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Posts Tagged ‘Londrina’

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Foto: Roberto Custódio/Arquivo Jornal de Londrina

 

Até agora, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não explicou para a comunidade científica do Paraná e à população de Londrina o motivo pelo qual diminuiu quase 30% da zona de amortecimento que protege o Parque Estadual da Mata dos Godoy (PEMG). O PEMG é a maior floresta nativa de Mata Atlântica existente por aqui e a mais biodiversa do Norte do Paraná. Por abrigar de onças a antas, de perobas a palmitos, é área federal prioritária para a conservação.

A zona de amortecimento (ZA) é um buffer – previsto em lei federal – que serve para diminuir impactos perto de Unidades de Conservação (UC). A existência da ZA serve para prevenir, por exemplo, que uma indústria poluente se instale ao lado de uma mata, o que significaria a morte do ecossistema, ainda se a floresta restasse em pé. Em três meses, sem consultar a comunidade científica paranaense dedicada à Mata dos Godoy (e que trabalha no assunto desde antes mesmo de tornar-se parque), o IAP revisou a zona de amortecimento – para menos. Na surdina, o IAP decidiu que era melhor que o buffer da Mata dos Godoy ficasse quase um terço menor.

Sem ouvir nem mesmo o Conselho do Parque, o órgão produziu e aprovou um documento de 13 páginas com um suposto embasamento técnico. Nele, o IAP afirma claramente que a medida foi motivada por pressões imobiliárias e ruralistas de Londrina. Frágil, o relatório do IAP comete impropriedades e exclui da ZA até mesmo um conjunto de nascentes do Ribeirão Apertados, que corta a Mata dos Godoy. Ninguém entendeu. O documento não explica.

A zona de amortecimento de um parque é sempre rural. Fazendas, pasto, restaurantes rurais, chácaras de lazer, hortas, pesque-pague – tudo que “combina” com a existência da floresta é permitido nela. Medida de inteligência que serve como escudo para fragmentos de Mata Atlântica como o PEMG. Além da própria Mata dos Godoy, a ZA, reduzida, envolve 62 pequenas e médias florestas conectadas em um ecossistema entre Londrina, Arapongas e Apucarana. É nosso maior ativo ambiental, inexistente em outras cidades brasileiras que optaram pelo concreto total.

Resta tão pouco de Mata Atlântica no Norte do Paraná – só 8% da original – que a única medida viável para alterar a zona de amortecimento, neste contexto, seria aumentar cuidados ambientais com a região da nossa floresta. Não é possível instalar parte da cidade em uma ZA; muito menos destiná-la a indústrias de alto risco, como deseja a prefeitura de Londrina, agora com a concordância do governo do Paraná.

Por princípio do Direito Ambiental, é incabível retroceder proteções. Antes de rediscutirmos qualquer proteção, há uma lição de casa pendente para a industrialização de Londrina. Por zelo pelo espaço urbano, Londrina ainda precisa reformular e encher as áreas industriais onde já existe infraestrutura precária, lotes abandonados e poucas ou nenhuma empresa, denúncia já feita pela própria Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).

Proteger menos é não apenas ilegal como surpreendente. Uma ação de Estado curiosa, desencadeada pelo próprio órgão ambiental, como se tomado por amnésia da sua única razão de existir.

Estamos a postos com o que temos: a ciência, seriedade técnica, as leis ambientais do nosso país. Os responsáveis pela redução da proteção à mata – gestores do IAP em Londrina e Curitiba e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente – ainda devem explicações. Sempre é tempo de recuar de um erro. Quem comanda e trabalha no órgão precisa erguer-se do que é mais rasteiro e olhar-nos como sociedade, ao nível dos nossos olhos, para discutirmos a real importância da Mata dos Godoy para Londrina e o Norte do Paraná.

Inaceitável reduzir um ecossistema de tal importância a uma decisão movida pelo imediatismo, pela pressão econômica banal e falta de legitimidade. Não coloquem a história do IAP no mais pantanoso descrédito.

Gustavo Góes é gestor ambiental da ONG MAE. Alba Cavalheiro é bióloga na UEL. Marcelo Frazão é jornalista da ONG MAE.
*Artigo publicado originalmente na coluna opinião do jornal Gazeta do Povo em 22/10/2016.
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nascente do rio tres bocas

A imagem acima não remete à cidade de São Paulo, sofrendo com as enchentes. Essa é a nascente do Três Bocas, rio que surge em Arapongas, atravessando a cidade de Londrina para afluir ao rio Tibagí. É de verificar-se a grande quantidade de resíduos plásticos na foto. Isto se, deve em grande parte, pela negligência da população humana para com as sacolas plásticas. Muitas vezes, para levar da farmácia uma caixa de comprimidos se usa uma sacola, e exemplos não faltam. Quem já não viu no supermercado a dona de casa colocar poucos produtos em cada sacola ou reforçá-la com outra. E para onde vão as sacolas?

Sabe-se que 56% do lixo plástico no Brasil são constituídos por sacolas usadas apenas uma vez.

9,7% do lixo gerado são de sacolas plásticas.

Anualmente, produz-se 18 bilhões dessas sacolas em nosso país.

Pasmem, é um “montão” de sacolas! E elas não apenas deixam feias nossas paisagens. Sua decomposição é de até 500 anos. Esse resíduo é o que mais poluí cidades e campos, entupindo vias pluviais e prejudicando animais, estes que chegam a se asfixiar com os sacos.

O uso delas veio a explodir no Brasil a partir da década de 1980, crescendo junto com o consumismo da população. Cumpre observar, todavia, várias ações da iniciativa privada, visando diminuir o uso das sacolas. Dentre elas, se destacam:

– Redes de supermercados se mobilizam dando desconto de R$0,03 a cada sacola não utilizada;

– padarias incentivam o uso de sacolas retornáveis produzidas com algodão (fonte renovável).

Outra alternativa que vem sendo utilizada, sobretudo pelos supermercados, é o uso das oxi-biodegradáveis, a qual necessita de uma análise mais detalhada. Esse tipo de plástico usa a o processo de alto-degradação, ou seja, ele contém aditivos que em contato com oxigênio aceleram sua degradação para até 18 meses. É bem verdade que o tempo que ela “aparece” no meio-ambiente é bem menor, comparado às sacolas convencionais; porém, é de se lembrar que são produzidas, assim como as convencionais, por meio de resina derivada do petróleo. Ao se degradar, esse plástico não será mais visto, no entanto, ele estará presente na forma de micro-partículas que poderão contaminar os ecossistemas.

Como se observa, é de extrema importância o estudo dos impactos ambientais causados por essas embalagens. E, somente com o conhecimento desses estudos, deve-se empregar ou não novas tecnologias no segmento das embalagens plásticas.

Em virtude dessas considerações, cumpre ressaltar a importância de se buscar novas atitudes para a diminuição do uso, não só das sacolas plásticas, mas de todo tipo de embalagem. Registre ainda a responsabilidade para com o destino de todo o lixo que geramos. Como reflexo dessas, teremos um planeta mais limpo e saudável, não havendo imagens como a do rio acima que é fonte de vida para nossa região.

Gustavo Góes

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