assunto deve ser tratado sem leviandade. Características elencadas pelo filósofo para a decadência de Atlântida podem ser vistas nos dias de hoje, desde a ostentação dos recursos pela minoria até a cobiça de dominar outras regiões. Tais acontecimentos geram o desequilíbrio de Gaia, a Mãe Terra e refletem que o homem ainda não aprendeu a viver em harmonia com sua casa.

Junto às várias situações graves de desrespeito para com o planeta que já se tornaram lugar comum, como a explosão demográfica humana, aumento de gases de efeito estufa, e o uso 30% superior aos recursos naturais disponíveis, a mais alarmante é a questão da água; ela que compõe mais de 2/3 do nosso corpo já dá sinais importantes há algum tempo. Dados atuais apontam que 4500 crianças morrem todos os dias no mundo por doenças causadas por água insalubre, na cidade de Amã na Jordânia a população recebe água no encanamento apenas por 12 horas 1 vez por semana. Paradoxalmente, aqui onde a temos em abundância usamos-a para lavar calçadas, mesmo depois de ela chegar em nossas torneiras após tratamento, e enquanto isso a água da chuva nas cidades não é aproveitada e devido ao solo impermeabilizado pelo concreto e asfalto ela acaba alagando locais baixos e levando todo tipo de lixo para os rios.

Como se observa, não conseguimos adequar as questões de interesse comum. Ao depararmos com questões ambientais muitos se esquivam do debate alegando que é uma discussão de âmbito público, ou então que as nações abastadas devem ser responsabilizadas. Certo é que não devemos nos esconder em desculpas, ou agirmos por ideologia alheia, somente caminharemos em harmonia com Gaia quando nos conscientizarmos do nosso papel.

Em última análise, cabe a essa geração se livrar do paradigma cartesiano, de análise das partes, o qual foi nos estabelecido desde criança ao viabilizar o conhecimento em disciplinas. Como diria Arne Ness, o pai da ecologia profunda, é na ampliação do “eu” para o contexto ecológico, ou seja sistemático e interdependente, que o indivíduo abraça o outro ser sem a necessidade de advertências morais.

Gustavo Góes

Read Full Post »


untitled2

Preciosa é a contribuição de Platão, filósofo grego, ao relatar em A Parábola da Caverna, a complexidade que a “visão ofuscada” traz ao homem. De forma sucinta, ele aborda que ao se deparar com drásticas alterações em seu cotidiano, convém ao indivíduo se identificar no novo patamar, compreendendo gradativamente os novos fatores que vão o interferir. Porém, no intuito de passar o conhecimento adquirido aos seus companheiros de caverna, ele é denominado aventureiro, devido ao ceticismo dos outros em relação ao novo. Platão, com essa estória que perdurou gerações, descreveu sua época, na qual seus conterrâneos se guiavam apenas pelo senso comum, permanecendo na ignorância. Paradoxalmente, o filósofo era o indivíduo que se libertava da escuridão à procura da luz da verdade. A luz significa o conhecimento, e à medida que o adquire, o homem deixa de lado conveniências e alienações, tendo uma compreensão maior dos fatos que acontecem em sua vida.

Nessa linha de análise, Maurício de Souza ilustrou seu personagem Piteco, que vive ambientado na idade da pedra, no quadrinho As Sombras da Vida. O autor, fazendo analogia às idéias de Platão, conta de forma mais positiva a libertação, de forma que os personagens alienados saem da caverna por interferência Piteco, que se esforça a mostrar a verdadeira vida que não conhecem. Eles então, após um primeiro momento de cegueira pela superexposição de luz, se encantam com as paisagens novas e a riqueza de vida. Nessa esteira, o quadrinho finaliza com o protagonista evoluindo até os dias atuais, no qual se depara com personagens que, ao invés da caverna com sombras, estão alienados com a televisão.

