Um grito de Liberdade

•Outubro 20, 2009 • Deixe um comentário
Claude Monet - soleil levant - 1872

Claude Monet - soleil levant - 1872

 

Perante a constituição da vida somos seres livres como os pássaros, voaríamos sem destino sendo beneficiados somente pelo vento que sopra demasiado.  Quão bom alimentar uma utopia desta nos dias de hoje, onde gradativamente a sociedade nos impõe barreiras tangíveis e intangíveis ao longo de nossos “vôos”.

 Cumpre enfatizar que muitas vezes essas barreiras não são perceptíveis, mas acabam nos manipulando, não nos dando direito de opinião, de escolha, até mesmo de opção, sendo que somos dominados pelo monopólio vigente. Fazendo uma analogia com os pássaros, que definitivamente são seres livres, pensemos o seguinte: Como podem os pássaros cantar, quando seus arvoredos estão sendo cortados? Como pode o homem ser livre sendo que a sociedade o reprime e o manipula perpetuamente?

 No começo de nossa existência éramos limitados somente pela Terra, pelo Oceano e pelo Céu, não havia guardas de fronteira, nem funcionários de alfândegas, éramos atraídos pela curiosidade de explorar novos horizontes. De fato no mundo contemporâneo os temidos exploradores já se aposentaram há algum tempo.

 A sociedade contemporânea não aprendeu muito com nossos antepassados que tinham tanto para nos ensinar sobre seus conhecimentos telúricos, preferimos usar a tecnologia como um fim, visitando lugares pela internet, se apaixonando pela internet, usando somente a razão, deixando de lado o “pathos” do ser humano, que é o sentimento, a capacidade de simpatia, dedicação, quando na realidade deveríamos usá-la como um meio, nos ajudando a interagir para o bem e futuro comum. Não sentimos mais a grama molhada de orvalho pela manhã, e sim o asfalto cinzento refletindo a vida que nós levamos. As barreiras que muitas vezes não percebemos é que nos distancia da natureza, levando em conta que o ser humano é parte e parcela da natureza, nós devemos co-existir com ela, interagindo com uma visão holística de mundo e não nos fechando em nossos mundos dissipados.

 Esta nova ótica para a sociedade se define na mudança de ética, tanto política, educacional, quanto econômica, deve-se mudar o pensamento de que tudo na natureza vira produto, e de que este produto deve ser linearmente descartado, devemos aprender que estamos na Terra com o mesmo propósito, independentemente de credo religioso, nacionalidade, etnia, etc. O mundo que habitamos não é nada alem de um ponto no espaço e ainda assim fomos privilegiados com a Vida, devemos desfrutá-la intensamente, mas não somente de maneira racional e sim emocional, temos que aprender a contemplar as coisas simples da vida, de contemplar nosso papel na Terra, olhar para uma cachoeira e naquele momento sentir que numa intricada rede de relações nós somos parte dela, e nos sentir livre, fora de qualquer pensamento na escala lógica.

 A liberdade nos será concedida no momento em que aprendermos onde é nosso lugar na Terra, co-existindo com a natureza como um todo, deixando de lado nosso individualismo e assim talvez conseguiremos ser livres como os pássaros.

 

                                                                                  Gustavo G. Sanches

Déficit de recursos naturais em Gaia – ”blog action day”

•Outubro 15, 2009 • Deixe um comentário
Candido Portinari - Os Retirantes (1944)

Candido Portinari - Os Retirantes (1944)

A vida inteligente em nosso planeta conseguiu recentemente mais um feito, alcançamos já em 25 de setembro o uso dos recursos naturais necessários para o ano todo. Essa marca é contabilizada pela Global Footprint Network levando em conta os recursos para atender as demandas humanas, não só alimentação como também todo tipo de produto e serviços com suas respectivas energias utilizadas. É de se ressaltar a importância desse dado já que estamos extraindo mais do que Gaia nos fornece.

