
Claude Monet - soleil levant - 1872
Perante a constituição da vida somos seres livres como os pássaros, voaríamos sem destino sendo beneficiados somente pelo vento que sopra demasiado. Quão bom alimentar uma utopia desta nos dias de hoje, onde gradativamente a sociedade nos impõe barreiras tangíveis e intangíveis ao longo de nossos “vôos”.
Cumpre enfatizar que muitas vezes essas barreiras não são perceptíveis, mas acabam nos manipulando, não nos dando direito de opinião, de escolha, até mesmo de opção, sendo que somos dominados pelo monopólio vigente. Fazendo uma analogia com os pássaros, que definitivamente são seres livres, pensemos o seguinte: Como podem os pássaros cantar, quando seus arvoredos estão sendo cortados? Como pode o homem ser livre sendo que a sociedade o reprime e o manipula perpetuamente?
No começo de nossa existência éramos limitados somente pela Terra, pelo Oceano e pelo Céu, não havia guardas de fronteira, nem funcionários de alfândegas, éramos atraídos pela curiosidade de explorar novos horizontes. De fato no mundo contemporâneo os temidos exploradores já se aposentaram há algum tempo.
A sociedade contemporânea não aprendeu muito com nossos antepassados que tinham tanto para nos ensinar sobre seus conhecimentos telúricos, preferimos usar a tecnologia como um fim, visitando lugares pela internet, se apaixonando pela internet, usando somente a razão, deixando de lado o “pathos” do ser humano, que é o sentimento, a capacidade de simpatia, dedicação, quando na realidade deveríamos usá-la como um meio, nos ajudando a interagir para o bem e futuro comum. Não sentimos mais a grama molhada de orvalho pela manhã, e sim o asfalto cinzento refletindo a vida que nós levamos. As barreiras que muitas vezes não percebemos é que nos distancia da natureza, levando em conta que o ser humano é parte e parcela da natureza, nós devemos co-existir com ela, interagindo com uma visão holística de mundo e não nos fechando em nossos mundos dissipados.
Esta nova ótica para a sociedade se define na mudança de ética, tanto política, educacional, quanto econômica, deve-se mudar o pensamento de que tudo na natureza vira produto, e de que este produto deve ser linearmente descartado, devemos aprender que estamos na Terra com o mesmo propósito, independentemente de credo religioso, nacionalidade, etnia, etc. O mundo que habitamos não é nada alem de um ponto no espaço e ainda assim fomos privilegiados com a Vida, devemos desfrutá-la intensamente, mas não somente de maneira racional e sim emocional, temos que aprender a contemplar as coisas simples da vida, de contemplar nosso papel na Terra, olhar para uma cachoeira e naquele momento sentir que numa intricada rede de relações nós somos parte dela, e nos sentir livre, fora de qualquer pensamento na escala lógica.
A liberdade nos será concedida no momento em que aprendermos onde é nosso lugar na Terra, co-existindo com a natureza como um todo, deixando de lado nosso individualismo e assim talvez conseguiremos ser livres como os pássaros.
Gustavo G. Sanches