Outro autor contemporâneo aproveitou a premissa de Platão. No livro Quem mexeu no meu queijo, Spencer Johnson descreve comportamentos peculiares do ser humano. Exemplificado em quatro personagens, começa por dois duendes, que demonstram a acomodação das pessoas ao se depararem com tribulações. Num primeiro exemplo, o duende fica lamentando os problemas encontrados, e só depois de um bom tempo volta a acreditar em si mesmo, se preparando e saindo a procura de soluções. Este, com mais iniciativa, tenta convencer seu companheiro da necessidade de se adaptar as mudanças, todavia, o outro personagem, além de se queixar, ainda carrega vários medos do que pode encontrar, se sair do seu mundinho de conveniências, então prefere permanecer. Por outro enfoque, os outros dois personagens são ratinhos com atitudes mais positivas diante dos problemas enfrentados. O desenlace que o livro salienta é a crítica das atitudes dos homens, que se esmorecem com as dificuldades e demoram a procurar novos rumos, sendo que poderiam ser mais práticos e positivos.

Posta assim a questão, é possível constatar nos dias atuais várias questões que turvam a sabedoria do homem. A que mais aterroriza a humanidade, ao menos deveria, é a forma desenfreada de exploração dos recursos naturais do planeta. A mesma sociedade da informação, ou do conhecimento, como é assim denominada; é a responsável por consumir 130% dos recursos da Terra. Ou seja, esta se consumindo do planeta mais do que ele é capaz de se auto-regenerar. São dados da WWF, entidade não governamental que atua mundialmente a favor da proteção da natureza. Ela divulgou o relatório Planeta Vivo 2008, onde apresenta através de resultados de pesquisas, números alarmantes do uso das riquezas naturais.

Se por um lado a sociedade moderna se desenvolveu tecnologicamente alcançando inúmeros avanços, por outro, quem sofreu as baixas foi a grande Casa mantenedora das riquezas, a Terra. Nunca é demais lembrar que tudo que se consome vem de alguma parte do planeta, e essa exploração desenfreada chegou a tal ponto devido à negligência de comunidades que adotaram estilos de vida altamente consumistas. Tudo que seu dinheiro pode comprar, ele o faz, sem pensar de onde veio e quais efeitos causaram o ciclo de produção daquele produto. No rótulo de uma mercadoria não vêm descritos os impactos de sua produção, se por exemplo a energia utilizada veio de uma hidrelétrica que acabou com a história de ribeirinhos que tiveram que se mudar do local onde passaram suas vidas, ou culminou na perda da biodiversidade de uma região.

Como se há de verificar, o sistema econômico utilizado nos dias de hoje se tornou insustentável, à medida que a população é mantida por produtos e serviços que não contabilizam os custos e déficits ambientais. Quando foi criada, a economia se tratava da técnica que visava atender as necessidades da humanidade, com comunidades distribuídas geograficamente e suas respectivas peculiaridades. Aconteceu que no mundo moderno o capitalismo não só atendeu as necessidades do humano, como também se impregnou em grande parte da estrutura social, como a política, ética e a ciência.

Cumpre observar, todavia, a existência de esforços para mudança de paradigmas. Foi com essa intenção que surgiu o termo sustentabilidade, segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem, “é a qualidade de se auto-sustentar sem agredir os recursos naturais, mantendo o meio-ambiente sadio e equilibrado para as presentes e futuras gerações.” Adaptando-se ao capitalismo adveio o termo desenvolvimento-sustentável, que é cercado de controvérsias, de acordo com o filósofo e teólogo Leonardo Boff “é uma contradição, pois, os dois termos se rejeitam mutuamente. A categoria ‘desenvolvimento’ provém da área da economia dominante. Ela obedece à lógica férrea da maximalização dos benefícios com a minimalização dos custos e do tempo empregado. A categoria ‘sustentabilidade’ provém do âmbito da biologia e da ecologia, cuja lógica é contrária àquela deste tipo de ‘desenvolvimento’”.

Como remate é importante frisar a importância de se mudar rumos e empregar a sustentabilidade, através de educação e consciência ambiental, potencializando o cuidado com a grande fonte de vida que é a Terra. Platão possivelmente diria que a sustentabilidade é a luz para o ser humano se libertar do sombrio consumismo que devasta e saqueia as riquezas do planeta sem nenhum pudor.

Gustavo Góes


Read Full Post »