 Para entendermos melhor essa conta negativa, basta olharmos os desequilíbrios diários que a natureza sofre. O grande exemplo é o aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, este gás é essencial para a vida na Terra, no entanto após a Revolução Industrial vem sendo emitido de forma exponencial pelas atividades humanas, sendo um dos principais gases que acarreta no aumento do efeito estufa, consequentemente o que conhecemos por mudanças climáticas. Tal desequilíbrio é o mais alarmante e por isso mais presente na mídia comum, entretanto convém ressaltar que pagamos a conta do uso superior dos recursos também com a poluição hídrica, desertificação, perda da biodiversidade, entre outros. Cumpre observar que toda essa conjuntura deverá refletir em inúmeros desastres ambientais num futuro não muito distante.

 Vale dizer que dias atrás a ONU apontou que em 2050 dever-se-á produzir 70% mais alimento que hoje para atender a população mundial naquele ano. Mesmo sabendo de tais previsões e já com mais de um bilhão de indivíduos passando fome pelo mundo nossos lideres ainda insistem no ‘’crescimento’’ econômico, num modelo excludente e que trata a miséria e a degradação ambiental como externalidade. Talvez a humanidade esteja corrompida pelo pensamento positivo pregado nos atuais livros de auto-ajuda, podemos estar imaginando que a tecnologia evoluirá ao ponto de produzir alimento para o mundo com condições cada vez piores, ou ate mesmo colocamos esperança de encontrar outro planeta habitável no universo para nos transportar. Tomemos cuidado com a crença de que o pensamento positivo sozinho possa nos trazer o bem, lembro a filosofia estóica que coloca como mister a preparação para os males, convém assinalar que ela aborda essa questão diferenciando os males inevitáveis dos que estão ao nosso alcance. Os primeiros, segundo os estóicos, sem duvida não devemos tê-los em preocupação devido à falta de autonomia diante de tais acontecimentos, é o caso da morte, por exemplo, pensamentos amargos a respeito só nos trará infortúnios. Entretanto outros males podemos levar em consideração e nos prepararmos melhor para enfrentá-los, isto é, aqueles quais podemos ter controle.

O que pretendo elucidar com as considerações acima é que levemos a serio o uso de nossas fontes da vida, esse estresse que estamos causando no ambiente reflete na miséria atual dos países pobres e com o passar dos tempos cada vez mais pessoas serão atingidas pelas mutações de Gaia. É importante que estejamos preparados para esses males, assim como se faz indispensável saber que os famintos do mundo são um problema evitável, ao pararmos de consumir mais que o necessário estaremos contribuindo para que mais pessoas tenham acesso a alimento.

Gustavo Góes

Bilateralidade universal

•Outubro 6, 2009 • Deixe um comentário

vicent van gogh - noite estrelada 1889

Imagem: Vicent Van Gogh – Noite Estrelada 1889

 

Rumo à cúpula da ONU que será realizada em Copenhagen, o tão noticiado COP 15, conferência sobre mudanças climáticas que ocorrerá em dezembro, sendo que governos do mundo todo decidirão um futuro para as mudanças climáticas, onde os líderes de todas as partes se encontram em uma bifurcação, tendo um só caminho como destino certo. Esta bilateralidade acompanha a humanidade desde o seu surgimento, criando-se sempre os “dois lados da moeda” a fusão da matéria com a não conhecida anti-matéria criou-se o universo, e se estendendo por toda a estória planetária nos deparamos com os dois opostos.

Por um lado a tarefa dos representantes da conferência pode-se basear no mesmo do mesmo, mantendo um modelo de capitalismo insustentável para com a existência da vida na Terra, e por outro, transcender para um modo-de-ser-cuidado, cuidando da casa comum, buscando uma dimensão ontológica do ser humano, replanejando nossas políticas atuais, tendo como base para uma sustentabilidade planetária, os ecossistemas, que em seu modo-de-ser vivem em ciclos, o que é resíduos para uns, é alimento para outros, outro ponto importante de citar é a dependência do Sol, sendo que nós podemos e temos oportunidades obviamente discutidas de usarmos energia solar, abandonando a queima de combustíveis fósseis.

 

Poucos são os que estão visando seguir um caminho diferente, entretanto, a situação não lhes deixa muitas opções, sendo que as recentes pesquisas sobre o impacto humano a Terra tem trazido dor de cabeça a muitos que almejam deixar de herança para seus filhos e netos o mundo com as mesmas oportunidades com a qual lhes foi entregue. O aquecimento global é uma ameaça visível, principalmente no Ártico, onde o degelo está em um acelerado processo contínuo, não obstante a isso, urge citar muitos outros problemas que o aquecimento global causa a Terra, a acidificação dos oceanos, a desertificação levando a fome a milhares de pessoas, o aumento do nível do mar trazendo milhares de migrações climáticas, entre inúmeros outros, colocando em risco toda a fauna aquática, terrestre e nós seres humanos. Não faltam sinais de alerta, e para trilhar o rumo certo se deve também integrar uma sinergia ecológica, somando esforços para suprir nossas reais necessidades.

