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Henri Matisse -  A Dança (1910)

Henri Matisse - A Dança (1910)

Dias atrás pessoas debatiam próximo a mim sobre a possibilidade de um mundo melhor, um era fundamentalista religioso que vive na sua comunidade tranquila respeitando seus irmãos e as coisas da terra, era cético em relação a um mundo melhor fora das suas crenças; o outro era um jovem cheio de vitalidade para fazer que suas atividades tenham o propósito do bem comum. Ouvi dizer numa certa vez que as duas coisas que apequenam a humanidade são a dúvida e o complexo de inferioridade, teria o segundo rapaz sucesso em sua peleja no mundo cheio de insensatez, a buscar dias melhores?

Como se há de verificar, o pessimismo do religioso talvez possa ser explicado por vivermos num mundo cheio de oprimidos e vilipendiados, e para personificar essa situação não se pode deixar de citar a economia como grande responsável pelas mazelas atuais. Essa ciência surgiu para suprir as necessidades humanas através do fluxo de mercadorias, no entanto é só ligar o noticiário ou ler o jornal que se percebe que quase tudo é quantificado economicamente. Em vez de uma ciência que se atenta na sua principal função, ela encontrou no modelo capitalista a oportunidade da construção de pirâmides, isto é, sociedades hierarquizadas que com a orientação organizacional cartesiana de Taylor*, potencializou a exploração da terra e dos povos da terra, estabelecendo como abissal a distância do cume da pirâmide, onde estão os que detêm a tecnologia, conhecimento e capital, até a base que fornece os recursos e o suor para a geração do material econômico. Saliente-se que em toda essa conjuntura, disfarçada e conhecida como crescimento, ainda há espaço para a ilusão da filantropia barata na qual, salve raras exceções, esposas de altos executivos se gabam com suas fundações que fornecem os restos de sua classe, ou talvez alguns % dos seus contracheques, resultando na missão cumprida do seu ego, publicidade do seu sobrenome e no rebaixamento de quem os recebe, pois o sistema continua a “todo vapor”, ricos mais ricos e pobres buscando seu lugar ao sol, criminalizados na mídia por invadirem terras ou excluídos da mídia os milhares de escravos existentes.

Ufa… Esse é o mundo, será possível melhorá-lo? Essa dúvida já não cabe, é tarde para ser pessimista, é PRECISO melhorar o mundo! Alguns acham utopia, quiçá um sonho, muitos melhorarão o mundo pelo medo das previsões da pobreza, dos refugiados climáticos e da insegurança, outros pela esperança da salvação numa outra vida, a questão é que o mundo melhor só se pode melhorando a nós mesmos, a chamada revolução molecular, fazendo o bem com gratuidade, não o reduzindo a atos isolados de fim de semana, mas sendo o bem, eterno ao ponto de se expressar na forma involuntária.

O mundo é uma grande rede, tudo está interligado e o bem nunca será solitário. A única coisa construída de cima para baixo é o poço, o mundo melhor surge nas atitudes de cada um, através da nossa alegria que se contagia, respeito, gratidão, consumo consciente, enfim, da humanidade. Por tais razões surge a pergunta: Você está melhorando o mundo?

*Criador da administração científica, caracterizada pela especialização das tarefas.

Gustavo Góes

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A. Soares

A. Soares

Conforme a definição do dicionário Houaiss, esmola é a dádiva caridosa feita aos pobres. O Brasil conta com 19,3% da sua população abaixo da linha da miséria segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de 2006, o indivíduo miserável é enquadrado de acordo com a instituição quando a renda per capita do domicílio não ultrapassa R$125,00. Como se observa na definição do dicionário, a esmola não distingue a situação do indivíduo necessitado. Embora a discussão da esmola na maioria das vezes se delimita aos mendigos e pedintes de semáforos dos aglomerados urbanos, a questão é muito mais ampla e cabe a distinção dos casos para melhor compreensão e discussão do assunto.

