Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘eleições’

Eneias, Anquise e Ascânio - Gian Lorenzo Bernini 1619

Todos estamos passando por uma fase de transição, é só lermos os jornais e revistas que veremos a democratização dos termos consciência ecológica, desenvolvimento sustentável, direitos humanos, dentre outros. Pode-se notar também o aumento do número de pessoas engajadas nas causas sociais, no voluntariado como exercício ético, na luta por um mundo melhor. Penso eu com meus botões, por que todos esses ótimos exemplos não atingem uma magnitude global, por que não globalizar o acesso universal a água, ao alimento, a moradia, a uma Mãe Terra feliz e orgulhosa de seus filhos? Pois bem, nesse contexto pode-se dizer que Gaia encontra-se entristecida e virulenta, e a razão disso é nossa ganância e individualismo, nosso modelo globalizacional insustentável e excludente que permeia as mais íntimas entranhas de nosso planeta.

A globalização econômica em sua forma mais inexpugnável culminou não somente na depredação da natureza, extinção de espécies e gestos de solidariedade e afetividade humana, mas também numa mercantilização de cultura, cujo cerne se encontra no âmbito estadunidense, no qual grande parte dos países ao redor do globo almejam um desenvolvimento econômico-cultural como o das estrelas de Hollywood, deixando de lado todo o processo histórico-geográfico que cada região desenvolveu empiricamente. Pesquisas revelam que se todos os países consumissem como os Estados Unidos consomem, necessitaríamos de cinco ou mais planetas para suportar o ultraje cometido com nossa “Mãe Terra”. De todo modo a cultura norte americana encontra-se em crise, os americanos estão consumindo cada vez mais para poderem maquiar a falta de conexão uns com os outros, e isso se prolifera gradativamente com as síndromes de metrópoles, moldando paisagens urbanas com prédios e fábricas, buzinas e pistões automotivos, encobrindo o canto dos pássaros e nos distanciando do diálogo com a natureza, criando dependência da mecanização para com as tarefas manuais, engendrando conforto e requinte que somente uma pequena casta gozará.

Contanto surge-se paulatinamente uma parcela de indivíduos dispostos a construção de coletivos éticos, condicionados a uma mudança de paradigma civilizatório, que se baseia no utopismo dialético, ou seja, uma forma de utopismo espaço-temporal em que as capacidades geográficas e potencialidades humanas sejam incorporadas como forma de intervenção nos dogmas predeterminados. Quem são esses indivíduos que estão implantando o utopismo em seus espaços geográficos? São todos aqueles que estão atônitos com o desumanizante processo atual, que estão agindo como efeito multiplicador por um desenvolvimento ecológico e social inerente a produção do capital, esta que na maioria dos casos utiliza de seus recursos por meio do  pensamento arcaico de progresso a todo custo, causando danos para o ambiente e seus trabalhadores, aqueles que persistem na produção do conhecimento, de proporcionar os  direitos naturais de alimentação, de água, de liberdade de escolha e cooperação.

Como é ano eleitoral em nosso país veremos muitas demagogias e ilusões de nossos excelentíssimos candidatos, porém, cabe a nós cidadãos eleitores, sujeitos ativos e condicionados no saber democrático, decidir qual o melhor caminho para se seguir, um futuro democrático e justo em todas as esferas, ou um futuro cataclísmico que nos levará ao precipício. Sendo assim, continuamos sonhando com um país cujo mapa geográfico inclua a utopia, como no dizer do laureado escritor Irlandês Oscar Wilde: “Um mapa do mundo que não inclua utopia não merece nem mesmo uma espiada”.

Gustavo G. Sanches

Read Full Post »