 

O ser humano como ser pensante, homo sapiens, na definição homem sábio, tem a capacidade de auto-percepção, o saber do saber, sendo assim, espera-se que o caminho certo seja colocado em pauta, criando uma convivialidade harmônica entre homem-Terra, investindo em energias limpas, híbridas, deixando de lado a dependência dos combustíveis fósseis e resgatando os arquétipos dos seres humanos que foram esquecidos no inconsciente. Conforme dizia Thoreau “Falais do céu, vós que degradais a Terra”, pondera-se dizer que para voltarmos nossos pensamentos ao céu, devemos primeiramente ter o cuidado necessário a Terra.

 

                                                                                                           Gustavo Sanches

A estação dos sentidos

•Setembro 29, 2009 • 1 Comentário
Claude Monet - A Primavera (1886)

Claude Monet - A Primavera (1886)

 

É chegada a primavera, época do ano em que floresce a esperança, depois de vencido o inverno. Quão formosa esta conjuntura que dignifica as flores, onde até mesmo em nossas cidades cinzentas a visão humana consegue perceber uma centelha da estação, que através de vigorosas plantas que enfrentam o betume e a fumaça, ainda consagram a chegada do calor oferecendo-lhe as cores. Oh seja bem vinda primavera! Que possamos no seu ímpeto redescobrir nossos sentidos que tanto deixamos de usar.

Admirável estação, que o vento que traz o pólen e leva os pássaros nos empurre para fora de nossas ‘grades’, para que saibamos laborar apenas o necessário e desfrutar inteiramente o significado do adjetivo ‘caloroso’ que fizeste surgir. “Bendito aqueles que nunca leem jornais”, diz Thoreau, “pois verão a natureza e, através dela, Deus.” Que sandice alguns docentes estimularem o culto desenfreado à informação, mal sabem onde está o conhecimento que leva à sabedoria. Sejamos gratos às manhãs e tardes primaveris, e às noites convidativas ao luar. “Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio de livros,” conforme Nietzsche “o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (…).”

Oh! Eternidade que se faz presente, como são belas as pessoas que fazem desse mundo o seu céu, consagrando o bem viver; colocam o trabalho no seu devido lugar, podendo regozijarem com suas famílias e amigos o que a natureza os oferece. Possamos nesta primavera encontrar essa virtude.

Gustavo Góes

Ordem a partir do Caos

•Setembro 22, 2009 • Deixe um comentário

'' O Expressionismo de Edvard Munch - (1863 - 1944)''

Imagem: O Grito  - Edvard Munch (1863-1944)

 

Na mitologia grega entende-se Caos (do grego Χάος) como a primeira divindade a surgir no universo, sendo o mais velho dos deuses, atribuindo em seu conjunto desordem e confusão. Corrobora o fato de ser de complexo o entendimento mitologico. Avançando na linha do tempo, desde o surgimento do universo até os dias atuais, o caos se mostra muito presente, associado com algo que não está caminhando conforme deveria, como algo malévolo.

 Com a atual situaçao planetaria um bom aprendizado é reaprender com nossos ancestrais, analisarmos suas açoes perante a Terra (Tellus). No período Paleolítico (Idade da Pedra Lascada) da história, nossos ancestrais veneravam sua Mae Terra (Tellus) com imensa exaltação, à admiravam como uma flor que esperou uma longa jornada até chegada hora de florescer, existia um profundo sentimento de compaixão e convivio homem-natureza. Passando este período, a evolução nos trouxe para o Neolítico (Idade da Pedra Polida) onde o Caos novamente haveria de ressurgir das entranhas do obscuro. Este periodo da historia foi marcado pela razão analítica-instrumentalista onde o homem começou a desenvolver instrumentos, ora para auto-sobrevivência, ora facilitar a vida com para cada outro e para com o planeta, formando um bem-estar planetário. Mas o que ocorreu fora o oposto escravizando ainda mais os seres humanos, visando a produção em massa. Urge citar que com este avanço, cada vez mais os seres humanos se desentretiam da natureza, fugindo do ciclo natural de todos os seres vivos que são formados por comunidades, aí cria-se as sociedades.  Com este breve resumo da evolução racional dos seres humanos, pode-se notar que a inteligência nos difere de qualquer outro ser vivo, basta olhar ao seu redor e notará que somente a evolução jamais construiria edificios, colocaria refrigeradores dentro de nossas casas e outras demais provas da inteligência do ser humano.