Posta assim a questão, é de se dizer da discussão atual em relação à esmola oferecida àqueles que estão à rua, maltrapilhos e pedindo moedas. Indubitável é a necessidade deles, já que perderam a dignidade de buscar uma oportunidade que lhe ofereça sustento, ficando resignados a pedir algumas moedas em qualquer esquina por aí. Uma vertente continua sensibilizada com o que vê na rua e ajuda com algumas moedas enquanto o sinal esta no vermelho, enquanto outros insistem na ideia de que ao ajudá-los ficarão preguiçosos, não indo em busca de trabalho, e alegam que isso é um problema maior que deve ser tratado por políticas públicas. Poxa! É óbvio que é um problema maior, enorme por sinal, pois seres humanos que não tiveram um bom lar com boa formação, ou por suas limitações não alcançaram o mínimo de êxito em alguma atividade, caíram no esquecimento, provavelmente não tiveram também amparo de uma base familiar e estão as margens da sociedade.

Saliente-se ainda que a forma que se da esmola a essas pessoas em grande parte das vezes é em algumas moedas, não se pode desprezar essa ajuda é claro, já que é um gesto caridoso com o intuito de ajudar naquele momento. No entanto, isso reflete a sociedade materialista que se vive hoje, na qual se acredita que a necessidade se resume a questão financeira. É muito vago pensar dessa forma, haja vista que a pessoa “marginal” precisa da compaixão do outro, ou seja, a simpatia piedosa para com ele. Somente se colocando no lugar do outro é que se vai perceber que a necessidade também é de carinho, de um sorriso, de gestos de amor que o motivam a acreditar novamente nas belezas da vida.

À guisa de exemplo, pode-se citar a Toca de Assis, entidade que se inspirou na obra de São Francisco e se dedica ao acolhimento dos pobres, oferecendo alimentação e cuidados especiais por gestos de compaixão. A atitude dessa instituição não é unívoca, visto que setores da iniciativa privada estão há algum tempo preterindo as instituições assistencialistas a projetos de recolocação social e profissional, ou seja, incentivam o acesso ao mercado de trabalho. Esse aporte financeiro das empresas é motivado pelo retorno positivo na imagem corporativa, à medida que aliam sua comunicação como socialmente responsável apoiando projetos positivos que dão nova função as pessoas assistidas. O que leva a entender que quem ajuda instituições assistencialistas pode ter sua imagem maculada de alguma forma. Embora sejam ações necessárias, cada caso é diferente, não se pode tratar como algum certo e outro errado de maneira geral. Um velho provérbio retrata uma atitude de Maomé, quando recebeu um homem dizendo que sua família passava fome e viera pedir socorro, ele então lhe deu 2 moedas dizendo que a primeira seria para comprar comida, e a outra para a compra de um machado para cortar lenha. Depreende-se que não apenas se deve resolver o problema imediato, mas ajudar para que não se repita.

Aos que consideram a esmola como problema maior, registra-se que o Brasil teve em sua origem alguns poucos senhores feudais que detinham gigantescas áreas, e comparando-se a proporção demográfica com os dias de hoje não se vê muita diferença, já que ainda permanece no país grande parte de latifundiários que detém o poder fora das cidades, gerando riquezas a poucos e não cumprindo a função social em suas propriedades. Nessa esteira, também o estado ao longo de décadas conhece o problema, mas se omite ao não articular a reforma agrária de forma considerável, o que pulverizaria a diferença de riquezas abissal entre ricos e pobres do país.

O Brasil vem se consolidando com potencia mundial ao longo dos últimos anos, entretanto, cumpre assinalar que a grande necessidade é de se potencializar na distribuição de condições. Recentemente se viu nos noticiários a atitude do poder público no Rio de Janeiro, em que colocou divisórias nos assentos situados em áreas públicas da cidade do Rio para que andarilhos e sem tetos não se deitassem. Essa atitude maquiadora é típica nesse país, onde seus cidadãos têm o péssimo hábito de reclamarem e citarem maus exemplos, eximindo-se de responsabilidades e aguardando ações de outros. Só não se sabe quem são os outros. Urge essa mudança!

Gustavo Góes

p.s. embora o blog se intitula pense verde, o autor se sentiu no dever de publicar o presente texto entendendo que todo ser humano está inserido na natureza. Cabendo o pensamento verde ao bem comum!

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