 Não nos distanciando dos outros organismos vivos existentes, estamos numa busca perene pelo equilibrio, em constante flutuação de um ciclo planetário, passando por eras do fogo, da água e  glacial. Exemplificando as fases da Terra, estamos nós nos dias atuais acelerando um processo natural, adiando ciclos naturais. Com a industrialização crescente devemos ser simbiontes*, trabalhar em cooperação natureza-homem-máquina, não se submetendo as máquinas, mas sim trabalhando em harmonia para uma vida melhor. Devemos cada vez mais alimentar utopias, acreditar em um mundo melhor, caso contrario, nos tornamos vitimas da massa governante que usam o poder para seus próprios interesses, devemos sim almejar uma sociedade melhor. Devemos aprender com nossos ancestrais, com as ciências empíricas, usar um tempo de caos para uma nova ordem, onde a harmonia reinará, onde não haverá muralhas intangíveis ao longo dos caminhos, onde a convivialidade contemporânea emergerá com seu real significado visando combinar o valor técnico de produçao material com o valor etico da produção social-espiritual.

 * simbiontes, ser que faz simbiose, beneficiando-se mutuamente, referindo-se no texto a fim de fazer simbiose com a máquina, mas não para se submeter a ela, e sim trabalhar em harmonia com ela, melhorando a qualidade de vida planetária.

É possível um mundo melhor?

•Setembro 14, 2009 • 1 Comentário
Henri Matisse -  A Dança (1910)

Henri Matisse - A Dança (1910)

Dias atrás pessoas debatiam próximo a mim sobre a possibilidade de um mundo melhor, um era fundamentalista religioso que vive na sua comunidade tranquila respeitando seus irmãos e as coisas da terra, era cético em relação a um mundo melhor fora das suas crenças; o outro era um jovem cheio de vitalidade para fazer que suas atividades tenham o propósito do bem comum. Ouvi dizer numa certa vez que as duas coisas que apequenam a humanidade são a dúvida e o complexo de inferioridade, teria o segundo rapaz sucesso em sua peleja no mundo cheio de insensatez, a buscar dias melhores?

Como se há de verificar, o pessimismo do religioso talvez possa ser explicado por vivermos num mundo cheio de oprimidos e vilipendiados, e para personificar essa situação não se pode deixar de citar a economia como grande responsável pelas mazelas atuais. Essa ciência surgiu para suprir as necessidades humanas através do fluxo de mercadorias, no entanto é só ligar o noticiário ou ler o jornal que se percebe que quase tudo é quantificado economicamente. Em vez de uma ciência que se atenta na sua principal função, ela encontrou no modelo capitalista a oportunidade da construção de pirâmides, isto é, sociedades hierarquizadas que com a orientação organizacional cartesiana de Taylor*, potencializou a exploração da terra e dos povos da terra, estabelecendo como abissal a distância do cume da pirâmide, onde estão os que detêm a tecnologia, conhecimento e capital, até a base que fornece os recursos e o suor para a geração do material econômico. Saliente-se que em toda essa conjuntura, disfarçada e conhecida como crescimento, ainda há espaço para a ilusão da filantropia barata na qual, salve raras exceções, esposas de altos executivos se gabam com suas fundações que fornecem os restos de sua classe, ou talvez alguns % dos seus contracheques, resultando na missão cumprida do seu ego, publicidade do seu sobrenome e no rebaixamento de quem os recebe, pois o sistema continua a “todo vapor”, ricos mais ricos e pobres buscando seu lugar ao sol, criminalizados na mídia por invadirem terras ou excluídos da mídia os milhares de escravos existentes.

Ufa… Esse é o mundo, será possível melhorá-lo? Essa dúvida já não cabe, é tarde para ser pessimista, é PRECISO melhorar o mundo! Alguns acham utopia, quiçá um sonho, muitos melhorarão o mundo pelo medo das previsões da pobreza, dos refugiados climáticos e da insegurança, outros pela esperança da salvação numa outra vida, a questão é que o mundo melhor só se pode melhorando a nós mesmos, a chamada revolução molecular, fazendo o bem com gratuidade, não o reduzindo a atos isolados de fim de semana, mas sendo o bem, eterno ao ponto de se expressar na forma involuntária.

O mundo é uma grande rede, tudo está interligado e o bem nunca será solitário. A única coisa construída de cima para baixo é o poço, o mundo melhor surge nas atitudes de cada um, através da nossa alegria que se contagia, respeito, gratidão, consumo consciente, enfim, da humanidade. Por tais razões surge a pergunta: Você está melhorando o mundo?

*Criador da administração científica, caracterizada pela especialização das tarefas.

Gustavo Góes

Consciência Planetária

•Setembro 8, 2009 • Deixe um comentário

 

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Muito se fala sobre a consciência no período em que vivemos, seja ela em todas as formas, abrangendo um todo. O fato é de que estamos vivenciando um caos de consciência começando em nossos governos, avançando para os cidadãos comuns e levando este caos para consciência da natureza, que ultimamente tem-se demonstrado um tanto quanto inconsciente. Esta como principal abordagem do tema que leva a sociedade para uma inflexão perene de seus atos sobre o planeta Terra.

 Como já se pode ter uma noção da idade do planeta Terra que estima-se em 4 bilhões e meio de anos, este planeta presenciou momentos cataclísmicos extinguindo varias formas de vida e sendo que nós, seres humanos, estamos apenas fazendo parte de mais uma era das muitas que estão por vir de uma serie de organismos que passaram por aqui. Nenhuma espécie avançou tanto como nós, avanço este marcado pela ciência, tecnologia, uma serie de demonstrações da imensa inteligência dos seres humanos como totalidades auto-reguladores, auto-organizadores, auto-reprodutores vivendo um para cada outro no sentido de reproduzir, ao contrario das maquinas que vivem uma para outra. Paradoxalmente emergindo uma inconsciência planetária de divisionismo, marcada pela hierarquia sobreposta por nós. Em todas as outras formas de vida não existe hierarquia, segue um exemplo, imagine uma sequóia com seus oitenta metros de comprimento, sendo observada por nós, e a comparamos com um carvalho, muito menor proporcionalmente que a sequóia, imaginemos que a sequóia com seus status de grandiosidade tem-se o domínio sobre o carvalho, entretanto o carvalho é muito mais avançado na escala evolutiva, devemos observar que na teia da vida cada espécie desenvolve seu papel, sendo que não existe hierarquia entre os organismos vivos.  Em sociedade e ecologia de Murray Bookchin ele demonstra claramente como estamos em uma sociedade que se opõe a natureza, causando conflitos a Gaia com o pensamento obsoleto de domínio, como um objeto. Pondera-se também que a inconsciência parte de algumas premissas religiosas, as pessoas cada vez mais crêem num futuro definido, não há mudança de hábitos, mudança de pensamentos, porque com a crença religiosa tudo esta definido, devemos fazer parte desta mudança de paradigma para que conciliamos esta maravilhosa criação com seu criador.

 Dever-se-ia mais preocupação dos educadores em trabalhar este tema com seus educandos, como dizia Pitágoras “Educai as crianças, assim não serás necessário julgar os adultos”. Todos nascemos com uma boa consciência, aprimorado-a quando crianças é possível que nos tornamos adultos de dignidade e respeito. Deve-se esclarecer que a entropia que se manifesta na educação em nossa sociedade encontra-se nos governos, dando prioridade para investimentos capitalistas onde o mundo se encontra em uma crise climática. Colocando em questão que os seres humanos são auto-determinantes e cada um escolhe seu caminho, não podemos deixar de citar que para alguns o caminho já esta definido, como citado acima, sendo assim, a escolha mais fácil seria o caminho da inconsciência.

 Devemos compreender onde é o espaço da humanidade no planeta terra, respeitando todas as formas de vida, exercitando propósitos conscientes, vivendo em harmonia, porque pode-se fugir de todos os problemas exteriores, mas da consciência não se pode escapar, traçaremos muitas batalhas para nos tornar autoconscientes. Segue abaixo trecho da carta do chefe indígena Seattle para reflexão.

 Isto sabemos, todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família….

Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra, O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz a teia, faz a si mesmo.  Chefe  Seattle

 

                                                                                 Gustavo G. Sanches

Urbanidade cinzenta ou a evolução cultural

•Agosto 31, 2009 • 1 Comentário
O Pensador - Auguste Rodin

O Pensador - Auguste Rodin

Enquanto homo sapiens, somos seres capazes de contemplar diversas coisas, como por exemplo a estética, a natureza e o universo. Oportuno se torna dizer que essa capacidade é dada por uma conjuntura cosmológica que consagrou a vida na presente galáxia, dentre bilhões de outras. Também é necessário dizer que hoje sabemos que nossos genes contêm o “quinhão” de todas as outras espécies terrenas, ou seja, somos irmãos não somente entre seres humanos, mas também das plantas, aves, fungos, etc. A evolução humana desde a pré-história até alguns milhares de anos das civilizações, estabeleceu um processo de socialização que nos fez alcançar certos ganhos culturais, intelectuais e espirituais.

Enquanto outras espécies das que conhecemos* não desenvolveram o intelecto, os seres humanos o possuem, e que em conjunto com os 5 sentidos pode culminar não só em pessoas simples, como nós que levamos a vida a executar tarefas, mas também em gênios da história que, se é que podemos taxá-los em algum campo, Beethoven e Mozart na música, Shakespeare e Dostoyévski na literatura, e Da Vinci e Einsten transcendendo alguns limites.

Fica para outro momento a discussão importante do contexto histórico e ambiente no qual esses indivíduos viveram. Mas tendo-se presente os dias atuais, num outro enfoque, é de se perceber que as aglomerações urbanas proporcionam a redução da capacidade dos sentidos. No Brasil mais de 84% da população vive em áreas urbanas, fato que acaba por proporcionar a limitação do saber. Em outras palavras, estamos determinados ao concreto de Niemeyer e seus discípulos, grandes e ‘fechados’. Não aproveitamos mais o pôr do sol, as crianças não conhecem as matizes da aurora, o grasnar do pássaro. O céu estrelado que os antigos decifravam é ofuscado hoje pelos outdoor’s. Já dizia Thoreau em meados do século XIX que “seria ótimo, quem sabe, se pudéssemos passar um pouco mais dos dias e das noites sem nenhum obstáculo entre nós e os corpos celestes, se o poeta não falasse tanto à sombra de um telhado ou o santo não morasse entre quatro paredes por tanto tempo. As aves não cantam dentro das grutas, nem as pombas cuidam de sua inocência nos pombais.”

Assim como o iluminismo habilitou revoluções intelectuais e fez erigir grandes pensadores, e ao contrário da geração yuppie que décadas atrás vangloriou as finanças, a volta para os valores da terra em nosso tempo conduzirá a indivíduos solidários, altruístas, e até quem sabe gênios verdes.

* estimativas apontam a descrição de apenas 20% do total existente.

Gustavo Góes

Panorama Alentador?

•Agosto 24, 2009 • Deixe um comentário

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Após a criação do conceito de desenvolvimento sustentável em 1988 pela Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, as organizações tanto públicas como privadas vêm buscando, vale dizer que aquém do ideal, aliar crescimento econômico sem comprometer as futuras gerações. Nessa esteira que em 1994 John Elkington criou o termo triple bottom line, conhecido no Brasil como o tripé da sustentabilidade, que consiste na orientação organizacional para resultados econômicos, sociais e ambientais. Por outro enfoque, ao contextualizarmos o termo para uma nação, caracterizada como república, que significa “coisa do povo”, já era de se esperar o trato especial pela coletividade, entretanto não é isso que vemos, já que os países desenvolvidos e em desenvolvimento ainda são muito influenciados pelo contexto de Adam Smith do século XVIII, que definiria o potencial das nações por meio da riqueza material.

Fortalecendo o assunto, ao analisarmos os governos democráticos brasileiros percebemos um forte apelo econômico, passando pelo controle da inflação e culminando na gestão FHC. Com a chegada do ex-metalúrgico Lula ao poder teve-se a orientação baseada não só na economia, como também no social. Mas e agora, as eleições serão em 2010 e o quadro político estava se desenhando com dois candidatos desenvolvimentistas, José Serra e Dilma Roussef. Eis que nas últimas semanas a senadora Marina Silva recebe o convite a se candidatar para presidência da república pelo PV.

Convém ponderar que essa mulher tem uma biografia fantástica, nascida no Acre trabalhou na extração da Seringa em sua infância e parte da adolescência, foi alfabetizada aos 16 anos e aos 26 formava-se em História, dedicando-se a dar aulas. Foi companheira de Chico Mendes no início da sua visa política, e é hoje uma das personalidades mais influentes do mundo, laureada com dezenas de títulos, no que se destaca o “Champions of the Earth” oferecido pela ONU, além de ser reconhecida pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 pessoas para salvar o planeta.

É importante frisar que para o completo ciclo do triple bottom line no governo brasileiro será necessário a orientação de base ambiental junto ao sócio-econômico. Estamos a pouco mais de 100 dias do maior evento na história dedicado ao Meio Ambiente, o COP-15 a se realizar em Copenhagen vai projetar mudanças importantíssimas para o futuro da humanidade. Não resta dúvida de que após essa conferência a discussão ambiental ganhará muito terreno, e a candidatura de Marina Silva consagrará essa bandeira. Inadequado seria esquecer também que Barack Obama venceu justamente com sua campanha baseada no econômico-social-ambiental. Será que aqui também será possível?

Gustavo Góes

A Vida no Campo

•Agosto 18, 2009 • 1 Comentário

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Quem nunca numa situação de estresse ou algum tipo de inconformidade urbana decorrente ao estilo de vida contemporâneo não teve vontade de largar tudo e buscar uma paz no campo ao meio da natureza e seus privilégios….? Pois bem, muita gente responderia que sim, até mesmo para os mais apaixonados pela vida urbano-industrial.

Com o avanço dos grandes centros e os aglomerados urbanos as pessoas acabam se tornando alvo fácil do sedentarismo, vida alienada, falta de exercícios e outros fatores nefastos que dificultam a vida em harmonia com a natureza e seus benefícios.

  Vivemos em um mundo capitalista, verdade seja dita em que o acumulo de bens e a degradação ambiental em todos os aspectos são bons para o crescimento de certo país ou região, optamos por um estilo de economia retilínea onde nada é reutilizado, forçando-nos sempre a substituir tais produtos ao invés de reaproveitarmos, tal processo que nos leva a pungente situação de que não há mais espaço para  demasiado lixo no planeta e os paises ricos até andam exportando seus lixos. Chegamos a um ponto onde se surgem a cada dia novos problemas causados pelo dia-a-dia conturbado, como doenças, acidentes de transito, e inúmeros outros distúrbios. Paralelamente há que não sofra muito com estes problemas, buscando uma paz interior e um estilo de vida saudável, muitas pessoas vêm descobrindo a tranqüilidade de uma vida no interior. Cidades pequenas cuja infra-estrutura não corresponda a grandes centros pode ser a resposta para alguém que procura uma vida tranqüila.

 No Brasil, por exemplo, a agricultura familiar já alcança milhares de famílias, crescimento que vem direcionando as famílias brasileiras para uma qualidade de vida maior, sendo que somos os maiores consumidores de venenos do mundo, grande premio este.

Nas terras familiares há sempre em alguma família um co-morador que já tenho ido buscar a felicidade em algum centro urbano, grande cidade, mas acaba voltando para a vida no campo cuja ideologia seja a harmonia com a natureza, alimentação e estilo de vida mais saudável, levando a vida pro – ativa essas pessoas vêm atingindo um índice de felicidade interna bruta invejável, conciliando a simplicidade com a felicidade.

 Chegamos em uma situação planetária onde o homem voltará às suas origens, tendo que reaprender a viver bem com menos, reaprender seus valores, seus ideais, ou então aumentará exponencialmente os aglomerados urbanos, a massa de calor nas cidades se elevará em grande escala. Todos temos a chance de mudança, e ela deve ser feita agora caso contrario, estaremos posteriormente em situação de calamidade.

                                                                                                         Gustavo G. Sanches